Dupla mortífera

Poucos filmes de Hollywood conseguiram lançar continuações para um sucesso. Menos deles conseguiram manter os mesmos atores para essas continuações. E menos deles ainda conseguiram manter o entrosamento e a mesma fórmula, sem decepcionar o público. E raros ainda são aqueles em que uma dupla se deu tão bem na história dos longas de ação. E vou parar o afunilamento, porque vocês já sabem onde quero chegar.

Roger Murtaugh (Danny Glover) é um sargento renomado da Polícia de Nova York (Nova York? Esqueci-me agora da cidade deles, mas creio que é essa). Pacato, sempre prefere resolver os casos na base da conversa. Só mata se achar realmente necessário. Tem família, uma casinha branca e ganha bem.

Martin Riggs (Mel Gibson) tinha tudo para ser como seu futuro parceiro Roger. Mas perdeu a mulher em um acidente, foi morar em um trailer e seu único amigo é um cachorro. Caminha nu em sua apertada morada e, deprimido, noite após noite pensa em se matar. Escolhe uma bala para a ocasião que ele ache especial. Seu jeito de fazer justiça é simples: ele mata e depois pergunta. Nada mal para quem está em seu limite de sanidade.

Ambos nunca se viram na polícia. E do nada se conhecem, pois são recrutados para resolverem um caso de tráfico internacional. Forma-se naquele momento uma das maiores duplas policiais dos filmes do gênero.

A fórmula perfeita de Máquina Mortífera não é nem um pouco complexa. Ela só junta dois policiais completamente diferentes em uma missão complicada e taca uma pitada um tanto exagerada de humor. Deu certo nos anos 80 e 90. Mel Gibson, antes de virar pastor e com seus mullets oitentistas, tem uma atuação impecável no primeiro filme da série. Além disso, à medida em que o filme ganha uma continuação, acrescentam um novo ator ou atriz, que nunca decepcionam.

Vocês lembram? No segundo longa, Joe Pesci dá as caras como Leo, um atrapalhado amigo de Roger. No terceiro, é a vez da bela Rene Russo aparecer, no papel de Lorna, uma policial que vai assumir um romance com Riggs. E no quarto, a aparição do oriental Jet Li, um vilão que vai dar muito trabalho para a dupla.

Certamente o filme que mais me marcou foi o terceiro. Nele que conheci Roger e Riggs. A primeira cena é inesquecível. A dupla vai para um prédio onde existe uma bomba. Ela vai explodir em dez minutos, e eles decidem desarmá-la. Alguns pedaços do diálogo:

– Riggs, espera! Falta oito minutos e trinta e dois segundos pra bomba explodir. Dá pra esperar o esquadrão antibomba, tomar um capuccino…
– E se não chegar? Vamos, eu acho que é o fio azul. Sempre é o fio azul.
– E se for o vermelho?
– Então a gente corta o vermelho agora, ora.

Lá pelas tantas, Riggs corta o fio vermelho e a contagem regressiva da bomba acelera. Há um gato perto deles.

– Ahn… Roger…
– Que é?
– Pega o gato!!!!
– Pegar o gato?????

Ou então o diálogo sobre a palavra “Valeu”. Riggs define:

– Valeu, ué. Começa com V, tem L no meio e U no final.

Só para se ter uma idéia de como o público gostou tanto da série, o primeiro filme data de 1987. O quarto filme, de 11 anos depois. Com os atores no mesmo entrosamento.

Infelizmente, não veremos uma continuação dele. O motivo fica justificado pela célebre frase de Roger:

– Eu estou velho demais para essas coisas…

Mas ainda assim, é sempre bom revê-los e lembrar que, algum dia, os filmes e os atores já foram geniais. Criatividade que hoje só vemos aos lampejos.

Postado por Fred

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