Feliz Nova Orelha

31/12/2008

Ok, isso aqui tá bem devagar. Mas vocês sabem como são as desculpas de um universitário: quando está com o semestre em andamento, não tem tempo porque há muitos trabalhos e cadeiras pegando pesado. Quando está de férias, quer cultivar a política da preguiça deitado numa rede com o traseiro apontado pro céu.

Entrementes, algumas coisas valem a pena serem postadas e comentadas. Como esta notícia do Whiplash (cujo link você pode ver no fim do post) sobre uma audição musical do vocalista, flautista e tecladista da banda holandesa Focus, Thijs Van Leer.
Não sei quem me contou que, dentre muitos motivos, a banda terminou devido aos atritos entre o guitarrista Jan Akkerman e Van Leer. Chegou num dado momento que Akkerman disse que o vocalista era um belo de um idiota e não agüentava mais conviver com o mesmo. Não sei até que ponto isso é verdade, mas depois da notícia lida, há de se desconfiar.

Basicamente, Van Leer participou de uma audição musical de várias canções de várias bandas, sem saber o nome delas e nem das músicas em questão. Lá pelas tantas, ao ouvir Metal Icarus, do Angra, encantou-se com a voz de André Mattos e comentou: “É um homem cantando? Impressionante!”

Mas o motivo do post não é o comentário sobre Metal Icarus, e sim sobre a ouvidela de Van Leer sobre um trabalho do Tool, banda cujo trabalho conheço uma ou duas músicas. Ao ouvir uma música da banda, o vocalista do Focus não hesitou e soltou a seguinte pérola:
“Eles tocam tudo com precisão, mas é um pouco rigído. Não há suingue, não consigo mexer minha bunda ouvindo isso. (…) Dá para entender o porquê de eles terem excursionado com o KING CRIMSON.

Vocês já podem entender por que grifei a última frase e também de ter comentado sobre a hipótese de briga do Akkerman com Van Leer: o King Crimson é uma das minhas bandas preferidas do ramo progressivo.
Mesmo assim, devo dizer que foi uma das coisas mais engraçadas que já li de um artista progressivo sobre outro grupo progressivo também. E por isso, vale nosso registro aqui.

No mais, Happy New (Y)ear pra todos vocês. Ou, em bom português, Feliz Nova Orelha. E torçamos para que o Peter Gabriel desembarque por estes pagos, pela glória de Tutatis!

Ah, o link –> http://whiplash.net/materias/news_880/081351-angra.html


Sisyphus in black

15/09/2008

Não gosto de dar notas funerárias em lugar nenhum. Acreditem, não me senti bem quando escrevi o post da morte do Waldick e do desenhista do Snoopy. E me sinto pior ainda em publicar este post agora pra vocês. Mas o jornalismo é assim, infelizmente.

É com grande pesar que hoje o rei Sisyphus trajou preto, visitou Rick Wright e o levou desta para melhor. O tecladista do Pink Floyd morreu hoje, aos 65 anos, de câncer no pâncreas. Quem deu a primeira notícia foi o The Guardian.

Tomei um choque quando soube do fato. Mesmo que fosse praticamente impossível, ainda tinha uma ponta de esperança por uma nova volta do Floyd, e até uma possível visita dos mesmos no Brasil, para vê-los ao vivo. Poucas bandas mexeram tanto comigo quanto eles, seja com seus ecos ou com suas viagens para o lado negro da lua, sempre do lado de fora do muro.

A mim (e com certeza a todos deste blog) deixamos nossos mais sinceros agradecimentos a Rick, que assim como Syd Barret e os membros ainda vivos, nos ensinou a sonhar acordado.
Assim que conseguir absorver o impacto da morte de um ídolo, posto mais detalhes.
Link da notícia no The Guardian.

Vá em paz, mestre.

Cloudless everyday you fall upon my waking eyes
inciting and inviting me to rise
And through the window in the wall
Come streaming in on sunlight wings
A million bright ambassadors of morning

And no-one sings me lullabies
And no-one makes me close my eyes
And so I throw the windows wide
And call to you across the sky

(Echoes, 1971)


As cores opacas de Porto Alegre – Parte 1

12/09/2008

Como prometido, aqui vai a minha história sobre o show do Living Colour em Porto Alegre.

Abril de 2004. Nada de muito interessante acontecia. Este escriba aguardava a matrícula pra faculdade no segundo semestre do ano – o que, ao mesmo tempo, significava férias prolongadas por oito meses. Quase trinta dias antes, havia perdido, naquele momento, o show da minha vida: Jethro Tull em Porto Alegre. Impossível para um cidadão que ainda não havia ingressado no mercado de trabalho arranjar 100 pila pra um mísero ingresso de platéia alta no Teatro do Sesi (ainda mais quando os pais achavam que gastar essa grana em um show era um absurdo). Quando havia surgido uma chance mágica caída do céu de conseguir 200 reais através de uma campanha publicitária do Universitário, pasmem: os ingressos esgotaram. Em cinco dias. De 10 a 15 de março. O show seria dia 22. Deus, como aquilo doeu! Mas, como dito em outro post, a vida seguia.

Passaram-se alguns dias e surgiu a notícia de que o Living Colour estava vindo para o Brasil. “Esse não vou perder nem que chovam canivetes!”, pensei. Ingresso a 25 reais, bem baratinho. Bons tempos que os ingressos em Porto Alegre eram baratos. Para se ter uma idéia, em 2002 o Nightwish tocou no Opinião por 25 reais cada entrada. Em 2004, esse preço subiu 220% – ou, trocando por gajos, para 80 reais! A Rita Lee dava pra assistir no Teatro do Sesi por 40 reais a platéia baixa (ingresso mais caro). Hoje você paga 70 reais e olhe lá. A crise, irônica e meta-ironicamente, atingiu os artistas…

O show seria realizado no Gigantinho, dia 24 de abril, às 21h. Até aí tudo bem: apesar da acústica do Gigantinho servir mais para desgastar o ouvido do que melhorar o som, ao mesmo tempo que o lugar NÃO SERVE para comportar um espetáculo grande – e o Iron Maiden esse ano provou isso de forma cabal – a tendência era de bom público. Afinal, o Living Colour surgira na década de 80, era apreciado por muitos da imprensa musical mundial e tinha muitos fãs no Brasil. O próprio baterista Will Calhoun disse que os admiradores que mais clamaram pela volta da banda foram os brasileiros.

Nem o fato das bandas de abertura nada terem a ver com o Living Colour abalou minha convicção, apesar de ter deixado algumas farpas no cérebro. “Como assim?”, mentalizo vocês perguntando. Ora, caro leitor. Você que leu o post sobre o quarteto, informou-se um pouco mais, ouviu a música deles e definitivamente concretizou a existência deles em sua cabeça, responda: se você fosse produtor desse show, colocaria o Diretoria e o TNT para abrirem o espetáculo? Pois é, nem eu. E se você quer saber do porquê desses dois grupos terem tocado na abertura do Living Colour, tem uma explicação bem plausível e possível, senão verdadeira: o show estava sendo apoiado e patrocinado pela Atlântida. Isso lembra uma certa gravadora, que por pura coincidência, tinha contrato com o Diretoria e o TNT. Lembre-se, caro leitor: a crise chegou nos artistasE nas produtoras também. Bem como nos patrocinadores!

Os ingressos foram vendidos nas lojas Colombo dos dois maiores shoppings da capital na época. Divulgação na TV? Praticamente inexistiu. Jornais? Uma ou outra coisinha. Rádio? Aí não sei responder, não ouvia e não ouço a Atlântida. Alguns amigos comentaram que a divulgação na rádio começou dia 20 de abril, ou seja, quatro dias antes do show. Qualquer impressão de desmerecimento não é mera coincidência.

Em meio a esse cenário cinza da publicidade, o anúncio mais vigente eram os outdoors em Porto Alegre informando sobre o show. e estava escrito bem assim:
Lojas Colombro e Rádio Atlântida apresentam: LIVING COLOUR – A MAIOR BANDA DE RAP ROCK FUSION CHEGA A PORTO ALEGRE!

Rap Rock Fusion… Que diabos é Rap Rock Fusion? Alguém sabe me explicar?
Pois agora imagine, caro leitor: sabemos que Porto Alegre é uma capital que geralmente não tolera diferenças. Ou você é colorado ou é gremista. Ou você é de esquerda ou de direita. Ou é maragato ou é chimango. Ou é roqueiro ou é reggaeiro. Meio-termo? Não, não existe esse vernáculo no vocabulário de alguém que se criou em Porto Alegre.
Pois bem, um cidadão porto-alegrense que veja esse cartaz na rua certamente não vai entender lhufas do que é Rap Rock Fusion. Mas certamente o primeiro sentimento vai ser de repúdio. De ojeriza. Elementar, meu caro Corey. Como dois estilos completamente distintos podem se fundir? Sem falar que Rap + Rock normalmente dá a entender que o Living Colour poderia ser comparado com bandas como Limp Bizkit e Linkin Park.
Resultado final: os publicitários que cuidaram dessa divulgação certamente não sabiam o que divulgar da banda. E fizeram qualquer coisinha.

Mas parando um pouco de ser ranheta e voltando para as desconfianças na véspera do show: comprei meu ingresso. Vinte e cinco reais bem gastos. Olho para o número do mesmo (nota do redator: procurei o ingresso aqui em casa dentro de uma pasta, mas não o encontrei. Por isso, vai ficar a informação inexata aqui). Algo entre 140 e 150, pelo que eu lembre. Fico preocupado: só isso de ingressos vendidos? Entro na internet e falo com alguns amigos. Um deles comprou o ingresso em outro lugar. Número 96. Somando, não chegaria a 300 pessoas. Das duas uma: ou estavam pra comprar os ingressos em cima da hora, ou o show seria um fiasco de público. Ou talvez aquela numeração nada tivesse a ver com a quantidade de ingressos vendidos. Conversando com alguns conhecidos que só tinham ouvido ou nunca tinham ouvido falar da banda, apostava mais na segunda opção.

