A mãe dos sobrinhos

31/08/2007

Fiz uma descoberta essa semana e gostaria de compartilhar com vocês.

Pense rápido: quantas vezes você já perguntou quem são os pais de Donald, Huguinho, Zezinho e Luisinho? Eles nunca apareceram! Será que morreram? Por que nunca mais foram atrás deles? Que pais ingratos?

Apesar de toda essa dúvida, a Disney já mostrou uma única vez a identidade da mãe dos três pequenos patinhos. Apareceu numa revista do Pato Donald, em 1940. Quer dizer, ela não aparece. Mas foi publicada uma foto sua.

Na história, Donald recebe a visita dos três sobrinhos (creio que ainda quando eles eram bebês) e um bilhete da irmã gêmea, cujo nome era Della Duck. No Brasil, a personagem ficou conhecida como Dumbela. No desenho, vocês podem ver claramente que é um Donald com peruca loira. Sem tirar nem pôr.

No bilhete, Della explica que não pode cuidar dos filhos, e os deixa para o seu irmão criá-los. Depois disso, a pata nunca mais apareceu. A identidade do seu marido até hoje é um mistério.

Mas e Donald? Bom, seus pais também nunca tiveram suas fotos reveladas. O que se sabe é que sua mãe (Hortense McDuck) é irmã do Tio Patinhas, e o pai (Quackmore Duck) é filho da Vovó Donalda. Aí já se resolve o enigma da pergunta “qual o parentesco da Vovó Donalda com Tio Patinhas?”: a resposta é que eles não possuem parentesco. O nome completo do Pato Donald é Donald Fauntleroy Duck.

A árvore genealógica não pára por aí. Nos dois sites que citarei no final deste post, vocês poderão ver como a Disney conseguiu formar histórias com motivos para que os pais de Tio Patinhas, Donald, Gastão, Peninha, Huguinho, Zezinho e Luisinho nunca aparecessem. Não cito toda a história aqui porque daria muita coisa e muitas complicações (e também porque, em pesquisa revelada, descobrimos que nossos leitores são preguiçosos para lerem o que escrevemos. Então vou botar o link e vocês, ó: se virem!).

Mas fica a pergunta no ar: por que raios a Disney fez tudo isso, e não formou simplesmente uma família com avô, pai, mãe, filhos e netos? A resposta está no fato de que, se a família pato fosse toda estruturada nessa forma, estariam revelando indiretamente que os patos transaram. E isso, para as histórias inocentes da Disney, não era tolerável. Daí o excesso de primos, tios e sobrinhos criados ao redor de Donald (já que o princípio foi ele. Depois criaram toda a família e a cidade de Patópolis, para que o pato mais querido do mundo não ficasse sozinho neste).

O que a Disney simplesmente não revelou (e aí eu deixo esta pergunta pra vocês, que eu vi em um fórum de discussão) é: por que raios os patos comem peru no natal? Isso, por um acaso, não é considerado canibalismo?

Link 1: http://www.burburinho.com/20010820.html
Link 2: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20061214211630AA8su8v

That’s All Folks.

Postado por Fred


The best of the best

30/08/2007

Os dez melhores personagens da ficção. Uma pequena lista baseada na minha não tão humilde opinião – bem como no meu não tão vasto conhecimento e na minha não tão confiável memória.

10. Chandler Bing
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O mais irreverente dos Friends. O cara das piadas certas nas horas erradas. O melhor personagem do melhor seriado. Preciso falar mais?

9. Kyle Rayner/Lanterna Verde
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Praticamente todos os membros da Tropa dos Lanternas Verdes são personagens interessantes, mas Kyle Rayner destaca-se. Pode-se dizer que ele é uma espécie de Peter Parker da DC Comics. Um cara comum – pra quem as coisas sempre dão errado – que ganhou grande poder repentinamente e viu-se carregando o fardo de ser o último Lanterna Verde do universo. Isto é, até ele próprio conseguir restaurar a Tropa. É, ainda, um exemplo de metalinguagem nos quadrinhos: um personagem que é desenhista de HQs.

