Os ingleses contra-canônicos

11/09/2007

Bueno, já que o rótulo de incendiário e polemista colou nos últimos comentários, nada mais justo do que alimentar a fogueira com gasolina, certo? E, se vocês notarem, não posso usar a expressão chutar o balde, pois conseqüentemente, chutando o balde de água, apaga-se a fogueira. E não queremos isso, certo? (talvez vocês queiram, mas não vou dar esse gostinho)

Respondam logo: pra que Beatles? Pra quê? Vejo vocês já respondendo “pelo rock”. Ah, meus amores… Vocês vão levar tortada na cara. A resposta é “porque necessita-se de um cânone”. Sim, um cânone do rock. Formado na década de 60 por Rolling Stones (os Beatles do mal), Beach Boys e os quatro garotos de Liverpool. Um cânone que dominou a sua época e fez com que todos virassem os olhos diretamente para eles.

É claro que não quero desmerecer os Beatles neste post. De modo algum. Mas vocês sabem muito bem que, quando algo aparece intensamente na mídia, ofusca muitos outros talentos, que não conseguem divulgar seu bom material. Há muitas provas disso (principalmente ali no começo dos anos 90, quando o assunto do momento era Nirvana e Guns n’ Roses). E o maior exemplo disso são vocês, que responderam “pelo rock” quando perguntei “pra quê Beatles?”. Ora, a mídia tanto martelou em cima dos Beatles que acabou fazendo a cabeça de John Lennon a ponto dele falar que sua banda era muito mais conhecida que Jesus Cristo. Culpa dele? De modo algum.

E pergunto pra vocês então: por que não… Nescafé? Não! Yardbirds! Por que não Yardbirds? Um blues com toques sessentistas, no ponto, letras sobre garotas, solos simples, gaitas harmônicas e tudo o mais. E principalmente, senhores: uma banda de talentos. Sua fórmula era bem simples: tocar covers de artistas de blues das décadas de 30, 40 e 50, juntando com o bom rock n’ roll que tomava conta dos jovens da época. Um rock contra-canônico. Ou qual outro grupo musical poderia revelar três guitarristas tão virtuosos quanto esse?

Todo mundo sabe que Yardbirds é a banda que revelou James Patrick Page, que se tornou lenda depois de compor Dazed and Confused, Stairway to Heaven e – pelo menos dizem por aí – ter penetrado um tubarão nas partes mais baixas de uma mulher. E também sabem que foi uma das primeiras bandas no qual Eric Clapton participou. E a maioria sabe – e aqui não se pode citar todo mundo – que essa foi a banda que lançou Jeff Beck para sua carreira solo. Ok, isso pode ser de praxe. Mas você sabe citar uma música do Yardbirds?

E aí vem o problema. Fala-se muito deles, mas poucos sabem detalhes da banda. E a coisa chega a ser tão confusa que muitos pensam que Beck, Page e Clapton tocaram juntos no grupo. Isso nunca aconteceu. Além disso, Page era baixista nos Yardbirds. Só se aventurou na guitarra depois que Beck saiu, trocando de posição com Chris Dreja (primeiro baixista do Led Zeppelin; se você sabia disso, parabéns!).

Sinto hoje que os Yardbirds foram um dos grupos mais injustiçados de sua época, apesar de terem feito algum sucesso. E vejam que ironia: revelou três dos maiores guitarristas ingleses dos últimos tempos. São uma banda contra-canônica: seguiram uma parte do que os Beatles iniciaram, mas também mantiveram a raiz do blues, que iniciou todo o movimento rock na Inglaterra. Depois, o rock imperou e o blues morreu, sendo ressuscitado nos anos 80 por Stevie Ray Vaughan, mas isso é um caso à parte. O que importa aqui é que, por causa do sucesso de alguns, outros saíram no prejuízo, apesar de terem gerado bons frutos.

O que aconteceu com eles depois? Bem, Beck seguiu sua carreira solo, compôs discos sob efeito de entorpecentes (alguns álbuns ele simplesmente não se lembra de ter feito). Jimmy Page chamou Robert Plant e John Bonham da Band of Joy e convidou Chris Dreja para tocar baixo no grupo que ele chamou de New Yardbirds, para reviver um pouco a sua nostalgia. Mas o nome não era apropriado, e Dreja largou o grupo. Então Keith Moon disse que o som de Page era pesado e “voava”. Nascia o Zepelim de chumbo.

E Clapton? Bem, esse merece um post à parte.

E quanto aos outros integrantes? Alguns deles seguiram tocando os sucessos antigos em carreiras solo ou usando o nome Yardbirds. Mas nunca mais revelaram um talentoso guitarrista…

Postado por Fred


So long, Serenity…

07/09/2007

Sabe quando você fica meio triste porque terminou de ler um excelente livro? Ou de ver um grande filme? Ou de ler uma ótima HQ? Ou de assistir a um seriado espetacular? Tá, acho que já me fiz entender. Bom, é o meu caso.

As últimas páginas. Os últimos minutos. Os últimos quadrinhos. Os últimos episódios. São sempre difíceis. Você fica ansioso. Quer saber logo como as coisas irão acabar. Mas, ao mesmo tempo, não quer que acabem. Quer que aqueles momentos durem o máximo possível. E, quando tudo acaba, você se sente meio… Vazio. Fica aquele “gostinho de quero mais”. Mas não há mais.

Aquele livro que lhe acompanhou por dias, que você lia durante qualquer tempo livre que arranjasse, simplesmente deixou de ser algo novo pra você. Aquele seriado ao qual você assistia relgiosamente todas as semanas não terá mais novos episódios. Acabou. E você tem que viver com isso. É difícil, mas as coisas são assim. Quem disse que a vida é justa…?

Pois é, Firefly vai fazer bastante falta pra mim. Baita seriado. Diferente de qualquer coisa que eu já houvese visto. Um genuíno space western. Singular. Inovador. Tem vários elementos clássicos do faroeste, mas se passa no espaço sideral e em outros planetas. Conta com personagens de carisma, ótimas atuações, tramas originais, grandes cenas de ação e diálogos inteligentíssimos – muitas vezes, hilários –, além de frases de efeito de fazer inveja ao Homem Sem Nome.

Apenas 11 episódios (de 14 produzidos) foram ao ar na FOX norte-americana antes do cancelamento da série, que, em um primeiro momento, não obteve sucesso de crítica ou público. Mais tarde, no entanto, Firefly chegou ao status de fenômeno cult, tornando-se um dos boxes de DVDs mais vendidos nos EUA. Isso motivou a produção de um longa-metragem, intitulado Serenity – e de uma mini-série em quadrinhos que fazia a ponte entre seriado e filme.

Eu vinha assistindo aos episódios de Firefly há algumas semanas e, hoje, finalmente, li a HQ e vi o longa. Acabou. Agora, só resta o vazio…

Postado por Kauê


Breve tratado sobre a Caverna do Dragão

04/09/2007

Tente levantar a questão “alguém aí assistia Caverna do Dragão?” em uma mesa de bar às 4 da manhã (ou às 2 da tarde, ou às 10 da noite, falar sobre desenhos animados é sempre divertido). É difícil encontrar alguma pessoa entre vinte e trinta anos que não tenha parado ou acordado especialmente para acompanhar as aventuras dessa gurizada nas manhãs de sábado e domingo da Globo.

Citando meu professor de história do segundo grau citando o Jack Estripador, vamos por partes:

Criado pela Marvel Films em parceria com a Dungeons & Dragon Corp. o desenho, originalmente chamado de Dungeons & Dragons Cartoon, marcou época ao basear seus episódios em experiências vividas por jogadores de RPG (role plying games) do jogo de mesmo nome. Ao todo foram produzidas três temporadas, somando 27 episódios, exibidos inicialmente pelo canal de TV americano CBS entre 1983 e 1986.

A série começa quando um grupo de amigos vai ao parque de diversões e decide andar em um brinquedo novo, do tipo trem fantasma, chamado de, qualquer semelhança não é mera coincidência, Dungeons & Dragons (seria isso marketing viral estilo anos 80?) e acaba por parar em outra dimensão.