Mesmo assim, ficava um tanto satisfeito com o quarteto chegando a Porto Alegre. O setlist me animava mais ainda: só clássicos da banda. Type, Cult of Personality, Glamour Boys, além de algumas improvisações e covers, como Back in Black, Seven Nation Army e Crosstown Traffic. Os quatro ainda tinham ido no programa do , que acabei não assistindo (por sono e pra não estragar a surpresa do show).

Até que chegou o grande dia 24 de abril de 2004. E chegavam as quatro horas da tarde. Banho, uma roupa leve e o ônibus até o Parque da Marinha. Depois, meia hora de caminhada até o Gigantinho.

O resto dessa história?
Em menos de uma semana, a parte 2 (isso, claro, se ela tiver audiência).

Abraço a todos.


A mais nova intelectual brasileira

14/11/2007

Com seus cerca de 1 099 653 exemplares semanais, a Revista Veja é a mais lida do Brasil. Fundada em 1968 pelos pelos jornalistas Victor Civita e Mino Carta, já passou por diversas ‘fases editoriais’. Atualmente, é tida como um periódico dirigido para as “classes A e B”, liberal e de oposição ao governo.

Apesar de todos os pesares (que são muitos), a Veja ainda mantém algumas características bastante interessantes, como a coluna Holofote. Na última edição (14 de novembro), a entrevista da página foi tão chocante pra mim que eu resolvi deixar pra lá o meu próximo post planejado, parar as atividades do meu estágio e trazer diretamente para vocês. Como diria a Cris, “eu mereço…”. Aí vai a bomba:

Aos 25 anos, a modelo Daniela Albuquerque se prepara para estrear em uma nova profissão. Ela apresentará o reality show Dr. Hollywood, que será exibido pela Rede TV!. Daniela conversou com a repórter Heloisa Joly.

Veja – Como será seu programa?

Daniela – Vai ser um reality show superlegal sobre cirurgias plásticas. Estou feliz, mas TV dá um frio na barriga, sabe? Tento me controlar, mas até espinha saiu no meu rosto. Quero dar sempre o melhor de mim.

Veja – Você já fez alguma plástica?

Daniela – Coloquei silicone. Por enquanto, estou satisfeita. Em time que está ganhando não se mexe.

Veja – Seu marido, Amilcare Dallevo, é dono da Rede TV!. Isso ajuda na sua carreira?

Daniela – Lógico, mas eu fico chateada com quem pensa mal de mim por isso. Batalho, sou trabalhadora, faço um monte de coisas, sabe?

Veja – Estudar jornalismo a ajudará na nova carreira?

Daniela – Claro. Eu fazia direito. Desisti e pensei em entrar em veterinária, porque amo animais. Também quis estudar teatro, Acho legal cinema, ser atriz, diretora, cineasta. Só que cineasta é só para quando for mais velha, com 30, 40 anos.

Veja – Mas como você foi parar no jornalismo?

Daniela – Eu estava tomando toddynho no café da manhã. Na embalagem, tinha um negócio que explicava as profissões na linguagem de criança. O dessa era jornalismo. Eu li e falei: “Caramba. É isso que eu tenho que fazer”. Tem tudo a ver com ser modelo.

E o que isso tem a ver com Cultura? Definitivamente nada.

Postado por Débora


Anti-anti-pirataria

18/10/2007

Você está cansado das irritantes e intermináveis campanhas anti-pirataria? Não agüenta mais colocar um DVD pra rodar e ter de assistir o enfadonho videozinho do pai que compra um filme pirata e do filho que cola pra tirar nota boa na escola? Seus problemas acabaram! Tá… Mentira. Mas, de qualquer forma, você deve ficar contente em saber que não é o único incomodado por essa situação.

Surgiu na Internet, já há agum tempo, um “anúncio” bem-humorado, feito por pessoas engajadas no combate ao combate à pirataria (ou, pelo menos, engajadas na criação de peças gráficas “nérdicas” metidas a engraçadinhas):

Anti-anti-pirataria

Para aqueles não versados na língua inglesa, o texto do “anúncio” fala algo mais ou menos assim:

Acabei de comprar meu filme favorito de todos os tempos em DVD numa loja

Agora, tenho que ficar sentado vendo até o fim um anúncio anti-pirataria que não pode ser pulado a cada vez que coloco o disco no meu DVD player, embora eu tenha uma cópia legalizada, comprada em uma loja, [CENSURADO]

Apesar de você comprar DVDs legalizados, a F.A.C.T. [Federation Against Copyright Theft, vulgo Federação Contra o Roubo de Direitos Autorais] ainda acha que você é:
Um criminoso > Um idiota > Incapaz de discernir o certo do errado

Se eles continuarem fazendo essa merda, você provavelmente vai se dar melhor arranjando uma cópia pirata

Brincadeiras à parte, gostaríamos de deixar bem claro que a equipe (Quarteto Fantástico) do COWABANGA! não apóia a pirataria.

Lembre-se, pirataria é crime! Não roube navios.

Postado por Kauê