Prison Break: perdendo-se atrás das grades

A melhor série da atualidade. Uma resenha sobre o seriado Prison Break poderia resumir-se a apenas esta frase e seria absolutamente precisa e correta. Se fosse escrita há duas temporadas atrás. O fato é que, após uma primeira temporada fantástica e uma segunda muito boa, Prison Break vai deixando de ser o melhor seriado da televisão norte-americana.

No primeiro ano da série, o foco era a vida dentro da penitenciária, bem como o plano mirabolante de Michael Scofield para tirar o irmão de dentro da prisão. Acompanhar, semana a semana, todos os passos de Scofield para escapar da cadeia era uma ótima premissa, que foi muito bem explorada nos primeiros 22 episódios. Além disso, a interação entre os personagens foi trabalhada de forma cuidadosa e convincente. Para completar, ao passo que o plano de fuga era executado, surgiam as primeiras pistas e detalhes de uma grande conspiração que havia sido responsável por colocar Lincoln Burrows, o irmão de Michael, na prisão.

A segunda temporada contou a história dos fugitivos após escaparem do centro de detenção de Fox River. O plano de Scofield continuava, incluindo, desta vez, tentativas de limpar o nome do irmão e uma fuga para o Panamá. Novos personagens foram incluídos e outros, antigos, ganharam mais destaque. Os episódios eram recheados de suspense e de reviravoltas. Quando parecia que tudo se acertaria, acontecia um novo revés. E assim foi até o fim, quando Michael Scofield acaba preso mais uma vez. A série começava a se tornar um tanto repetitiva, mas ainda não chegava a perder o pique. Estava longe do sucesso absoluto da primeira temporada, mas continuava deixando o espectador ansiosíssimo pelo capítulo seguinte.

O modo como as coisas terminaram na segunda temporada e os rumores sobre o futuro do seriado levavam a crer em uma terceira temporada promissora. Scofield estava preso outra vez e teria que usar a cabeça novamente para bolar um jeito de escapar. A dinâmica do interior de uma penitenciária, elemento tão importante no início da série, voltaria a ter destaque. Seria um retorno às origens. Apimentado por alguns novos fatores, como, por exemplo, o reencontro de Michael com alguns de seus velhos conhecidos dentro da nova prisão e o fato de que esta, localizada no Panamá, é controlada pelos próprios presos — os guardas só ficam do lado de fora.

A nova temporada estreou no último dia 17 e já está em seu quarto episódio. Por enquanto, tem apresentado os mesmos elementos que consagraram a série: o suspense, o clima de conspiração, a intensidade, as reviravoltas e os sempre mirabolantes planos de Michael Scofield. A volta ao ambiente da prisão, por sua vez, é uma opção interessante, trazendo um conceito que já deu muito certo na série e dando-lhe um tratamento renovado — já que as coisas na penitenciária panamenha são muito diferentes de Fox River — e a premissa da fuga de um local que parece à prova de fugas é sempre instigante.

O grande problema é que essas premissas não vêm sendo tão bem desenvolvidas quanto no início da série. Nos quatro primeiros episódios desta terceira temporada, muito pouco acontece. Surgem algumas perguntas não tão relevantes e uma ou outra resposta que não chama tanta atenção. Pouquíssimos detalhes do plano de fuga são definidos. Algumas situações são mal explicadas ou resolvidas de maneira simplista. E a série vai se tornando cada vez mais previsível. Os personagens sempre agem conforme se imagina que agiriam. O trabalho dos próprios atores parece desgastado, mais do mesmo. As coisas continuam no esquema “parece que vai dar tudo certo, depois parece que vai dar tudo errado e, no final, dá-se um jeito de maneira alternativa” — isto é, até o próximo grande problema. Assim, o telespectador passa a esperar o inesperado e a perder o interesse em acompanhar o desenrolar das situações, já que o final é, na maioria das vezes, basicamente o mesmo.

Pra piorar, o elenco de Prison Break sofreu, recentemente, uma baixa importante. A atriz Sarah Wayne Callies, que interpretava a médica Sara Tancredi — interesse romântico de Scofield —, abandonou a série por causa das dificuldades em conciliar sua gravidez e as gravações do programa. Isso levou os produtores da série a alterarem parte da trama da terceira temporada, que já não havia sido tão bem planejada quanto as duas primeiras — a série foi concebida originalmente para ter apenas duas temporadas.

Não é de se admirar que a audiência do seriado esteja caindo tanto nos Estados Unidos. Talvez a decisão de estender Prison Break por — no mínimo — mais uma temporada não tenha sido a mais acertada. Dito tudo isso, vale ressaltar que a série continua boa. Só não chega aos pés do que já foi. Os fãs mais ardorosos devem continuar acompanhando e divertindo-se com o programa, justamente porque seus principais chamarizes continuam lá. Agora, resta a eles torcer para que os planos dos produtores de Prison Break sejam como os do protagonista do seriado. Quando parece que as coisas vão dar muito errado, elas acabam por se ajeitar — pelo menos por um tempo.

Postado por Kauê

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: