Mina, a transgressora

mamonas assassinasAh-ha! Garanto que você está cheio de esperanças, achando que os tão prometidos posts “à pedido” tinham chego. Pois é, não foi dessa vez… Como todo seriado ou novela que se preze, nós resolvemos seguir a onda e também pretendemos te enrolar um pouco e guardar o ‘melhor’ para mais tarde. Por hoje, tentaremos satisfazê-lo com um assunto mais, ahm, musical.

Alguém aí lembra do tema da redação do vestibular da UFRGS de 2005? Provavelmente pouca gente. Mas quem não lembra, ou não fez essa prova, logo vai entender do que eu estou falando…

Foi entre “dale a tu cuerpo alegria Macarena”, “e vai ralando na boquinha da garrafa” e “sorria que eu estou te filmando” que surgiram os Mamonas Assassinas. O grupo, composto por cinco integrantes totalmente fora do comum, foi um dos maiores sucessos da década de 90 e conquistou um público tão vasto que incluía até quem não entendia a parte mais legal de suas músicas: o esculhacho. Ou vai me dizer que você, mesmo tendo sete anos e sendo ainda uma criatura pura e inocente, não cantava feliz da vida “roda roda vira, roda roda vem, já me passaram a mão na bunda e eu ainda não comi ninguém!”?! (bom, eu sim…)

Comandadada pelo performático Dinho, a banda – que começou como um sério conjunto de hard rock – viajou o país todo e, em oito meses, vendeu mais de 2,8 milhões de cópias de seu CD, lançado em 1995. Entre as 14 músicas do disco, pode-se encontrar desde o baião nordestino até o dark metal americano.

Mas a grande pergunta é: por que diabos uma banda que tira com a cara de muita gente (inclusive de quem ouve!) e reúne um verdadeiro pout-pourri ‘descombinante’ de gêneros musicais em um mesmo CD fez tanto sucesso?

É aí que entra o tema da redação do vestibular: a transgressão!

Além da sátira e do ritmo engraçado, as letras são sempre geniais. Instigam nossa criatividade e nossa revolta com o mundo. E o melhor, de maneira cômica! Seja gozando o pagode, contando a sofrida história do nordestino que migra para São Paulo ou criticando nossos próprios hábitos – como ir ao “chopis centis”, satisfazer nossas vontades consumistas (fazendo um crediário nas Casas Bahia) e assistir ao lixo cultural dos filmes hollywoodianos (pegar um cinema, ver o Schwarzenneger e também o Van Damme) – os caras de Guarulhos sempre acertam na receita.

Mais que um belo senso de humor, os Mamonas possuíam uma grande dose de realismo e sabiam como usá-lo em suas composições. Quando rimos de suas músicas, rimos de nós mesmos… Enfrentamos hipocrisias sociais, extravasamos nossas insatisfações. Mesmo que inconscientemente, transgredimos. Afinal, e agora respondendo à pergunta proposta no tema da redação, transgredir é preciso.

E bom… a verdade é que ninguém mais conseguiu explicar tão bem temas prosaicos e aleatórios como a cultura non sense (Débil Mental) ou a astúcia de nossos amigos ‘irracionais’ (Mundo Animal)…

Pena que aquele avião bateu na Serra da Cantareira, no dia 2 de março mais trágico de toda a história cultural brasileira. Faz 11 anos.

“As pombas quando avoam, por incrível que pareça, ficam sobrevoando com seu cu amirando sobre nossas cabeças. Aí vem a rajada de sua bazuca anal… já tem pomba com mira laser, o tiro sai sempre fatal!”

Postado por Débora

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6 Responses to Mina, a transgressora

  1. zeh disse:

    Pena mesmo que estas coisas só façam sentido hoje, pra muitos…na época era puro modismo, talvez muito poucos tenham sabido reconhecer a genialidade em tempo..
    olha isso: (da música “Cabeça de Bagre”
    “Loucura, insensatez, estado inevitável
    embalagem de iogurte inviolável
    Fome, miséria e incompreensão
    O Brasil é “Treta” Campeão

    Quando eu repeti a 5ª série e, tirava ‘e’, ‘d’, de vez enquando C

    Mais de dez mil anos se passaram e: cê, cê, cererê, cê, cê

    A polícia é justiça de um mundo cão
    Mês de agosto sempre tem vacinação
    Na política, o futuro de um país
    Cala a boca, tira o dedo do meu nariz”

    beijao

  2. Cris disse:

    sim, mamonas era incrível. e eu não tinha idéia de como era bom. eu gostava, fui no show e tal, mas só fui perceber de verdade as músicas bem depois.
    mas deh, tu tinha 9 anos, q nem eu. não 7. tsc tsc.

  3. Thiago Morão disse:

    Realmente Mamonas era incrível, mas poucas pessoas entendiam seu sucesso, apenas o consumiam, eu inclusive. Cada vez que você ouve as músicas ou lê as letras percebe algo novo e incrivelmente atual. Mamonas Eternos!
    Mas uma coisa é fato, o sucesso só é tão grande ainda hoje devido à morte deles.

    Só pra constar:
    Minha música preferida é UMA ARLINDA MULHER

    Te encontrei
    Toda remelenta e estronchada num bar, entregue às bebida
    Te cortei os cabelos do sovaco e as unhas do pé
    Te chamei de querida
    Te ensinei
    Todos os auto-reverse da vida
    E o movimento de translação que faz a Terra girar
    Te falei
    Que era importante é competir
    Mas te mato de pancada se você não ganhar!
    (…)

    Abraço

  4. E sabe o que eu lembro? AS professoras e alguns pais proibiram ded tocar Mamonas no recreio da escola. Imagina aquele bando de menininhos e meninhas cantando “já me passaram a mão na bunda e eu ainda não comi ninguém”.

    E sim, eu realmente cantava e não fazia idéia do que significava… nem bem os cabelos do sacuuuuuu, enrola com os do xx… nem os crediários das casas bahia.

    E que saudades que deu. E eu não tinha me dado conta de um monte de coisas que tu colocou nesse post.

  5. Kauê disse:

    eu escutei mamonas nas férias

  6. Natusch disse:

    Tenho que dizer que os Mamonas Assassinas são uma das lembranças mais legais e divertidas que trago dos anos 90. Por exemplo, vão me tirar para louco, mas a letra de “Pelados em Santos” é uma canção de amor até que bonitinha em sua ingenuidade:

    “Mas comigo ela não quer se casar (oxente ai ai ai)
    Na brasília amarela com roda gaúcha ela não quer entrar (oxente ai ai ai)
    Feijão com jabá, desgraçada, não quer compartilhar
    Mas ela é lindja
    muito mais do que lindja
    Véri véri biutifuuuuul
    Você me deixa doidjão!”

    Um rapaz simplório abrindo seu coração e sofrendo por amor. Não é bacana? Mas a melhor letra de todas, para mim, é a de “Lá Vem O Alemão”, sensacional paríodia de pagode, em especial a inigualável segunda estrofe:

    “O amor é uma faca de dois legumes
    a luz anal dos vagalumes
    que ilumina o meu sofreeeeeeeeeer
    E eu ainda sinto o seu perfume
    um cheirinho de estrume
    não tá fácil de te esquecer
    Toda vez que lembro de você
    me dá vontade de bater
    de te espancar, ohhh meu amor
    Só porque ele é lindo, loiro e forte
    tem dinheiro e um Escort
    Como Modess você me trocou”

    Se isso não é genial, não sei o que é. Sério mesmo.

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