8. Bruce Wayne/Batman
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Um dos grandes ícones da cultura pop. Um homem movido pelo trauma de ter assistido a morte dos pais quando criança. O maior detetive do mundo. Um herói sem poderes, capaz de fazer tanto ou mais do que qualquer ser super-poderoso, utilizando-se apenas da inteligência e das habilidades praticadas à exaustão. O ápice do potencial humano. E um personagem extremamente complexo. Quando bem trabalhado, é capaz de render histórias espetaculares, como O Cavaleiro das Trevas ou Ano Um.

7. Morte
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Morte? Aquela figura sombria e assustadora? Não!? Não. Esta é a Morte de Sandman. Uma dos perpétuos. Irmã de Sonho, Desejo, Delírio, Destino, Destruição e Desespero. Uma garota de visual gótico, sempre alegre e otimista, dona de muita sabedoria. Ironicamente, carrega sempre consigo uma cruz ansata, símbolo egípcio da vida. De coadjuvante na série estrelada por Sonho a estrela de algumas mini-séries de sucesso. Tamanhos são sua originalidade e seu carisma que a Morte tornou-se a personagem mais popular do universo criado por Neil Gaiman.

6. Darth Vader
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O grande vilão da história do cinema moderno. Um personagem mais complexo e mais interessante do que seus antagonistas. O apelo de Vader só cresceu ao conhecermos sua história na nova triologia de Star Wars. Pudemos, dessa forma, acompanhar desde suas origens até a redenção final, passando por momentos de heroísmo e de vilania. Protagonista de uma das cenas mais famosas da história. “Luke, I’m your father”.

5. Ed Mort
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“Mort. Ed Mort. Está na plaqueta.” Luis Fernando Verissimo tem vários personagens interessantes, mas, pra mim, o melhor de todos é Ed Mort. Detetive particular. Duro. Mas sem nunca perder o glamour. Envolvendo-se sempre em casos estapafúrdios e em situações hilárias. Belíssima paródia da ficção hardboiled norte-americana.

4. Super-ultra-mega-lafruta-de-limão-décar-eca-que-nojo
deh
Super-ultra-mega-lafruta-de-limão-décar-eca-que-nojo, vulgo Ctrl+V, é uma personagem co-criada por mim e por Alexandre Haubrich. Ela vive aventuras absolutamente verossímeis, extremamente bem escritas e maravilhosamente inspiradoras. Trata-se de uma personagem deveras carismática, além de muito versátil. Ctrl+V é capaz de vencer tanto invasões de vampiros de outra dimensão quanto ataques de peitos gigantes. Ela é quase uma versão feminina – e miniatura – do Batman. A personagem é baseada em uma pessoa de verdade – que eu não revelarei quem é.

3. Jack Sparrow
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Piratas são legais. Mas Jack Sparrow, ou melhor, o Capitão Jack Sparrow não é só “legal”. Ele é único. Não é apenas um pirata. É um pirata e uma piada ambulante. No bom sentido. Sparrow é muito engraçado. O próprio modo como ele se movimenta é engraçado. A maneira como ele fala é engraçada. Seus diálogos estão entre alguns dos melhores dos últimos anos no cinema. E as situações em que ele se mete são as mais esdrúxulas. Mesmo assim, raramente perde a pose. Sempre arrogante. Sempre enigmático. Sempre ambíguo. Sempre presepeiro. Sempre hilário.

2. Seth Cohen
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E por falar em “hilário”… Seth Cohen, de The O.C., tem algumas das melhores tiradas de todos os tempos. O cara que escreve seus diálogos deveria ser canonizado ou algo assim. E Adam Brody faz uma interpretação magistral do personagem. Além disso, por algum motivo, eu me identifico com Seth Cohen. Talvez pelo fato de ele ser nerd, anti-social, gostar muito de quadrinhos e de fazer piadinhas infames. Não fosse o fato de que Cohen fala irritantemente demais, me identificaria ainda mais.

