Breve tratado sobre a Caverna do Dragão

Tente levantar a questão “alguém aí assistia Caverna do Dragão?” em uma mesa de bar às 4 da manhã (ou às 2 da tarde, ou às 10 da noite, falar sobre desenhos animados é sempre divertido). É difícil encontrar alguma pessoa entre vinte e trinta anos que não tenha parado ou acordado especialmente para acompanhar as aventuras dessa gurizada nas manhãs de sábado e domingo da Globo.

Citando meu professor de história do segundo grau citando o Jack Estripador, vamos por partes:

Criado pela Marvel Films em parceria com a Dungeons & Dragon Corp. o desenho, originalmente chamado de Dungeons & Dragons Cartoon, marcou época ao basear seus episódios em experiências vividas por jogadores de RPG (role plying games) do jogo de mesmo nome. Ao todo foram produzidas três temporadas, somando 27 episódios, exibidos inicialmente pelo canal de TV americano CBS entre 1983 e 1986.

A série começa quando um grupo de amigos vai ao parque de diversões e decide andar em um brinquedo novo, do tipo trem fantasma, chamado de, qualquer semelhança não é mera coincidência, Dungeons & Dragons (seria isso marketing viral estilo anos 80?) e acaba por parar em outra dimensão.

Chegando lá eles são recebidos pelo Mestre dos Magos (Dungeon Master), um velhinho baixinho, cabeludo e misterioso. Ele os ajuda entregando armas mágicas, que servem como defesa contra os perigos do local, entre eles o Vingador, um ditador do mau e com sede de, chutem, vingança, e Tiamat, um dragão de cinco cabeças muito poderoso. Ao receberem essas armadas, cada um dos seis personagens principais adquire também uma classe correspondente as classes do tal jogo de RPG anteriormente mencionado (chega de publicidade gratuita). A partir daí o desenho gira em torno da busca de um jeito de voltar para casa por parte dos nossos heróis. Para quem não lembra (ou não sabe que “heróis” são esses):

Hank (Ranger)- Líder do grupo, recebeu um arco mágico que quando usado cria uma flecha de energia. Loiro, alto e… sem graça. Ou alguém aí tem alguma recordação em especial dele?

Eric (Cavaleiro) – Dono de um poderoso escudo capaz de protege-lo contra raios mágicos de energia e golpes físicos faz basicamente o papel do medroso. Sarcástico e metido à besta, no fundo tem um bom coração.

Sheila (Ladra) – Sua arma mágica é uma capa de invisibilidade, usada para escapar dos perigos ou passar por inimigos sem ser vista. Sempre está por perto para ajudar quando alguém está triste. Também é vista com freqüência em festas à fantasia.

Bobby (Bárbaro)Irmão mais novo de Sheila, ele é o único personagem com a idade definida (10 anos). Apesar da atitude durona não passa de uma criança. Tem um tacape capaz de, além de machucar, causar terremotos.

Diana (Acrobata)Supostamente a mais velha, sua arma é um cajado verde que pode aumentar de tamanho e ser usado como uma vara de saltar.

Presto (Mago) O mágico do grupo. Do seu capuz sai de tudo, menos o que ele gostaria. Tem um episódio em que ele diz algo do tipo “quero que o inimigo desapareça” e acaba com um balde na cabeça. Hilário. Sim, eu adorava o Presto…

Uni, o UnicórnioTá, ele pode não fazer parte da lista inicial oficial dos personagens principais, nem ter muita utilidade, mas ele era tão fofo e um amigão para o Bobby.

O problema é que essa busca nunca teve resultado. Manhã após manhã, sempre quando eles estavam quase lá, pimba, alguma coisa dava errado e o grupo permanecia preso no Reino (nome pelo qual o Mestre dos Magos se referia à dimensão). Ok, até aí todo mundo – que via Caverna do Dragão, obviamente – sabe. Agora, a pergunta que, mesmo após vinte e tantos anos do término da série, não quer calar. Qual foi, afinal, o fim do desenho?

A falta de um término decente (a série foi cancelada no fim da terceira temporada) causou tanta polêmica que começaram a correr pela internet rumores de que havia sim um episódio final, que só não foi ao ar por ter sido considerado pesado demais para crianças. Entre as muitas versões, a que mais deu pano para manga foi a que dizia que os seis heróis morreram e foram para o inferno. Com certeza você já ouviu isso por aí.

