Ih! Nojento! Tchã!

– Ô da poltrona! Se ajeita que o post de hoje tá demais, viu psit?
– Cacildis! Não é que o Cowabanguis lembrouzis da gentis, rapaziada? Isso merece uma comemoraçãozis regadis a mé!

– É verrrrdaaaaaadi! cuuuz-cuz-cuz-cuz-cuz-cuz (onomatopéia da risada do Zacarias)

Impossível não se lembrar desse jeito de falar e não ficar emocionado. Afinal, eles já foram considerados o maior grupo humorístico que já existiu na televisão brasileira. E vamos ser francos: dão de lavada no pessoal do Casseta & Planeta, sem apelarem para preconceitos.

Já fazem treze anos que o grupo praticamente se desfez – afinal, sem o Zacarias deu pra se tentar algo, mas sem o Mussum, não é a mesma coisa – e depois desse tempo, chega a ser triste os rumos tomados pelos artistas remanescentes. Quem nasceu na década de 80 ainda lembra de alguma coisa do grupo; mas certamente, quem nasceu a partir de 1994 não deve se recordar de nada dos Trapalhões, que sempre faziam meus domingos mais alegres, depois de ver o Senna vencer mais um GP e aguardando pelo próximo filme do Indiana Jones na clássica Temperatura Máxima.

Tudo começou ainda na década de 60. O grupo se chamava Os Adoráveis Trapalhões, e era completamente diferente do que se tornou mais tarde, sendo transmitido na TV Excelsior. Ted Boy Marino, Ivon Cury e Wanderley Cardoso faziam parte do elenco. Apenas Renato Aragão (que já interpretava Didi Mocó) estava na equipe que mais tarde faria sucesso (deve ser por isso que ele se acha o trapalhão mais importante e engraçado. Tudo bem, há tempo para criticá-lo).

Mas e os outros? Bem, Manfreid Santana ainda era um artista de circo que tentava carreira na televisão; Antônio Carlos Bernardes Gomes era sambista e tinha um grupo, Os Originais do Samba. Alguns diretores da Globo, na época, tentaram transformá-lo em humorista, mas o músico se recusou, dizendo que pintar a cara não era coisa de homem (na época, os humoristas da TV pintavam o rosto); E Mauro Gonçalves era um artista de rádio e imitador de animais, tentando também entrar na TV, apesar de sua timidez.

Um pouco antes de 1975, Didi conhece Dedé e formam uma dupla, que chega a lançar um filme. Foge-me o nome do mesmo agora. Mas me lembro de uma cena onde Didi pula o muro de um hotel para se engraçar com uma garota à beira da piscina. Finge ser um vidente que pode ler as mãos e acaba conquistando a garota. Como em todo filme, ela tem uma amiga que conhece Dedé e… ah, vocês sabem como tudo isso termina!

Mas voltando aos Trapalhões. Em 1975, na Record, os Adoráveis Trapalhões se dissolve. Já se tem a base Didi-Dedé. Mauro Gonçalves, agora um humorista conhecido na televisão, é convidado a participar do projeto. Sua alcunha Zacarias também já é bastante conhecida. De acordo com o ator, Zacarias era um galo que ele tinha na infância.

Mas falta um integrante. Aquele que o Grande Otelo teria dado o nome de Mussum. Antônio Carlos Bernardes Gomes! Chamado para o programa, novamente o “homi do mé” recusa-se a ir para a TV. Mas por sorte, Dedé o conhecia e fez um apelo. Foi o suficiente para que os Trapalhões finalmente surgissem.

Pois agora pensem: na década de 70, qual emissora de TV era a mais importante do país? Globo. Um artista se consagra na Globo. E como os Trapalhões conseguiram contrato com a Globo? Bem, qual o programa mais conhecido de domingo na emissora? Fantástico. Pois adivinhem: o grupo batia o Fantástico na audiência de domingo à noite. Foi o suficiente para a Globo contratá-los.

Durante quinze anos, foi sucesso atrás de sucesso: filmes, shows (até mesmo internacionais), histórias em quadrinhos e discos foram lançados com a marca do grupo. A cada ano, mudava o diretor do programa. E o mais importante: alguns artistas coadjuvantes eram fundamentais. Foi daí que surgiram o Sargento Pincel (que me dava medo), o Tião Macalé (Ih! Nojento! Tchã!) e o Jorge Lafond (sim, a Vera Verão). Mas não pára por aí: alguns atores começaram a fazer carreira participando de Trapalhões. Sérgio Mallandro e Cláudio Heinrich são provas disso.
São muitos os episódios inesquecíveis, sendo quase impossível lembrar da maioria deles. Lembro de um quando Jorge Lafond estava no elevador de um prédio, vestido de Carmem Miranda, com várias frutas na cabeça. Sempre que podia, Didi roubava uma fruta para comer. Hilário!

