“Eu sou a Lenda”, mas e o Bob Marley não?

23/02/2008

Ás vésperas da grande festa americana do cinema – o glorioso Oscar – o nosso querido blog decidiu voltar a ativa (pelo menos por um post), e dar seu testemunho altamente qualificado e bem fundamentado sobre o trabalho dos corpos celestes lá de Hollywood (e eu resolvi aproveitar o ensejo para dizer que sim, eu ainda participo disso aqui!).

Com frases repletas de adjetivos vazios e sem significado, nosso conselho editorial pensou: “esse é o nosso momento! Não podemos perder essa chance!”. Mas como nem tudo funciona como queremos e as críticas (por mais insanas que sejam) não surgem por abiogênse mental, nossos planos tiveram de ser mudados. O motivo é simples: quem vos escreve não viu nenhum dos filmes cotados para receber a estatueta este ano.

Esclarecido este detalhe, explicitamos: não entre em pânico, caro leitor, pois isso não nos impedirá de falar de cinema. Um dos filmes que estão em cartaz nesse fim de fevereiro é o apocalíptico “Eu sou a Lenda”, interpretado pelo J de MIB… é, pelo Will Smith – pra mim ele sempre vai estar envolvido com alienígenas. Se na sua mente surgiu a pergunta “por que raios ela assistiu isso e não foi ver ‘O Gangster’ ou ‘Onde os fracos não tem vez’?”, eu respondo: também estou tentando encontrar um motivo plausível.

A verdade é que, insanidades pessoais a parte, o filme traz uma história já bastante conhecida de todos e uma crítica até bem pertinente, apesar de manjada. Em tempos de grande progresso tecnológico, o simples desejo de encontrar fórmulas infalíveis, perigosas armas ou a cura para grandes doenças da humanidade (como é o caso do filme, onde se encontra a cura para o câncer) acaba obscurecendo a sensatez dos pesquisadores. A fórmula em questão se espalha e seus efeitos, até então não completamente conhecidos, acabam causando um grande caos mundial. Tudo no melhor estilo Resident Evil, infestando a Terra de zumbis carnívoros e sangüinários – dessa vez com um pouco mais de dramaticidade: em 2009, praticamente toda a população do planeta é dizimada pelo tal vírus.

“Ser a Lenda” implica a Will Smith um destino cruel. Em 2012, ele e sua cachorra Sam são os únicos habitantes ‘biologicamente normais’ de Nova Iorque. Mas eles não estão sozinhos no mundo. Quando a coisa fica realmente preta pra Will, a filha da Sônia Braga (sim!) surge como salvadora, e mais uma remanescente. Juntamente com seu companheirinho de nome bem brasileiro – o Ethan –, ela saiu do porto de São Paulo (?! Imagino que isso queira se referir a Santos) em um navio e perambulou por aí até ouvir a mensagem de Will no rádio.

Peculiaridades do roteiro de lado, somente uma parte dessa história toda realmente me incomodou – além, é claro, da morte gratuita da cachorra. Em um momento sentimental, Will fala pra moça sobre as músicas de paz e amor de Bob Marley, e ela nunca ouviu falar nele… Se você pensou: “peraí… como assim?!”, te digo, a minha reação foi essa mesma.

Faça as contas comigo: imagine que no filme ela tenha entre 20 e 30 anos, ou seja, nasceu na década de 80… por mais longe da música que ela esteja, é impossível não conhecer Bob Marley! (acredite, é impossível. Até a minha mãe conhece ele). Bob Marley significou um marco musical e glorificou um estilo que foi além da melodia, interferindo profundamente no modo de vida de algumas pessoas. Além de música, Marley representa uma alma negra e latina ao mesmo tempo e a filosofia do amor como grande poder para mudança. Como uma espécie de Gandhi jamaicano, sua figura é quase tão difundida – me atrevo a arriscar – quanto a de Che Guevara… só a base de muita ‘desinformação’ alguém por aqui ignoraria a existência de uma pessoa assim.

Que Hollywood não saiba qual é a capital do Brasil, ou que imaginem que aqui se fala espanhol (como se vê no filme Stigmata), tudo bem, infelizmente a gente já está até acostumado. Mas essa do Bob Marley foi demais. A equipe do filme deveria ver essa foto aí em baixo, pra notar a relação estreita entre o povo brasileiro e o reggae.

chicoebob1.jpg


Mas aí eu penso… será que eles conhecem o Chico Buarque?!

Postado por Débora


2008: Os Lançamentos do Ano – Parte 2

03/02/2008

Aqui está, fiéis leitores. A aguardadíssima segunda parte da aguardadíssima lista dos mais ansiosamente aguardados lançamentos do ano, selecionados (arbitrariamente) por nosso comitê (de uma só pessoa). Lá vai!

