Uma questão de Linguística

cebolinha.jpgcebolinha.jpgcebolinha.jpgA leitura de gibis na infância dos brasileiros é dividida basicamente em duas tendências: Disney e Maurício de Sousa. Existem os que gostam dos dois e os que não suportam um ou outro. Mero gosto pessoal. Eu não suportava a Turma da Mônica.

Mesmo assim, é difícil não ter um contato com as histórias do desenhista brasileiro. Seus personagens – quase sempre humanos – viviam as mesmas sagas que boa parte da gurizada. Fazer e sofrer gozações, odiar banhos, falar errado, ter um bichinho de estimação, um amigo gênio e um primo caipira. Quem nunca passou por uma, ou várias, dessas situações? Mas peraí… falar errado?!!

É isso mesmo. Um dos integrantes da turma, o Cebolinha, é conhecido por ser um menino de cara de bolacha, blusa verde, cabelos espetados e uma incrível dificuldade de falar o R. No entanto, sua língua “plesa” não o impede de bolar planos infalíveis – juntamente com seu fiel escudeiro Cascão, o cara que não gosta nem de ver água – para roubar o coelhinho da Mônica dentuça.

O que poucos sabem é que o Cebolinha – que hoje já não é mais nenhum jovem, o piá nasceu em 1960! – não é fruto da mente criativa de seu autor. Cebola era, de verdade, um amigo que Maurício de Sousa tinha quando era criança, lá em Moji das Cruzes (SP). O personagem teve sua revistinha própria lançada em 1973, e já participou de filmes e desenhos animados, como todo o resto da sua turminha.

Nos quadrinhos, Maurício de Sousa faz questão de salientar as palavras “erradas” que o seu amigo Cebolinha diz, colocando-as sempre em negrito. Com finalidades pedagógicas ou não – afinal, escrever certo também faz parte da infância de quase todo mundo –, pelo jeito ele não está nem aí para a lingüística (ou tem algum convênio com uma clínica de fonoaudiologia).

A ligação pode parecer um pouco estranha, mas quem já teve algum contato com as teorias do lingüista suíço Ferdinand de Saussure sabe do que eu estou falando (lingüistas, não me matem!). Simplificando bastante, essa corrente defende que o importante não é seguir as regras da gramática a risca, mas se fazer entender – é mais importante o significado que o significante. Ou seja, se você que comprar um bujão, botijão ou butijão de gás, não importa! Se você está com um poblema, ou probrema, ou até um plobrema, tanto faz! O que interessa é que os outros te entendam – e que, no caso, que você se livre da pendenga.

Se tudo isso faz sentido ou não, confesso que não tenho muitas certezas. Nunca fui muito adepta da teoria de que a linguagem oral deve reger a escrita, senão um dia ninguém mais se entende. Mas, de qualquer modo, a verdade é que o “falar errado” do Cebolinha nunca atrapalhou suas brincadeiras e a sua comunicação, e nem ninguém deixou de entender o que ele dizia, mesmo faltando o maldito R.

Postado por Débora

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: