Vida. Morte. E vida outra vez.

Pushing Daisies

Aventura. Drama. Romance. Mistério. Comédia. Ação. Fantasia. Tudo isso está presente em Pushing Daisies, aclamada nova série da rede de TV norte-americana ABC. A recém no quinto episódio, o seriado já é sucesso de público e crítica, considerado por muitos como o melhor da nova safra. Inclusive, recebeu há alguns dias o aval da ABC para que seja produzida uma temporada completa.

Pushing Daisies conta a história de Ned, um fazedor de tortas, possuidor de um dom peculiar: ressuscitar os mortos com um simples toque. Mas há regras bastante rígidas quanto ao uso de seu poder. Se Ned toca o ser ressuscitado novamente, este morre outra vez. Para sempre. Além disso, o desmorto só pode ficar um minuto de volta ao mundo dos vivos. Ou alguém que esteja próximo morre em seu lugar.

Um detetive particular, Emerson Cod, descobre o poder do fazedor de tortas e convence-o a ajudar na resolução de casos de homicídio. Ned traz as vítimas de volta a vida por um minuto, para que sejam interrogadas, e depois lhes devolve ao sono eterno. Por um acaso do destino, um dos assassinatos investigados é o de Charlotte “Chuck” Charles, amor de infância do fazedor de tortas. Ele revive-a, mas não é capaz de criar coragem para tocá-la mais uma vez. Resultado: Ned mantém Chuck viva, mas os dois nunca mais poderão se tocar.

É, definitivamente, um seriado original. Claro, há inúmeras histórias de detetive por aí. Mas qual outra delas envolve um romance no qual o toque é “proibido”? (Aliás, essa situação me lembra o refrão de uma música do Grupo Revelação). Pushing Daisies é diferente de qualquer outra coisa que você já viu, eu garanto. Um tão necessário sopro de criatividade no mercado norte-americano de séries de TV, cada vez mais saturado de formulismos e “mais do mesmo”.

Criado por Brian Fuller, ex-co-produtor executivo de Heroes e criador de Dead Like Me (aparentemente, Fuller gosta de pessoas mortas), o seriado abusa do realismo fantástico e de um (às vezes não tão) sutil humor nonsense (Douglas Adams, alguém?). Por se tratar de algo tão original, fica realmente muito difícil definir Pushing Daisies. Encontrei na Internet, um texto que se refere à série da seguinte forma: “como seria Tim Burton sorrindo”. Creio que essa é uma visão muito interessante e acurada das desventuras do fazedor de tortas. Mas eu, particularmente, prefiro dizer que Pushing Daisies é uma mistura de história de detetive, conto de fadas e comédia romântica. Com uma (generosa) dose de Tim Burton.

O seriado conta com uma grande carga de humor negro. Apesar de lidar com a morte, o tom é quase sempre leve, divertido, despretensioso. Não há espaço para enrolação. As coisas acontecem na medida em que devem acontecer. Os personagens são carismáticos e bem trabalhados. Os diálogos, extremamente inteligentes. As situações, bizzarras, inusitadas. E a cereja do topo é, sem dúvidas, a narração, que dá o toque final de surrealismo e excentricidade. No final das contas, Pushing Daisies é uma série que faz sorrir.

Em terras tupiniquins, os direitos de exibição foram adquiridos pela Warner, que promete estrear a série no ano que vem. Só espero que não inventem de traduzir o título. Pushing Daisies significa algo como “empurrando margaridas (de dentro do túmulo)”. Uma expressão mais ou menos equivalente a “sete palmos debaixo da terra” ou “morto e enterrado”. De qualquer forma, não perca por nada neste mundo.

Postado por Kauê

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