5. Secret Invasion [QUADRINHOS]
Skrull
Em novembro de 2004, chegava aos comic shops norte-americanos a primeira edição de New Avengers, da Marvel Comics, reformulação do grupo dos “heróis mais poderosos da Terra” pelas mãos do roteirista Brian Michael Bendis. A nova abordagem trazia mais membros do primeiro escalão de personagens Marvel — como Homem-Aranha e Wolverine — e também um clima de mistério e conspiração. Até bem pouco tempo atrás, não se sabia muito bem o que estava havendo, que conspiração era essa. Mas a Marvel revelou recentemente que, desde aquela época, boa parte dos eventos em seu universo estavam para culminar na grande saga da editora para o ano de 2008: Secret Invasion (ainda sem nome oficial em português, mas os leigos na língua inglesa podem chamá-la de ‘Invasão Secreta’). A trama é, basicamente, a seguinte: uma raça de alienígenas transmorfos (que podem assumir praticamente qualquer forma), os Skrulls, invadiram secretamente a Terra. Eles acreditam que o planeta pertence religiosa e legitimamente a eles, principalmente agora que seu império intergaláctico encontra-se em ruínas. Assim, os aliens tomaram o lugar de personalidades importantes na comunidade super-heróica (e, muito provavelmente, além dela), ou seja, qualquer super-herói pode, na verdade, ser um Skrull disfarçado. Há quanto tempo e com que intenções (além de dominar o planeta), não se sabe. Depois do “de que lado você está?”, slogan da saga Guerra Civil, o bordão favorito dos editores da Marvel Comics é, agora, “em quem você pode confiar?”. É de meter medo, hein? Os eventos da invasão Skrull à Terra já estão tendo ramificações nas mais diversas publicações, mas a mini-série principal, Secret Invasion, que promete virar o Universo Marvel de pernas para o ar, terá oito edições, escritas por Brian Bendis e ilustradas por Leinil Yu. A mini será publicada lá fora a partir de abril e deve pintar por aqui em 2009.

4. Planetary 27 [QUADRINHOS]
Elijah Snow
Há mais ou menos uma década, em San Diego, California, dois profissionais dos quadrinhos tinham sua primeira conversa sobre a possibilidade de trabalharem juntos em uma nova série, que exploraria o gênero super-heróis mais do que os super-heróis per se. Daquela conversa, nasceu a série Planetary, clássico instantâneo, grande sucesso de público e crítica, mais e mais aclamada a cada nova edição lançada. Na HQ, Planetary é uma organização comprometida em desvendar a história secreta do planeta. Os arqueólogos do impossível. Liderados por um pequeno grupo de indivíduos superpoderosos, que revela coisas que alguns gostariam que não fossem reveladas. A série é um mar de referências, fazendo alusão às mais diversas obras de todas as mídias, trazendo versões de um grande número de personagens, conhecidos ou obscuros, da cultura pop. E, por mais que essas referências sejam parte fundamental de Planetary, a trama principal conduzida pelo roteirista Warren Ellis destaca-se por si própria, cativando o leitor e deixando-o ansioso na espera pela próxima edição. E põe “espera” nisso. A série que começou a ser publicada mensalmente em 1999, passou a ser bimestral no ano seguinte e sua publicação foi tornando-se cada vez mais irregular. Chegou a ter um hiato de dois anos entre 2001 e 2003 por motivo de doença do escritor e do envolvimento do ilustrador com outros projetos. Teve publicadas quatro edições em 2004, duas em 2005 e três em 2006. Mas Warren Ellis e o desenhista John Cassaday costumam fazer a espera dos leitores valer (e muito) a pena. A arte de Cassaday, aliás, é um espetáculo à parte. Os roteiros de Ellis exploram ao máximo os seus talentos e suas ilustrações são algumas das melhores em toda a indústria dos quadrinhos. O último lançamento de Planetary foi o número 26, datado de dezembro de 2006. O fechamento da série se dará com a edição 27, prevista para algum momento neste ano. Ellis postou em seu blog no dia 10 de junho de 2007, comunicando que o roteiro já foi finalizado e enviado a John Cassaday, que, no momento, está ocupado com outros trabalhos. Os leitores esperam ansiosamente por Planetary 27. E têm fé de que a edição realmente saia ainda em 2008.

3. Quantum of Solace [CINEMA]
Daniel Craig como James Bond
Com exceção do recém divulgado título, pouco sabemos a respeito da vigésima segunda película de James Bond. Parece que é uma história de vingança, continuando exatamente de onde Casino Royale parou. O que de fato sabemos é o seguinte: Casino Royale foi espetacular. O comitê (de uma só pessoa) fazia parte de um grande grupo que torceu o nariz quando soube que Daniel Craig seria o novo Bond, mas o cara nos surpreendeu positivamente — apesar de ser loiro; onde já se viu um James Bond loiro? — e sua atuação, aliada ao novo estilo, mais ação à moda antiga, menos bugigangas ultratecnológicas, do agente 007 e a uma melhor exploração da parte psicológica dos personagens, revitalizou a franquia. Embora a belíssima Eva Green vá fazer muita falta, esperamos de Quantum of Solace tanto ou mais que do filme anterior. Só é uma pena que o diretor não seja novamente Martin Campbell. Pelo menos, quem irá dirigir Bond 22, será Marc Forster, de Mais Estranho que a Ficção, um dos filmes favoritos do comitê. A nova aventura de “Bond. James Bond.” chega aos cinemas no dia 7 de novembro.