Mas com a fama, vem também a queda. E em 1990, uma embolia pulmonar levou Zacarias. Logo ele, com uma voz estranha e uma risada tão engraçada, se foi. Seu jeito era cômico e a peruca também. Sem ele, o grupo perdia muito do humor. Sua morte chocou muita gente, principalmente crianças da época. Eu demorei para entender o que havia acontecido com ele, chegava até a perguntar para meu irmão e meus pais o que havia acontecido com o Zaca, tentando descobrir um motivo para seu desaparecimento do programa.

Seguiu-se adiante, com quadros divididos e o surgimento de uma vila, onde Didi vivia nas ruas com uma atriz mirim, a Tininha (vivida por Alessandra Aguiar, aquela que comemorou um “desaniversário”). Mas mais uma vez o destino foi cruel, e em 94, após complicações em um transplante de coração, Mussum partia dessa para melhor. Justo Mussum, com seu jeito engraçado de falar, de ser, de caminhar, de viver.

A partir daí, não houve mais sentido continuar com os Trapalhões, e o próprio Didi ficou anos sem atuar, apenas seguindo como embaixador da Unicef. Dedé, então, simplesmente desapareceu. Vez em outra voltavam a conversar, mas muito raramente. Até que Didi decide estrear um programa infantil que levava seu nome na Globo, completamente diferente do jeito que o ator começara em seus quase 50 anos de carreira televisiva.

Agora, os contras e a opinião. Renato Aragão carrega até hoje os direitos autorais dos Trapalhões. Esse é claramente um dos motivos da sua briga não só com Dedé Santana, mas também com os familiares dos outros humoristas. Dedé passou um bom tempo longe da televisão, sem que as emissoras se interessassem por suas idéias. Apareceu uma ou outra vez na Escolinha do Barulho – claramente um plágio da idéia de Chico Anysio – como professor na Record no final dos anos 90. Só retornou agora com o programa Comando Maluco, que convenhamos, não é um primor.

Já os familiares de Mussum chegaram a processar Renato Aragão. Há quem diga que os mesmos familiares chegaram a passar fome por não terem direito a nada sobre a marca Trapalhões ou do personagem Mussum. O mesmo com os familiares de Zacarias, que até hoje tentam processar a emissora.

Tião Macalé e Jorge Lafond também se foram, e o Sargento Pincel está no atual programa de Didi. Dedé segue no Comando Maluco. E Didi? Bem, ele só tem a Renato Aragão Produções, é embaixador da Unicef e tem um programa na Globo. Só.

Um triste fim para aquele grupo que tanto me fez rir nas tardes de domingo. Só mesmo um mé para ajudar.

Postado por Fred

Anúncios

One Response to Ih! Nojento! Tchã!

  1. Natusch disse:

    Acho que o quadro dos trapalhões que mais me marcou foi um com o zacarias e o didi. Zacarias vestido como uma menininha, didi como o pai da mocinha, e cantam uma musiquinha inesquecível e muito engraçada. Eu não lembrava de tudo, mas uma consulta ao Super-Google reavivou minha memória e, bem, lá vão alguns trechos:

    – Papai, eu quero me casar!
    – Ô, minha filha, você diga com quem?
    – Eu quero me casar com o padeiro!
    – Com o padeiro você não casa bem!
    – Por quê, papai?
    – O padeiro mete muito a mão na massa…
    – É???
    – E depois vai amassar você também!!!
    – Aaaaah, não quero, não!

    – Papai, eu quero me casar!
    – Ô minha filha, você diga com quem?
    – Eu quero me casar com o economista!
    – Com o economista você não casa bem…
    – Por quê, papai?
    – O economista mexe muito na poupança!
    E depois vai mexer na sua também…
    – Aaaaaah, não quero, não!

    – Papai, eu quero me casar!
    – Ô, minha filha, você diga com quem
    – Eu quero me casar co’ Marlon Brando.
    – Com o Marlon Brando você não casa bem!
    – Por quê, papai?
    – O Marlon Brando “manteigou” a Maria Schnaida
    e depois vai “manteigar” você também…
    – Aaaah, não quero não!

    E o gran finale, simplesmente sensacional:

    – Papai, eu quero me casar!
    – Ô minha filha, você diga com quem?
    – Eu quero me casar com o Ney Matogrosso!
    – Ney Matogrosso? Aí você casa bem!!
    – Mas é, papai?
    – Ney Matogrosso vira homem e lobisomem!
    – É???
    – Mas, quando é homem, não faz medo pra ninguém!!!

    Trapalhões era muito massa. Se bobear, era tão bom quanto o Chaves!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: