Meta-linguagem (denovo)

A auto-refência. É incrível como isso é recorrente. Mal os jornalistas arranjam um lugar para colocar as suas idéias, e lá estão eles falando de si mesmos. Quis fugir desse estigma, mas sei que é inevitável. Resolvi, então, acabar logo com isso.

Este post é sobre os jornalistas e a cultura pop. Mas calma, nem tudo está perdido. Não vamos falar de personalidades, mas de personagens.

Alguém aí já parou pra pensar quantos jornalistas existem no mundo dos filmes, desenhos, quadrinhos e seriados? Clark Kent e Lois Lane, Peter Parker e o pessoal do Clarim Diário, April O’Neill e seus colegas, e, como muito bem lembrou nosso amigo Kauê em uma conversa paralela que tivemos, “o Billy Batson/Capitão Marvel, que trabalha na televisão. O Batman já teve uma namorada jornalista, chamada Vicky Vale. A esposa do Flash é jornalista (…)” (é, ele sabe das coisas). Bom, isso sem citar o imenso número de produções que usa os noticiários e a mídia como fatores externos aos personagens da trama, como parte do roteiro.

Apesar de geralmente coadjuvante, a “nossa” profissão sempre aparece como fator importante – às vezes, até mesmo decisivo – responsável por acontecimentos, sejam eles bons ou ruins. Disso podemos tirar ao menos duas conclusões diferentes:

1. Como dizem poraí, o cinema é o espelho da realidade. Ou seja, a mídia é retratada com tanta freqüência por que está presente na vida das pessoas de forma muito forte.

2. Os jornalistas aparecem tanto no cinema por que são personalidades da mídia – e o cinema também é uma mídia. “Nossa” influência no meio da sétima arte é tão marcante, que sempre damos um jeito de ter nossos cinco minutos de fama, e enfiamos algum personagem jornalista em algum momento da trama.

Talvez por falta de auto-crítica, ou por espírito jornalístico onipotente, eu sou mais simpática à primeira opção. Acreditando ou não na existência de uma opinião pública – o dito “clima de opiniões” de Luhmann – acho que, infelizmente, o que as pessoas lêem nos jornais ou vêem na televisão realmente tem muita influência e ocupa um grande espaço na vida de todos nós.

Segundo o professor da UFPB, Cláudio Cardoso de Paiva, “como atores de uma ‘psicologia das profundezas’, os seres imaginários do cinema revelam tudo o que há de familiar e de estranheza nos seres humanos”, e nisso com certeza pode-se incluir a mídia.

Além do mais, por mais infiltrados no cotidiano humano que os jornalistas estejam, suas ambições não são tão megalomaníacas. Por mais que alguns pareçam, não temos como professores o Pink e o Cérebro.

Bom… ok, não tenho tanta certeza disso. Mas encerro o papo por aqui. Apesar de toda essa conversa bizarra, minha intenção não é defender o jornalismo ou a mídia (não mesmo!), mas apenas “revirar a borra do fundo do tacho de doce” – para citar uma metáfora (mais bizarra ainda) usada pelo Santiago durante uma entrevista.

E pra quem achou que eu tirei tudo isso de um buraco negro do meu cérebro, ou que se interessa pelo tema, aí vão dois links de artigos científicos sobre o assunto (sim, sempre existe um Buzz Lightyear):

http://revcom2.portcom.intercom.org.br/index.php/famecos/article/viewFile/1978/1793

http://reposcom.portcom.intercom.org.br/bitstream/1904/4387/1/NP2TRAVANCAS.pdf

Postado por Débora

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5 Responses to Meta-linguagem (denovo)

  1. Só um registro, ok?

    Os textos de vocês são sempre ótimos. Sério. Salve criatividade.

  2. Kauê disse:

    ufa… tu postou
    pensei que tivesse esquecido
    passei o banho todo (e olha que o meu banho é tri demorado) pensando num post de emergência pro caso de tu não postar hoje
    fico até um pouco triste pelo fato de não ter tido a oportunidade de escrevê-lo
    hehe
    mas fica pra outro dia

    e, sim, eu sei das coisas =D
    hehe

    aliás, tenho mais a falar sobre esse assunto aí
    putz… tenho tantas idéias pra posts mas tão pouco tempo (e disposição) para executá-las
    bom… é a vida
    talvez um dos meus próximos posts chame-se ‘Meta-linguagem (denovo) (denovo)’ ou algo assim

    ah, sim
    e… “sem-categoria”?
    acho que podemos criar uma categoria pra esse teu texto, né?
    vamos lá, usemos a criatividade
    (‘metalinguagem’ é muito óbvio?)

  3. Cris disse:

    ufa, ainda bem q foi a deh q escreveu, pq o texto tá muito bom.

    e eu chamo atenção pra confiança q existe entre o pessoal do blog. pelo menos a confiança do kauê na deh. ô kauê, dá os parabéns, poxa. afinal, o único problema do texto da deh é ter te citado =P

  4. Kauê disse:

    tsc
    e depois eu sou o chato
    só fiquei preocupado pq já era mais de 23h e a deh nao tinha postado nem dado sinal de vida
    o post no qual eu tava pensando era só um plano de contingência
    pq, se existe uma pessoa na fabico em quem eu confio, é a deh
    e eu não posso dar os parabéns sem ter lido o texto inteiro
    hehe

  5. disse:

    Oh… que linda demonstração pública de afeto… =D
    hauhauhaua
    Mas o pior é que eu concordo que o Kauê entende mais do assunto do que eu.
    Enfim, msm assim, brigada pela força, Cris! =)

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