1. Peter Parker/Homem-Aranha
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Peter Parker. Talvez o personagem de maior sucesso na história da cultura pop. Meu personagem favorito. O típico cara comum. O cara que se esforça, faz o que pode, mas quase sempre se dá mal. Isto é, até ganhar poderes e habilidades proporcionais aos de uma aranha. Aí, sim, as coisas pioram ainda mais. A história de Peter Parker é uma história de tragédias. Mas também é uma história de perseverança. De seguir em frente. De aproveitar as pequenas coisas. E de fazer o que é certo. Poder e responsabilidade. Um cara comum, com grandes poderes e grandes responsabilidades. E com uma vida também. O Homem-Aranha tem que conciliar o combate aos supervilões com os estudos, o namoro, o trabalho. A história de Peter Parker poderia ser a minha. Ou a sua. Caso fôssemos super-heróis. É impossível não se identificar.

Menções honrosas para: James Bond, Homer Simpson, Aragorn, Gandalf, Legolas, Clark Kent/Superman, Oliver Queen/Arqueiro Verde, Wally West/Flash, Matt Murdock/Demolidor, Steve Rogers/Capitão América, Tony Stark/Homem de Ferro, Victor Von Doom/Dr. Destino, Elijah Snow, Rorschach, V, Yakko, Wakko, Dot, Leonardo, Raphael, Michelangelo, Donatello, Sherlock Holmes, Hercules Poirot, Harry Potter, Ford Prefect, Forrest Gump, Ross Geller, Joey Tribbiani, Monica Geller, Phoebe Buffay, Rachel Green, Michael Scofield, Sandy Cohen, Summer Roberts, Luke Skywalker, Obi-Wan Kenobi, Yoda, Malcolm Reynolds, Jayne Cobb, Matthew James.

Terei esquecido de alguém? Muito provavelmente…

Postado por Kauê


Febre amarela

29/08/2007

“Em um mundo que a animação digital cria coisas maravilhosas, um filme ousa ser diferente. Os Simpsons, em 2D”.

Na TV, nos quadrinhos, nas revistas, no cinema. O mundo é dos Simpsons, melhor, dos Homer Simpsom. Após 18 temporadas havia dúvidas se a família disfuncional amarela mais conhecida da telinha conseguiria manter o fôlego por mais de meia hora. Conseguiu.

Nem mais, nem menos engraçado que um desenho normal “Os Simpsons – O filme” pode ser considerado um episodião. No longa estão presentes todos os elementos que mantiveram Springfield no horário nobre americano por tanto tempo. Da ironia dedo-na-ferida característica de Matt Groening, um pouco tímida perto de outros exemplares do gênero, como South Park, mas ainda assim de efeito, às inúmeras gags (e haja humor físico nisso).

A primeira parte é ótima, com um ritmo frenético e tiradas hilárias. Só o Homer fazendo seu porco de estimação imitar o Homem-Aranha já vale o ingresso (ops). Depois o filme perde um pouco o embalo, chegando a cansar, mas se recupera no final. Agora, se vamos ver uma continuação ou não só o tempo dirá. A imensa massa de fãs que lotou os cinemas já no fim de semana de estréia espera que sim.

Por enquanto, fica a dica: se você não viu, veja e só saia da sala depois do fim dos créditos, de TODOS os créditos. Pode não ser o “bixo”, mas é os Simpsons. Amarelos como sempre, sem tirar, nem pôr.

Postado por Paula


Instabilidade

28/08/2007

Deixem-me lhes contar uma história, amigos. Sim, ela tem a ver com a temática deste blog. Afinal, é uma história sobre um blog e blogs estão definitivamente enraizados no âmbito da cultura pop contemporânea.