Conforme o boato o dragão Tiamat seria um anjo, enviado para dizer que os garotos nunca conseguiriam retornar ao seu mundo. Eles teriam sofrido um acidente fatal na montanha-russa e o que consideravam uma dimensão paralela seria na realidade o inferno. O Demônio, só pela diversão, aparecia por lá ora na forma de Vingador, ora na forma de Mestre dos Magos. Para auxiliar seu trabalho, o Capeta teria ainda a ajuda de Uni, que sempre impedia a trupe (falta de sinônimos) de retornar para a Terra.

O engraçado é que essa história foi tão bem divulgada que pegou. Tem gente que jura de pé junto até hoje que esse foi o final definitivo. Em entrevista à terceira edição da revista Heróis 2000, de 1999, Gary Gyrax, produtor e criador de Caverna do Dragão, declara: “Não há verdade alguma nisso. Nenhum episódio assim foi produzido. Tiamat não é um anjo e nem ajuda de maneira nenhuma“. Já Mark Evanier, um dos roteiristas da série, é mais dramático: “Isto é completamente falso! Apesar de vários finais possíveis terem sido discutidos, nenhum último episódio foi realmente produzido“. Para o escritor Michael Reaves, roteirista de oito episódios da série, não haveria chance nenhuma de uma versão desse tipo ter ido ao ar: “Os garotos não ficaram presos no inferno, nem o Mestre dos Magos é o demônio ou coisa parecida. Essa história toda é absurda“.

Gyrax explicou o que realmente aconteceu: “Em 1985, a equipe responsável pelo desenho se reuniu com os executivos da temporada seguinte. Os seis jovens – mais velhos e mais experientes – seriam chamados de volta ao mundo da Caverna do Dragão pelo Mestre dos Magos. Foram concebidos três scripts do desenho, e eu até aprovei um deles. Mas algumas dificuldades surgiram. A D&D Corp. fechou e a CBS com a Marvel decidiram não continuar mais com o desenho. A nova série foi cancelada antes mesmo de ser produzida”.

Ou seja, nada de teorias conspiratórias ou finais bizarramente macabros. A culpada foi mesmo a boa e velha questão financeira. No entanto, para alegria dos fãs remanescentes da Caverna do Dragão (que espero, ainda existam, se não ninguém chega no fim desse texto) houve sim um último episódio, só que ele ficou só no script.
Com título de “Requiem” a história é ambígua, dando margem para uma possível quarta temporada. Até porque antes das coisas desandarem deslucrativamente para a Dungeons & Dragon Corp havia esperanças de que a série continuasse. Segue o resumo:

“O episódio inicia com os seis garotos enfrentando uma hidra. O Mestre dos Magos aparece durante a briga mas se recusa a ajudá-los, o que causa estranhamento geral. Mais tarde, o Vingador surge e apresenta uma maneira para a turma voltar ao seu mundo: encontrar uma chave escondida e arremessá-la em um abismo. A proposta faz o grupo se dividir em dois (Eric, Presto e Sheila de um lado e Hank, Bobby, Diana e Uni do outro). Após quase morrerem em um vulcão, eles se juntam novamente e encontram a tal chave dentro de um sarcófago com a imagem do Vingador. Ao serem atacados por uma ameba gigante, Eric usa a chave em uma fechadura e salva seus amigos da morte certa. Isso faz o Vingador se transformar em sua forma real (um cavaleiro) e se revela filho do Mestre dos Magos. Com o vilão libertado, os garotos ganham a opção de voltar para seus lares. O episódio termina sem o espectador saber se eles retornaram ou não para a Terra”.

Se você ficou curioso para ler o script inteiro ou revoltado com o final bonzinho não se preocupe, poupá-lo-ei de uma pesquisa no Google. Esse é o link do texto em português (tradução não garantida). O original e a versão lenda urbana eu fico devendo.

Postado por Paula

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13 Responses to Breve tratado sobre a Caverna do Dragão

  1. Natusch disse:

    O Mestre dos Magos tinha barba? o.O

    E eu nunca gostei do(da) Uni. Bicho chato, só sabia fazer um “béééé” que mais parecia coisa de cabrito =\

  2. Débora disse:

    O mestre dos Magos definitivamente não tinha barba! Ele tinha cabelo e costeletas compridas… e eu tb nunca achei o uni fofo.

  3. paulabianchi disse:

    Ops, era pra ser cabeludo…

  4. dani.si disse:

    eu gostava do loirinho, achava ele bem gatinho… olhos azuis, cabeludo, uma voz rouca… tinha até ciúmes da sheila…

  5. Pelo amor de deus! Achei esse blog através de um link numa página do curso de jornalismo da UFRGS. Mas deve estar errado, só pode estar errado. Eu não acredito que isso possa ter sido escrito por um futuro jornalista. O tema é interessante; aliás, foi interessante há uns 10 anos atrás. Hoje em dia já está um tanto ‘batido’.

    Outra coisa, minha amiga, tu nunca aprendeu que o jornalismo preza pela praticidade e objetividade? Então, períodos de 5 linhas não ajudam nem um pouco pra isso. Nietzsche é até amissível que faça isso. Mas um blog, ainda mais um blog de ‘cultura pop’ que por definição deveria ser bastante ‘acessível’.

    Confesso que não tive coragem nem de olhar os outros posts. Mas se forem todos dessa dimensão e assintéticos eu só tenho a lamentar.

    Espero que sirva como uma crítica construtiva. Mas se quiserem continuar assim, bem, boa sorte; o blog é de vocês e têm o direito de escrever o que bem entenderem, só não se impressionem se ocorrer uma debandada de leitores.

  6. Natusch disse:

    Das duas, uma: ou o rapaz-sem-nome tem um senso de humor bastante peculiar ou é mais um dos entusiastas dos posts tipo “minha-vida-hoje-em-15-palavras” que é incapaz de digerir qualquer coisa diferente. E certamente não manja NADA de jornalismo.

    Caso não tenha entendido, rapaz-sem-nome, o blog em questão é um resgate da cultura pop não-tão-distante, com objetivos inclusive históricos – ou seja, é admissível no caso que os posts sejam um tanto prolixos. Ou talvez tu pense que dava para falar da lenda do capítulo final do Caverna do Dragão dizendo “falaram que era isso, mas não era” e mais nada…

    Tu tem razão, isso é um blog – UM BLOG, não um jornal impresso tipo hard news ou, pior ainda, essas revistinhas metidas a “underground-cool-hyde-descoladas” que são distribuídas de graça por aí, com milhões de fotos e colagens e nenhum texto que preste. Me recuso até a digitar aqui o nome desse tipo de abominação impressa. Um blog NÃO É JORNALISMO, caso tu não tenha percebido a obviedade – ou que tu seja tão obtuso que não consegue entender que uma pessoa que faz jornalismo não é obrigada a ter objetividade jornalística 100% do tempo. E se tu acha que “obtuso” é uma palavra difícil demais para um comment de blog, procura um dicionário.

  7. Natusch disse:

    Pseudo-errata:

    “Das duas, uma: ou o rapaz-sem-nome tem um senso de humor bastante peculiar ou é mais um dos entusiastas dos posts tipo “minha-vida-hoje-em-15-palavras” que é incapaz de digerir qualquer coisa diferente. E certamente não manja NADA de jornalismo”.

    Depois de acessar o “blog” do rapaz, aposto todas minhas fichas na opção 1 =P

  8. dinho disse:

    gostaria qe vcs fizessem a nova serie da caverna do dragão pois tenho 28 anos e sou um fã natico

  9. Paula disse:

    Bah dinho, tu me pegou. Tem uma nova série da Caverna do Dragão?

  10. Fred disse:

    Só aparece louco aqui ¬¬

  11. mariu disse:

    o mestre dos magos sempre foi meio macabro !e a uni era uma filhad a puta chata e boilinha!e achu ki ela era o grande vilao da historia………hjuahuahuhauhaa

    fodas

  12. lucrezia disse:

    deixem de criticar o blog, se nao gostam, fazam o de voceis, pra mim sta demais. E eu tenho muita saudade de caverna do dragao, pra mim nao e um sitio de loucos, e un sitio e artistas e creadores. E demais imaginar uma nova posibilidade no final da caverna. Adorei tudo..bye

  13. Paula disse:

    Valeu, Lu. Bom saber que tem gente acompanha e gosta do blog. =)

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