Heil, Disney!

Quem tem alguma noção de Teoria da Comunicação sabe que veículos como a televisão, cinema e rádio começaram a virar fortes armas para a propaganda política, ideológica e governamental no período entreguerras (nunca sei como se escreve essa palavra, se for com hífen, por favor, me corrijam). Os regimes totalitários da Europa foram quem mais se aproveitaram desses meios para propagarem suas idéias. Até porque os canais de televisão e emissoras de rádio européias eram controlados pelo Estado – e isso perdura até hoje, basta analisar a BBC, RAI e outras –, enquanto nos Estados Unidos, o caráter desses meios de comunicação eram privados.

Só que durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA também usaram os meios de comunicação contra as forças do Eixo. Um dos recursos visava a demonstração de como funcionava a Alemanha nazista para as crianças. E qual o melhor artifício para tanto? Os desenhos animados. E aí, praticamente todos os estúdios norte-americanos se juntaram para a causa.

A Warner Bros fez desenhos do Patolino na guerra, e foi um pouco mais discreta. A Disney, sim, mergulhou de cabeça. Um desenho que na época causou certa discussão foi um que não envolvia nenhum personagem conhecido. Ele recebeu o título Hitler’s Children (As Crianças de Hitler) e mostrava o processo de educação que uma criança alemã recebia dos nazistas. Claro que havia um certo exagero, mas o fato é que o país estava em guerra. Certamente os desenhos apostavam no tudo ou nada. Segue abaixo o vídeo de Hitler’s Children:

Após o seu lançamento, alguns intelectuais e militares notaram que o vídeo poderia revelar um sentimento colateral. Como a democracia era representada por uma bruxa e o cavaleiro era representado por Hitler, as crianças poderiam interpretar que a democracia era ruim e Hitler era o herói da história. Outro ponto era que o filme generalizava todo o povo alemão como adepto do partido nazista, quando nem todos os habitantes da Alemanha na época concordavam com o regime totalitário. A Disney decidiu confiscar todas as cópias do filme e queimá-las. Claro que algumas se salvaram e hoje podem ser facilmente vistas na internet, como no caso do Youtube.

Outro desenho que merece destaque é o Donald Duck – Der Fuehrer’s Face (O Pato Donald – A Face do Führer), produzido em 1943. Nele, Donald é um trabalhador alemão que vive as agruras do regime totalitário. É claro o conceito de totalitarismo que o filme quer passar: as copas da árvore, o alto dos postes de luz, o cuco, praticamente tudo lembra o regime nazista. Também é engraçada a forma como o desenho retrata a admiração dos nazistas a Hitler, na parte onde aparecem várias fotos do ditador e Donald faz a saudação a cada um deles.

Ao final, Donald vai à loucura e acorda, notando que tudo não passava de um sonho. Ao olhar para a janela, vê uma miniatura da Estátua da Liberdade e a abraça, num patriotismo exacerbado, mas necessariamente alimentado por causa da Guerra. Abaixo, o desenho:

O mais curioso é que, com esse desenho, a Disney ganhou um Oscar (o de melhor animação) em 1943.

Outro fato curioso é que os gibis e desenhos da marca foram proibidos nos países totalitários europeus, com exceção de um: a Itália! O motivo? Benito Mussolini era um fã declarado do Mickey.

Postado por Fred

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