Enfim…

Sexta à noite. Eu havia me comprometido a escrever um post para o COWABANGA! Mas abri o blog e achei tão sem graça… Precisava dar uma melhorada no layout. Fiquei um bom tempo escolhendo templates. Volta e meia, no entanto, o navegador demorava para abrir os previews dos templates. Às vezes, o WordPress chegava a sair do ar. Depois de longos e longos minutos, consegui achar um template interessante e fazê-lo funcionar.

Pus-me, então, a procurar uma boa imagem das nossas queridas Tartarugas Ninja. Com a ajuda do Google Imagens, não foi muito difícil encontrar. Era a hora do Photoshop. Recortar a figura no tamanho correto para a barra do blog. Salvar num arquivo suficientemente pequeno pra que fosse aberto rapidamente a cada vez que alguém visualizasse o site. Até aí, tudo bem. Mas, na hora de upar (uploadear?) para o WordPress, mais problemas de instabilidade do site. Eventualmente, consegui fazer o que queria.

Ainda assim, faltava algo mais. Eu precisava dar uma melhorada na sidebar, nos widgets. Colocar links de sites relacionados à cultura pop. E, o mais importante, criar títulos divertidos para cada uma das seçõezinhas da sidebar. Já era madrugada. Eu estava com sono. A criatividade começava a rarear. A memória (e a minha barra de favoritos) não ajudava(m) na escolha de sites para serem linkados na barra lateral do blog. Após algum esforço e alguma (muita) ajuda do Google, consegui juntar uma boa quantidade de links. Quando fui colocá-los efetivamente no blog, o WordPress resolveu não colaborar mais uma vez. Santa paciência…

Bom, eu só havia arranjado títulos interessantes pra um ou outro widget. Então, enquanto o WordPress não funcionava, eu podia ir pensando em mais alguns. Passados mais vários minutos, consegui colocar os links. Mexi nos títulos de mais uns poucos widgets. E tome tranqueira de novo. Eu colocava título num widget, clicava em “salvar” e o WordPress caía. Colocava em mais outro, caía de novo. Foi indo assim por muito tempo. Até que em determinado momento apareceu algo mais ou menos como: “estamos em manutenção, por favor, aguarde cerca de 2 horas”.

Desisti. Fui dormir. Nisso, já deviam ser quase quatro horas da manhã. Acabei deixando para postar só no sábado. E já aproveitei para terminar o que tinha começado na noite anterior. Tudo certo, finalmente.

Desde então, o WordPress não vem mais me dando grandes problemas. Mas ainda o acho instável demais. Algumas vezes, o navegador demora demais para abrir o blog. Ou demora muito para logar. Ou chega a cair por alguns minutos. Isso irrita. Muito.

Posso viver com um blog sem muitas opções de customização de template. Posso viver com um blog cujo editor de texto não me permita mudar a fonte. Posso viver com um blog que não exiba automaticamente o nome dos autores dos posts. Posso viver com um blog que me proporcione apenas 50mb de espaço para imagens e que cobre (dinheiro!) para que eu possa ultrapassar esse número.

Mas o que realmente dá nos nervos e me faz ter saudades do Blogspot é essa maldita instabilidade! Eu quero clicar no link do meu blog e vê-lo abrir em instantes. Quero clicar em “publicar” e ver, em alguns segundos, o post na página principal do blog. Aparentemente, é pedir demais. Pelo menos, por enquanto. Porque eu espero que isso seja passageiro…

Postado por Kauê


Meta-linguagem (denovo)

27/08/2007

A auto-refência. É incrível como isso é recorrente. Mal os jornalistas arranjam um lugar para colocar as suas idéias, e lá estão eles falando de si mesmos. Quis fugir desse estigma, mas sei que é inevitável. Resolvi, então, acabar logo com isso.

Este post é sobre os jornalistas e a cultura pop. Mas calma, nem tudo está perdido. Não vamos falar de personalidades, mas de personagens.