Chegando lá eles são recebidos pelo Mestre dos Magos (Dungeon Master), um velhinho baixinho, cabeludo e misterioso. Ele os ajuda entregando armas mágicas, que servem como defesa contra os perigos do local, entre eles o Vingador, um ditador do mau e com sede de, chutem, vingança, e Tiamat, um dragão de cinco cabeças muito poderoso. Ao receberem essas armadas, cada um dos seis personagens principais adquire também uma classe correspondente as classes do tal jogo de RPG anteriormente mencionado (chega de publicidade gratuita). A partir daí o desenho gira em torno da busca de um jeito de voltar para casa por parte dos nossos heróis. Para quem não lembra (ou não sabe que “heróis” são esses):

Hank (Ranger)- Líder do grupo, recebeu um arco mágico que quando usado cria uma flecha de energia. Loiro, alto e… sem graça. Ou alguém aí tem alguma recordação em especial dele?

Eric (Cavaleiro) – Dono de um poderoso escudo capaz de protege-lo contra raios mágicos de energia e golpes físicos faz basicamente o papel do medroso. Sarcástico e metido à besta, no fundo tem um bom coração.

Sheila (Ladra) – Sua arma mágica é uma capa de invisibilidade, usada para escapar dos perigos ou passar por inimigos sem ser vista. Sempre está por perto para ajudar quando alguém está triste. Também é vista com freqüência em festas à fantasia.

Bobby (Bárbaro)Irmão mais novo de Sheila, ele é o único personagem com a idade definida (10 anos). Apesar da atitude durona não passa de uma criança. Tem um tacape capaz de, além de machucar, causar terremotos.

Diana (Acrobata)Supostamente a mais velha, sua arma é um cajado verde que pode aumentar de tamanho e ser usado como uma vara de saltar.

Presto (Mago) O mágico do grupo. Do seu capuz sai de tudo, menos o que ele gostaria. Tem um episódio em que ele diz algo do tipo “quero que o inimigo desapareça” e acaba com um balde na cabeça. Hilário. Sim, eu adorava o Presto…

Uni, o UnicórnioTá, ele pode não fazer parte da lista inicial oficial dos personagens principais, nem ter muita utilidade, mas ele era tão fofo e um amigão para o Bobby.

O problema é que essa busca nunca teve resultado. Manhã após manhã, sempre quando eles estavam quase lá, pimba, alguma coisa dava errado e o grupo permanecia preso no Reino (nome pelo qual o Mestre dos Magos se referia à dimensão). Ok, até aí todo mundo – que via Caverna do Dragão, obviamente – sabe. Agora, a pergunta que, mesmo após vinte e tantos anos do término da série, não quer calar. Qual foi, afinal, o fim do desenho?

A falta de um término decente (a série foi cancelada no fim da terceira temporada) causou tanta polêmica que começaram a correr pela internet rumores de que havia sim um episódio final, que só não foi ao ar por ter sido considerado pesado demais para crianças. Entre as muitas versões, a que mais deu pano para manga foi a que dizia que os seis heróis morreram e foram para o inferno. Com certeza você já ouviu isso por aí.

Conforme o boato o dragão Tiamat seria um anjo, enviado para dizer que os garotos nunca conseguiriam retornar ao seu mundo. Eles teriam sofrido um acidente fatal na montanha-russa e o que consideravam uma dimensão paralela seria na realidade o inferno. O Demônio, só pela diversão, aparecia por lá ora na forma de Vingador, ora na forma de Mestre dos Magos. Para auxiliar seu trabalho, o Capeta teria ainda a ajuda de Uni, que sempre impedia a trupe (falta de sinônimos) de retornar para a Terra.

O engraçado é que essa história foi tão bem divulgada que pegou. Tem gente que jura de pé junto até hoje que esse foi o final definitivo. Em entrevista à terceira edição da revista Heróis 2000, de 1999, Gary Gyrax, produtor e criador de Caverna do Dragão, declara: “Não há verdade alguma nisso. Nenhum episódio assim foi produzido. Tiamat não é um anjo e nem ajuda de maneira nenhuma“. Já Mark Evanier, um dos roteiristas da série, é mais dramático: “Isto é completamente falso! Apesar de vários finais possíveis terem sido discutidos, nenhum último episódio foi realmente produzido“. Para o escritor Michael Reaves, roteirista de oito episódios da série, não haveria chance nenhuma de uma versão desse tipo ter ido ao ar: “Os garotos não ficaram presos no inferno, nem o Mestre dos Magos é o demônio ou coisa parecida. Essa história toda é absurda“.

Gyrax explicou o que realmente aconteceu: “Em 1985, a equipe responsável pelo desenho se reuniu com os executivos da temporada seguinte. Os seis jovens – mais velhos e mais experientes – seriam chamados de volta ao mundo da Caverna do Dragão pelo Mestre dos Magos. Foram concebidos três scripts do desenho, e eu até aprovei um deles. Mas algumas dificuldades surgiram. A D&D Corp. fechou e a CBS com a Marvel decidiram não continuar mais com o desenho. A nova série foi cancelada antes mesmo de ser produzida”.

Ou seja, nada de teorias conspiratórias ou finais bizarramente macabros. A culpada foi mesmo a boa e velha questão financeira. No entanto, para alegria dos fãs remanescentes da Caverna do Dragão (que espero, ainda existam, se não ninguém chega no fim desse texto) houve sim um último episódio, só que ele ficou só no script.
Com título de “Requiem” a história é ambígua, dando margem para uma possível quarta temporada. Até porque antes das coisas desandarem deslucrativamente para a Dungeons & Dragon Corp havia esperanças de que a série continuasse. Segue o resumo:

“O episódio inicia com os seis garotos enfrentando uma hidra. O Mestre dos Magos aparece durante a briga mas se recusa a ajudá-los, o que causa estranhamento geral. Mais tarde, o Vingador surge e apresenta uma maneira para a turma voltar ao seu mundo: encontrar uma chave escondida e arremessá-la em um abismo. A proposta faz o grupo se dividir em dois (Eric, Presto e Sheila de um lado e Hank, Bobby, Diana e Uni do outro). Após quase morrerem em um vulcão, eles se juntam novamente e encontram a tal chave dentro de um sarcófago com a imagem do Vingador. Ao serem atacados por uma ameba gigante, Eric usa a chave em uma fechadura e salva seus amigos da morte certa. Isso faz o Vingador se transformar em sua forma real (um cavaleiro) e se revela filho do Mestre dos Magos. Com o vilão libertado, os garotos ganham a opção de voltar para seus lares. O episódio termina sem o espectador saber se eles retornaram ou não para a Terra”.

Se você ficou curioso para ler o script inteiro ou revoltado com o final bonzinho não se preocupe, poupá-lo-ei de uma pesquisa no Google. Esse é o link do texto em português (tradução não garantida). O original e a versão lenda urbana eu fico devendo.

Postado por Paula


Meta-linguagem (denovo) (eoutravez)

03/09/2007

bourne.jpg“Isso não é uma história no jornal, é real.”
Jason Bourne, em O Ultimato Bourne

Quer dizer que as histórias dos jornais não são reais? A perspectiva do jornalista não passa de uma simples “história”? É essa a maneira como Hollywood enxerga o jornalismo?

Pelo contrário. Se fosse assim, não seria um jornalista um dos coadjuvantes de maior destaque no início de O Ultimato Bourne, um dos melhores filmes de ação do ano senão o melhor, mas isso é assunto para outro post. Se fosse assim, não teríamos filmes como O Informante, Capote ou Boa Noite e Boa Sorte. Se fosse assim, não ficaríamos sabendo dos detalhes do final da história de Jason Bourne através de um boletim jornalístico televisivo que trazia as repercussões dos atos do protagonista.

