O holocausto em quadrinhos

Primeira página:

Um garotinho vai chorando falar com o pai. Tinha caído ao chão brincando de pega pega e os amigos o abandonaram. O pai resmunga, com o sotaque carregado de um velho judeu vindo da Polônia – ‘Amigos? Seus amigos? Se trancar eles em quarto sem comida por uma semana, ai ia ver o que é amigo!’

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Através de desenhos sem cor, com traços firmes e secos, Art Spiegelman conta, no livro Mausa história de um sobrevivente a história de seu pai, Vladek Spiegelman, judeu-polonês que resistiu aos campos de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho. A falta de enfeites se faz presente da caracterização dos quadrinhos da imagem de Vladek, retratado como um homem valoroso e destemido, mas também sovina, racista e mesquinho. Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas como gatos; poloneses não-judeus são porcos e norte-americanos, cachorros; e, como definiu o jornal The Times, são todos terrivelmente humanos. A história vai desde a juventude e o casamento de Vladek, na Polônia antes da guerra, até o confinamento e a queda do Reich.

O traço mais marcante de Maus (“rato” em alemão) é a sinceridade. Spiegelman descreve a brutalidade do Holocausto sem procurar teorizar os motivos ou amenizar as situações. Apesar de se colocar como personagem, o autor consegue evitar o sentimentalismo e chega a interromper a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações.

Publicado originalmente em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991, a obra atraiu a atenção de um grande público, saindo do gueto de leitores de quadrinhos e tornando-se fenômeno de crítica e vendas. O reconhecimento maior veio em 1992, quando ganhou o prêmio Pulitzer especial e uma exposição no Museu de Arte Moderna em Nova York. Independente da repercussão que teve, grandes histórias são grandes histórias, estejam elas em livros, quadrinhos, filmes ou desenhos, e Maus é, sem dúvida, uma história gigante.

Em tempos de feira do livro, o serviço:

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Maus – A História de um Sobrevivente (versão completa, em português), Art Spiegelman, Editora Companhia das Letras, 296 páginas, cerca de 40 reais.

Postado por Paula

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