Alguém aí já parou pra pensar quantos jornalistas existem no mundo dos filmes, desenhos, quadrinhos e seriados? Clark Kent e Lois Lane, Peter Parker e o pessoal do Clarim Diário, April O’Neill e seus colegas, e, como muito bem lembrou nosso amigo Kauê em uma conversa paralela que tivemos, “o Billy Batson/Capitão Marvel, que trabalha na televisão. O Batman já teve uma namorada jornalista, chamada Vicky Vale. A esposa do Flash é jornalista (…)” (é, ele sabe das coisas). Bom, isso sem citar o imenso número de produções que usa os noticiários e a mídia como fatores externos aos personagens da trama, como parte do roteiro.

Apesar de geralmente coadjuvante, a “nossa” profissão sempre aparece como fator importante – às vezes, até mesmo decisivo – responsável por acontecimentos, sejam eles bons ou ruins. Disso podemos tirar ao menos duas conclusões diferentes:

1. Como dizem poraí, o cinema é o espelho da realidade. Ou seja, a mídia é retratada com tanta freqüência por que está presente na vida das pessoas de forma muito forte.

2. Os jornalistas aparecem tanto no cinema por que são personalidades da mídia – e o cinema também é uma mídia. “Nossa” influência no meio da sétima arte é tão marcante, que sempre damos um jeito de ter nossos cinco minutos de fama, e enfiamos algum personagem jornalista em algum momento da trama.

Talvez por falta de auto-crítica, ou por espírito jornalístico onipotente, eu sou mais simpática à primeira opção. Acreditando ou não na existência de uma opinião pública – o dito “clima de opiniões” de Luhmann – acho que, infelizmente, o que as pessoas lêem nos jornais ou vêem na televisão realmente tem muita influência e ocupa um grande espaço na vida de todos nós.

Segundo o professor da UFPB, Cláudio Cardoso de Paiva, “como atores de uma ‘psicologia das profundezas’, os seres imaginários do cinema revelam tudo o que há de familiar e de estranheza nos seres humanos”, e nisso com certeza pode-se incluir a mídia.

Além do mais, por mais infiltrados no cotidiano humano que os jornalistas estejam, suas ambições não são tão megalomaníacas. Por mais que alguns pareçam, não temos como professores o Pink e o Cérebro.

Bom… ok, não tenho tanta certeza disso. Mas encerro o papo por aqui. Apesar de toda essa conversa bizarra, minha intenção não é defender o jornalismo ou a mídia (não mesmo!), mas apenas “revirar a borra do fundo do tacho de doce” – para citar uma metáfora (mais bizarra ainda) usada pelo Santiago durante uma entrevista.

E pra quem achou que eu tirei tudo isso de um buraco negro do meu cérebro, ou que se interessa pelo tema, aí vão dois links de artigos científicos sobre o assunto (sim, sempre existe um Buzz Lightyear):

http://revcom2.portcom.intercom.org.br/index.php/famecos/article/viewFile/1978/1793

http://reposcom.portcom.intercom.org.br/bitstream/1904/4387/1/NP2TRAVANCAS.pdf

Postado por Débora


Top 3

26/08/2007

COMUNICADO

Comos os senhores leitores devem ter notado os meus queridos colegas, vulgo resto do quarteto fantástico, me colocaram numa bela saia justa ao escreverem três textos muito bons e muito bem fundamentados (leia-se longos). Adepta da linguagem blog que sou, acho injusto fazer alguém gastar mais de dois minutos lendo um post (ou seja, quem espera mais do que três ou quatro míseros parágrafos pseudo-engraçadinhos pode ir tirando o cavalinho da chuva). Sendo assim, cowabanga!

Diz o ditado que a voz do povo é a voz de Deus. A redação ouviu, pensou e não atendeu. Até porque nós não acreditamos nessa história de Deus, ditados e opinião pública – há boatos de que é tudo invenção da Indústria Cultural. É Igor, ainda não foi dessa vez. Um dia sai um post sobre os clássicos da Sessão da Tarde. Por enquanto o drama (ou comédia, ou ficção, ou terror, ou o diabo a quatro na Terra do Sol) é outro.