A figura do jornalista e os produtos da grande mídia aparecem com cada vez mais freqüência no cinema. E, também, na TV e nos quadrinhos. Figuras de jornais impressos, trechos de telejornais, notícias do rádio. Tudo isso se tornou recurso narrativo recorrente nos produtos da cultura pop. Recurso que dá informações ao público, muitas vezes centrais à trama. Além de que ajuda a contextualizar, a situar no universo da história aquele que está assistindo ou lendo. O espectador/leitor acaba recebendo as mesmas informações que o público ficcional recebe no universo ficcional.

watchmen.jpgIsso foi muito bem trabalhado, por exemplo, nos quadrinhos de Watchmen, obra-prima de Alan Moore. As manchetes dos jornais são tão parte da trama quanto as maquinações de Ozymandias ou a brutalidade de Rorschach. Elas mostram um pouco mais do clima de paranóia e de medo da ameaça nuclear, tão importante no contexto da HQ. Além disso, no fim de cada capítulo da obra, há trechos de alguns documentos fictícios, como livros, fichas policiais e, é claro, jornais e revistas. A presença desses documentos ajuda o leitor a entender a cronologia dos acontecimentos, bem como as mudanças na representação e na opinião pública no que diz respeito aos super-heróis do universo de Watchmen.

Já em O Cavaleiro das Trevas, outro grande clássico das HQs, o autor Frank Miller usa e abusa dos quadros que mostram a programação da TV em Gotham City. A ação desenfreada divide espaço com notícias, entrevistas de personalidades, opiniões de especialistas, debates a respeito da influência do Batman na sociedade, etc. Dessa forma, Miller cria um universo denso, profundo, complexo. Podemos ver tudo o que os cidadãos de Gotham supostamente estão vendo e nos sentimos parte da história.

Nos quadrinhos do Homem-Aranha, um jornal desempenha papel de destaque: O Clarim Diário. John Jonah Jameson, dono do jornal, considera o aracnídeo uma ameaça e costuma escrever editoriais criticando o herói. Sua influência é tamanha que o Aranha sempre foi uma espécie de pária, temido por muitos, nunca inspirando a mesma admiração que super-heróis como o Quarteto Fantástico ou o Capitão América.

Na literatura pop, também há exemplos do jornalismo no dia-a-dia dos personagens. Na série Harry Potter, temos o Profeta Diário, jornal lido pela grande maioria dos bruxos. Goza de grande prestígio e influencia muito a opinião pública da comunidade bruxa.

E não nos esqueçamos de uma das melhores paródias de jornalistas existentes: Kent Brockman, de Os Simpsons. Sensacionalista, pouco objetivo, parcial e não muito ético. Aparece com freqüência no desenho e tem uma participação no longa-metragem.

transmet.jpgMas o jornalismo e a mídia não são apenas acessórios das histórias. Muitas vezes, é o jornalista quem tem papel central na indústria do entretenimento. É o caso, por exemplo, dos já citados filmes O Informante, Capote e Boa Noite e Boa Sorte. É o caso das histórias do Superman que valorizam a sua profissão e o mostram atuando como jornalista investigativo. É o caso de DMZ, série de quadrinhos adultos da DC Comics que conta a história do jornalista Matthew Roth, preso no meio de uma zona de guerra em plena Manhattan. É o caso de Transmetropolitan, do genial Warren Ellis, HQ protagonizada por Spider Jerusalem, repórter adepto do gonzo journalism, criado em homenagem ao pioneiro do gonzo, Hunter S. Thompson. É o caso das séries Frontline, da Marvel Comics, sempre mostrando a visão de dois jornalistas, Ben Urich e Sally Floyd, em relação aos grandes eventos do Universo Marvel.

O jornalismo pode ser acessório ou tema principal nas produções da cultura pop, mas ele quase sempre acaba encontrando o seu espaço. E, concordo com a Débora quando ela diz que “a mídia é retratada com tanta freqüência por que está presente na vida das pessoas de forma muito forte”. A arte imita a vida. E a mídia faz com que sua presença seja sentida em ambas.

Postado por Kauê


Mina, a transgressora

02/09/2007

mamonas assassinasAh-ha! Garanto que você está cheio de esperanças, achando que os tão prometidos posts “à pedido” tinham chego. Pois é, não foi dessa vez… Como todo seriado ou novela que se preze, nós resolvemos seguir a onda e também pretendemos te enrolar um pouco e guardar o ‘melhor’ para mais tarde. Por hoje, tentaremos satisfazê-lo com um assunto mais, ahm, musical.

