Cegueira na tela

Se pode olhar, veja. Se pode ver, repara“.
Ensaio sobre a cegueira, José Saramago

Há muito tempo atrás (1997) um jovem cineasta, pós-arquiteto, pós-publicitário e mais pós umas coisinhas sonhou em adaptar para o cinema um livro que tinha recém lido, mas que o havia impactado tanto que entrou rápido para o roll dos seus favoritos: Ensaio sobre a Cegueira, de ninguém mais, ninguém menos que José Saramago, o homem dos parágrafos eternos e que não conhece travessões:. Frentes as negativas veementes do autor ele se deu por vencido, “absorveu o tranco” e foi cuidar da vida, no caso Cidade de Deus. O jovem cineasta virou um baita cineasta, fez o Brasil e o mundo dizerem Dadinho o #$%&, meu nome é Zé Pequeno e mostrou uma África diferente da tradional “África dos meus sonhos” hollywoodiana com O Jardineiro Fiel. Ironicamente, quase dez anos depois, em 2006, o então prestigiado diretor Fernando Meirelles recebeu um e-mail de um produtor desconhecido, perguntando se ele já havia lido Saramago e se teria interesse em uma adaptação de um dos seus romances. Levado pela curiosidade, ele aceitou ler o roteiro em inglês. Era Blindness, o Ensaio Sobre a Cegueira. Essa história toda, mais a barra pesada que é filmar um livro do quilate de “Ensaio sobre a Cegueira”, ainda por cima com o autor vivo e ainda, ainda por cima com o autor sendo o Saramago e outras picuinhas são contadas post a post no blog Diário de Blindness. Escrito pelo próprio Meirelles, entre uma gravação e outra, ele vale a pena não só pela sinceridade do diretor, que desabafa com o público com frequência (E quer saber? Se numa cena destas alguém ficar olhando para o fundo da sala para procurar erro de continuidade, merece encontrar. Um baita esforço deste para nêgo vir dizer que não gostou do filme porque o barbudinho atrás da Julianne desapareceu no segundo contraplano? Give me a break!), mas pela própria qualidade do texto, escrito de forma leva e descontraída. Além disso, fiscalizar os bastidores e saber dos detalhes da produção é sempre divertido, afinal se é para filmarem Ensaio sobre a Cegueira que filmem direito – medo de livros passados para o cinema. De qualquer forma fica a dica, a única restrição é para quem não leu o livro e tem medo de spoilers (pedaços da história revelados), já que volta e meia acaba aparecendo algum fato mais revelador.

Postado por Paula

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One Response to Cegueira na tela

  1. Clarice disse:

    Faltou só dizer que o Fernando Meirelles era o Valdeci. Sacam?

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