Nós queremos é saber quais foram as frases mais marcantes do cinema para essa geração Coca Cola Light, que se não viu o Clark Gable sendo Clark Gable antes dele virar história lembra muito bem do Richard Gere subindo as escadas de incêndio, com um buquê de flores na mão, atrás da Julia Roberts versão meretrício ao som de Pretty Woman (pelo menos eu lembro).

Nossa equipe foi para a rua e, após uma longa e exaustiva pesquisa, chegamos a um consenso. Com vocês, sem mais delongas, deu de enrolação, é agora ou nunca o, ta ta ta ta:

Top 3 frases marcantes do cinema
(arrancadas a força na fila do RU)

1. Hasta la vista, baby

O atual governador de Califórnia travestido de ciborgue, vindo do futuro para salvar um garoto que por sua vez deverá salvar o futuro já seria o suficiente para uma boa história. Agora, colocar um Andróide de óculos escuros falando espanhol, ah, isso sim é genial. A ponto de garantir a primeira posição do nosso ranking.

2. I see dead people

Ver pessoas mortas andando por aí aos noves anos é definitivamente marcante. Tanto para o Haley Joel Osment (que está prestes a fazer vinte anos, mas continua com a mesma cara de pirralho) quanto para os nossos entrevistados.

3. ET, telefone, minha casa

O filme de 1982, que serviu de motivo para muita criança pentelha encher o saco dos pais, amigos e familiares ao tentar colocar em prática a tática da bicicleta voadora, ou ao menos ficar repetindo com indicador em riste os trejeitos e falas daquele extraterrestre gente boa pré-efeitos especiais, também mereceu uma lembrança. Afinal, não é todo dia que a sétima arte nos brinda com elucubrações tão complexas e emocionantes quanto a junção dessas quatro palavrinhas.

Não gostou, pior, não lembra? Então faça um grupo formado na segunda metade da aula de redação jornalística 3 de quinta-feira feliz e contribua você também. Fica a pergunta: qual a frase mais marcante do cinema?

Hasta la vista, baby e até a próxima.

Postado por Paula


Os senhores Smith

25/08/2007

Andy Rourke, Johnny Marr, Steve Morrissey e Mike JoyceQuando iniciei minhas audições e análises musicais minudentes – e posteriormente, minha paixão pela música – acreditava piamente que uma boa composição deveria ser longa, bem trabalhada, cheia de arranjos complexos. E nisso se inclui um rock progressivo da vida, um erudito, até mesmo um jazz dos anos 30 até hoje. Para alcançar esses objetivos, o músico precisava ser muito competente, estudar improvisos e teoria durante boa parte dos dias e descobrir os caminhos do instrumento que toca. Árdua tarefa.

Obviamente que essa bitolação não poderia durar muito tempo, de modo que, creio eu, a maioria dos indivíduos que realmente apreciam as sensações sonoras combinadas sabem que uma boa composição é aquela que desperte algo em quem a ouça, seja melancolia, felicidade, raiva, tranqüilidade. A boa música, assim como um bom texto, não tem um limite: ela dura o tempo que precisa e ainda mexe com a pessoa que absorve suas vibrações. E para se conseguir isso, é preciso viver música, viver emocionalmente, e entender o instrumento musical, como se ele fosse seu amigo.

Acredito que foi desse jeito que os Smiths alcançaram o devido, estrondoso e passageiro sucesso nos anos 80, abandonando sintetizadores, teclados com efeitos e trazendo de volta o bom e puro timbre da guitarra, do baixo e da bateria, ressuscitando o clássico estilo de banda de rock dos anos 60. Em vez de seguirem a tendência da época ou tentarem algo diferente, mas ainda se encaixando ao estilo oitentista, Steve Morrissey (vocal) e Johnny Marr (guitarra), os cérebros do grupo, fizeram completamente o oposto: Marr era adepto do rock anos 50 e 60, enquanto Morrissey adorava a música pop e a rebeldia punk dos anos 70. Essa união de idéias completamente simétricas entre os dois integrantes, mas muito mais simétrica à tendência dos anos 80, é que concebeu a fórmula musical do grupo.