Alguém aí lembra do tema da redação do vestibular da UFRGS de 2005? Provavelmente pouca gente. Mas quem não lembra, ou não fez essa prova, logo vai entender do que eu estou falando…

Foi entre “dale a tu cuerpo alegria Macarena”, “e vai ralando na boquinha da garrafa” e “sorria que eu estou te filmando” que surgiram os Mamonas Assassinas. O grupo, composto por cinco integrantes totalmente fora do comum, foi um dos maiores sucessos da década de 90 e conquistou um público tão vasto que incluía até quem não entendia a parte mais legal de suas músicas: o esculhacho. Ou vai me dizer que você, mesmo tendo sete anos e sendo ainda uma criatura pura e inocente, não cantava feliz da vida “roda roda vira, roda roda vem, já me passaram a mão na bunda e eu ainda não comi ninguém!”?! (bom, eu sim…)

Comandadada pelo performático Dinho, a banda – que começou como um sério conjunto de hard rock – viajou o país todo e, em oito meses, vendeu mais de 2,8 milhões de cópias de seu CD, lançado em 1995. Entre as 14 músicas do disco, pode-se encontrar desde o baião nordestino até o dark metal americano.

Mas a grande pergunta é: por que diabos uma banda que tira com a cara de muita gente (inclusive de quem ouve!) e reúne um verdadeiro pout-pourri ‘descombinante’ de gêneros musicais em um mesmo CD fez tanto sucesso?

É aí que entra o tema da redação do vestibular: a transgressão!

Além da sátira e do ritmo engraçado, as letras são sempre geniais. Instigam nossa criatividade e nossa revolta com o mundo. E o melhor, de maneira cômica! Seja gozando o pagode, contando a sofrida história do nordestino que migra para São Paulo ou criticando nossos próprios hábitos – como ir ao “chopis centis”, satisfazer nossas vontades consumistas (fazendo um crediário nas Casas Bahia) e assistir ao lixo cultural dos filmes hollywoodianos (pegar um cinema, ver o Schwarzenneger e também o Van Damme) – os caras de Guarulhos sempre acertam na receita.

Mais que um belo senso de humor, os Mamonas possuíam uma grande dose de realismo e sabiam como usá-lo em suas composições. Quando rimos de suas músicas, rimos de nós mesmos… Enfrentamos hipocrisias sociais, extravasamos nossas insatisfações. Mesmo que inconscientemente, transgredimos. Afinal, e agora respondendo à pergunta proposta no tema da redação, transgredir é preciso.

E bom… a verdade é que ninguém mais conseguiu explicar tão bem temas prosaicos e aleatórios como a cultura non sense (Débil Mental) ou a astúcia de nossos amigos ‘irracionais’ (Mundo Animal)…

Pena que aquele avião bateu na Serra da Cantareira, no dia 2 de março mais trágico de toda a história cultural brasileira. Faz 11 anos.

“As pombas quando avoam, por incrível que pareça, ficam sobrevoando com seu cu amirando sobre nossas cabeças. Aí vem a rajada de sua bazuca anal… já tem pomba com mira laser, o tiro sai sempre fatal!”

Postado por Débora


Carta ao leitor

01/09/2007

Pois bem. Disseram que os textos são longos, disseram que a barra lateral é confusa, e disseram novamente e mais algumas vezes que os textos são longos. E o que nós temos a dizer sobre isso? Larguem de ser vagabundos! A prerrogativa básica de um jornalista é leitura. Não só faz bem, como ainda por cima aduba os neurônios. Quanto a barra, ela não é confusa… preferimos acreditar que ela é completa…

Esclarecimentos esclarecidos, nem tudo são espinhos nesse comunicado. Essa semana, o COWABANGA! pretende atender aos seus leitores e falar daquela que por tanto tempo embalou as tardes chuvosas de boa parte da gurizada que cresceu tendo a senhorita TV aberta como babá de meio período. Não sabem de quem estamos falando? Então aguardem. Em qualquer bat-horário, nesse mesmo bat-blog. Quem viver, verá…

A redação