2. Brand New Day [QUADRINHOS]
spidey.jpg
Dentre todos os lançamentos de nossa lista, este é o único que já estreou. Na semana retrasada, chegou aos comic shops norte-americanos a revista Amazing Spider-Man 548, trazendo a terceira parte de Brand New Day (algo como ‘Um Novo Dia’), novíssima fase do Homem-Aranha nos quadrinhos. Anteriormente, o Amigão da Vizinhança tinha três publicações diferentes contando três histórias diferentes todos os meses nos EUA. A Marvel resolveu então cancelar Friendly Neighbourhood Spider-Man e Sensational Spider-Man para continuar publicando apenas Amazing Spider-Man. Agora a revista mais tradicional do aracnídeo é publicada três vezes por mês, trazendo uma só história contínua. Um grupo de quatro escritores colabora na concepção das tramas e, a cada mês, um deles faz os roteiros das histórias do nosso aracnídeo favorito. Encabeçando o quarteto de roteiristas, está o excelente Dan Slott, que escreve o Aranha como ninguém. Além dele, temos ainda os egressos de Hollywood: Marc Guggenheim (Lei e Ordem), Zeb Wells (Frango Robô) e Bob Gale (De Volta para o Futuro). A arte fica a cargo de grandes nomes, como a sensação do momento Steve McNiven, artista de Guerra Civil, e o veterano Chris Bachalo, que já desenhou Sandman e a Morte, de Neil Gaiman. E as novidades não param por aí. A Marvel resolveu utilizar uma abordagem back to basics para seu personagem mais popular e mudou completamente o status quo de Peter Parker. Ele está solteiro novamente, morando outra vez com sua Tia May, duro e azarado como sempre, com a identidade secreta (revelada em Guerra Civil) restaurada, usando lançadores de teia e seu melhor amigo, Harry Osborn, está vivo uma vez mais. O tom das histórias é leve e divertido. As piadas fluem. O Aranha fala suas gracinhas com naturalidade e não mais apenas para disfarçar e fugir da dor e da tristeza. Peter voltou de vez ao velho status de lovable loser (amável perdedor) e deixou pra trás uma fase marcada por sofrimento e amargura. Alguns reclamam de Brand New Day, dizendo que é um retrocesso do personagem. Talvez até seja, mas, mesmo assim, parece que é esse o Aranha que todos aprendemos a admirar e, depois de uma longa ausência, ele está de volta. É verdade que, por enquanto, não aconteceu muita coisa de grande relevância na nova fase do Cabeça de Teia. Entretanto, o tom das histórias, os diálogos e a belíssima arte já são uma sensível melhora em relação às HQs aracnídeas dos últimos tempos, de modo que o comitê vem gostando bastante de Brand New Day. Mas nem tudo são rosas… O grande problema é o modo que a Marvel encontrou para realizar todas essas mudanças na vida do Homem-Aranha: um pacto com o demônio (simplesmente desconsiderando boa parte da cronologia do Aranha nas últimas décadas), realizado na polêmica saga One More Day (algo como ‘Mais Um Dia’), execrada pelo público e pela crítica, considerada por muitos como uma das piores histórias do Aranha de todos os tempos. Diversos leitores, inclusive, estão boicotando a nova fase por causa de One More Day e das mudanças promovidas. Mas One More Day e as sagas ruins do teioso são assunto para um post vindouro. Agora, estamos falando de uma boa história, Brand New Day, que começou a ser publicada em janeiro nos EUA e provavelmente chega ao Brasil no ano que vem.

1. Homem de Ferro [CINEMA]
Homem de Ferro
O comitê (de uma só pessoa) não tem recordações da última vez em que esteve tão empolgado por causa de um filme. O trailer é um dos melhores que já tivemos o prazer de assistir. Robert Downey Jr. é Tony Stark. O visual da(s) armadura(s) é sensacional. O elenco é de primeira. E o filme parece ter de tudo: suspense, aventura, muita ação, provavelmente algum romance (já que estamos falando do playboy sedutor Tony Stark) e o sempre indispensável alívio cômico. Trata-se do primeiro filme financiado e produzido pela própria Marvel e parece que os caras estão fazendo tudo direitinho, entrando na indústria cinematográfica com o pé direito. Que este seja o primeiro de muitos bons filmes da Marvel Studios, a melhor adaptação já feita dos quadrinhos e o primeiro de uma espetacular franquia para o Homem de Ferro, este grande personagem das HQs que vem ganhando cada vez mais destaque. Além do filme, temos ainda um bônus: o promissor jogo baseado na película, que conta com gráficos sensacionais e uma jogabilidade que parece muito interessante. Enfim… Homem de Ferro será o filme do ano. O comitê não tem dúvidas quanto a isso.

Postado por Kauê