Uma boa parte dos grupos de rock famosos e considerados inovadores surgiu na Inglaterra. Claro, temos exceções de sobra, como Hendrix, Doors, Beach Boys e outros que agora me fogem o nome da cabeça. Mas é difícil ver um grupo musical que se destaque tanto e não tenha se formado em algum ponto diferente da terra da Dama de Ferro (Viram? Iron Maiden). Enquanto os Beatles vieram de Liverpool, o Black Sabbath do subúrbio de Birmingham e o Rolling Stones de Londres, os Smiths vieram de Manchester, lugar que pode ser considerado o berço do rock alternativo, já que de lá também veio o Joy Division.

Outra característica marcante e semelhante aos grandes grupos é uma teoria formada pelo lendário Keith Richards, que agora ficou mais famoso por ter inalado papai para dentro de sua urna torácica do que por ser guitarrista dos Stones (tá, estou exagerando, mas não posso perder essa piada). Uma certa vez, ele mencionou que o sucesso de uma banda estava nela ter um vocalista ousado e bonito e um bom guitarrista. Os Smiths possuíam justamente isso: Morrissey é um artista no palco. Joga flores, dança e faz poses sexys. Exagerava tanto que alguns desconfiavam de sua opção sexual, mas aí acho que os críticos é que realmente exageravam. Além disso, ele escrevia letras polêmicas: no primeiro álbum, há músicas que levam a crer que o tema principal é a pedofilia e o abandono de crianças pelos pais. A crítica foi tão interessante que Morrissey decidiu arriscar nesse ramo: no álbum seguinte, Meat Is Murder, claramente há uma analogia ao vegetarianismo, no qual o vocalista é um adepto ferrenho. E finalmente, em Queen Is Dead, terceiro álbum do grupo, a crítica é diretamente para a primeira-ministra inglesa Margaret Tatcher.

Se as letras e a performance de Morrissey eram marcantes, a genialidade de Marr era igualmente. Seus arranjos e sua personalidade em tocar e compor eram fora do senso comum, mexendo até mesmo com o mais petrificado dos corações humanos (Até mesmo com Muhammad Omar e George Bush, se estes gostassem de rock). A sonoridade era tão penetrante que você parava e pensava “Deus, de onde está vindo isso?”. Aí você pode perguntar: mas e Mike Joyce e Andy Rourke? Bom, Joyce tentava uma ou outra coisa diferente, mas nada expressivo, apesar de ser um bom baterista. E Rourke era o que chamamos de “carregador de piano”: fazia o básico, mantendo o fundo musical, para que Marr e Morrissey pudessem criar o que bem entendessem.

A última característica que põe os Smiths lado a lado com as grandes bandas do rock está no fato de como eles terminaram. É sabido que dois gênios musicais, quando reunidos, fazem mágica. Mas sabe-se também que, um dia, eles entram em atrito e afetam todo o alicerce do grupo. Com Waters e Gilmour foi assim: um era perfeito nas letras, o outro brilhante nos arranjos, e o Pink Floyd fazia milagres. Bastou um dia terem uma desavença forte para nunca mais se verem nos olhos. Beatles, então, nem é preciso falar. Pois o mesmo aconteceu com Marr e Morrissey. Suas personalidades entraram em conflito bem no final dos anos 80, e eles decidiram não continuar mais juntos. Cada um seguiu o seu lado. The band was dead.

Tudo bem, até aí são comparações interessantes, é verdade. Mas o que os Smiths tinham de diferente, afinal? Por que sua música é tão profunda assim? Por que mudou o rumo do rock alternativo, abrindo caminho para as bandas britpop?

Não perca o próximo capítulo, neste mesmo canal.

Postado por Frederick