Super-Homem: a entrevista

Há um tempo atrás, bem antes da crise da aviação, quando as pessoas (com fundos, obviamente) planejam idas e voltas sem intervalos de uma semana um pessoal meio fora da casinha resolveu ir para o alto e avante, fazendo aquilo que alguém tinha que fazer. Graças ao falecido endereço virtual “Acidente Genético” tivemos acesso ao homem por trás da máscara, quer dizer, debaixo dos óculos, em uma entrevista histórica, que só não revela o porquê da fascinação de super-heróis com cuecas por cima da calça.

A redação do AG já não existe, assim como boa parte dos sites criados no começo dos anos 2000, mas os seus textos persistem, nem que seja em arquivos txt guardados por adolescentes desocupados.

A geração dos computadores instalou um verdadeiro caos no mundo dos mocinhos e bandidos. Hoje em dia, existem milhares de heróis espalhados pelo mundo ou reunidos em uma mesma história. Os velhos heróis, vítimas do avanço tecnológico, viram-se ultrapassados por novos personagens cada vez mais bem equipados.

Mas, quando o orgulho é imbatível, não há força capaz de afastar um autêntico super. Mais retrô que caixa de Maizena, mais rápido que um trem e mais forte do que vinte homens reunidos, ele ainda é o homem de aço. E, para comprovar esta verdade vinda de Kripton, nossa equipe de reportagens foi até Nova York entrevistar nada menos do que…

SUPER-HOMEM!

O homem do saco de aço

superman-sentado.jpg

Nossa equipe de reportagens rodou durante várias horas pelo Brooklin, até encontrarmos o apartamento de nosso entrevistado que, diga-se de passagem, foi identificado por uma roupa de Super-Homem pendurada no varal.

Fomos recebidos por um Clark Kent ainda forte, porém abatido. Ele pediu que nos acomodássemos e, com a mão em concha sobre a boca, saiu da sala, chamando pelo Super-Homem (ele insiste em manter sua identidade secreta). Mal se passaram dois minutos e a parede ao nosso lado veio ao chão. Entre a poeira levantada, alguém perguntou:

É um avião terrorista?

É um pássaro muçulmano?

Não, é o Super-Homem!

Ficamos atônitos.

Desculpem o susto, a minha intenção era entrar pela janela, mas ando sofrendo de labirintite. Ah pôs dois dedos na testa Clark pediu desculpas mas não pode voltar, teve um compromisso de última hora.

Entreolhamo-nos.

Já assentados, ligamos o gravador. A sala onde estávamos era pequena, mas tinha uma linda vista para a cidade, devido ao buraco na parede. Espalhados pelo chão, havia alguns almofadões, várias revistas pornôs e uns quarenta e sete tijolos.

AG: Estamos felizes em saber que você continua na ativa, mesmo sabendo que seus velhos amigos aposentaram-se. Você pensa em parar?

SH: Jamais, jamais. A mim, foi dada a missão de salvar a Terra da destruição.

AG: Mas você não acha que tem herói demais na jogada?

SH: Essa é a destruição. Mas estes novatos não são de nada!

AG: Porém, são muito bem equipados. Veja as Meninas Super Poderosas, por exemplo. Elas voam, lançam raios, brincam de boneca …

SH: Grandes coisas. O Batman também era super equipado. Certo dia, a barriguilha da calça dele enguiçou e ele se borrou todo!

AG: Por que?

SH: Porque não tinha um simples alicate no cinto de utilidades.

AG: Quais são os problemas que você enfrenta, hoje?

SH: Muitos, muitos. A falta de cabines telefônicas é um deles. Se alguém grita por socorro, onde vou me trocar? Debaixo de um orelhão?

AG: Mas você deve ser admirado pelas mulheres, não?

SH: O quê? Outro dia quase fui linchado por uma passeata de feministas. Gritavam: ‘machão! machão!’.

AG: A desvantagem para vocês, da velha geração, é que a maioria dos novos heróis sabe voar.

SH: Por isso, não! Quer uma demonstração?

Ele se levanta, solta um gemido de dor e leva as mãos na altura dos quadris.

AG: Reumatismo?

SH: Não, ferrugem.

Assenta-se novamente.

AG: Como vai o restante de seus superpoderes?

CONTINUA

Após ter acesso ao resultado de várias pesquisas de última geração, entre elas o famoso método paulista de avaliação pré-leitural “Será esse um post que até o Douglas tem coragem de terminar?”, e de relembrar o misto de sentimentos que a frase “To be continued” traz à tona decidimos dividir a presente entrevista em duas partes. Não se preocupem, Clark Kent/Kal-El — ou o que restou dele — volta logo, mais especificamente daqui duas ou três voltas no globo terrestre. Sacomequié, exercício de super-herói.

Postado por Paula

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