“Eu sou a Lenda”, mas e o Bob Marley não?

Ás vésperas da grande festa americana do cinema – o glorioso Oscar – o nosso querido blog decidiu voltar a ativa (pelo menos por um post), e dar seu testemunho altamente qualificado e bem fundamentado sobre o trabalho dos corpos celestes lá de Hollywood (e eu resolvi aproveitar o ensejo para dizer que sim, eu ainda participo disso aqui!).

Com frases repletas de adjetivos vazios e sem significado, nosso conselho editorial pensou: “esse é o nosso momento! Não podemos perder essa chance!”. Mas como nem tudo funciona como queremos e as críticas (por mais insanas que sejam) não surgem por abiogênse mental, nossos planos tiveram de ser mudados. O motivo é simples: quem vos escreve não viu nenhum dos filmes cotados para receber a estatueta este ano.

Esclarecido este detalhe, explicitamos: não entre em pânico, caro leitor, pois isso não nos impedirá de falar de cinema. Um dos filmes que estão em cartaz nesse fim de fevereiro é o apocalíptico “Eu sou a Lenda”, interpretado pelo J de MIB… é, pelo Will Smith – pra mim ele sempre vai estar envolvido com alienígenas. Se na sua mente surgiu a pergunta “por que raios ela assistiu isso e não foi ver ‘O Gangster’ ou ‘Onde os fracos não tem vez’?”, eu respondo: também estou tentando encontrar um motivo plausível.

A verdade é que, insanidades pessoais a parte, o filme traz uma história já bastante conhecida de todos e uma crítica até bem pertinente, apesar de manjada. Em tempos de grande progresso tecnológico, o simples desejo de encontrar fórmulas infalíveis, perigosas armas ou a cura para grandes doenças da humanidade (como é o caso do filme, onde se encontra a cura para o câncer) acaba obscurecendo a sensatez dos pesquisadores. A fórmula em questão se espalha e seus efeitos, até então não completamente conhecidos, acabam causando um grande caos mundial. Tudo no melhor estilo Resident Evil, infestando a Terra de zumbis carnívoros e sangüinários – dessa vez com um pouco mais de dramaticidade: em 2009, praticamente toda a população do planeta é dizimada pelo tal vírus.

“Ser a Lenda” implica a Will Smith um destino cruel. Em 2012, ele e sua cachorra Sam são os únicos habitantes ‘biologicamente normais’ de Nova Iorque. Mas eles não estão sozinhos no mundo. Quando a coisa fica realmente preta pra Will, a filha da Sônia Braga (sim!) surge como salvadora, e mais uma remanescente. Juntamente com seu companheirinho de nome bem brasileiro – o Ethan –, ela saiu do porto de São Paulo (?! Imagino que isso queira se referir a Santos) em um navio e perambulou por aí até ouvir a mensagem de Will no rádio.

Peculiaridades do roteiro de lado, somente uma parte dessa história toda realmente me incomodou – além, é claro, da morte gratuita da cachorra. Em um momento sentimental, Will fala pra moça sobre as músicas de paz e amor de Bob Marley, e ela nunca ouviu falar nele… Se você pensou: “peraí… como assim?!”, te digo, a minha reação foi essa mesma.

Faça as contas comigo: imagine que no filme ela tenha entre 20 e 30 anos, ou seja, nasceu na década de 80… por mais longe da música que ela esteja, é impossível não conhecer Bob Marley! (acredite, é impossível. Até a minha mãe conhece ele). Bob Marley significou um marco musical e glorificou um estilo que foi além da melodia, interferindo profundamente no modo de vida de algumas pessoas. Além de música, Marley representa uma alma negra e latina ao mesmo tempo e a filosofia do amor como grande poder para mudança. Como uma espécie de Gandhi jamaicano, sua figura é quase tão difundida – me atrevo a arriscar – quanto a de Che Guevara… só a base de muita ‘desinformação’ alguém por aqui ignoraria a existência de uma pessoa assim.

Que Hollywood não saiba qual é a capital do Brasil, ou que imaginem que aqui se fala espanhol (como se vê no filme Stigmata), tudo bem, infelizmente a gente já está até acostumado. Mas essa do Bob Marley foi demais. A equipe do filme deveria ver essa foto aí em baixo, pra notar a relação estreita entre o povo brasileiro e o reggae.

chicoebob1.jpg


Mas aí eu penso… será que eles conhecem o Chico Buarque?!

Postado por Débora

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14 Responses to “Eu sou a Lenda”, mas e o Bob Marley não?

  1. Frau Bersch disse:

    1 – bom, tu ainda ta melhor do que eu, que so descobri hoje que o oscar eh… hoje.
    2 – e tem alguma esperanca de eles conhecerem o chico buarque?
    3 – a cachorra morre????? hunf, spoilers….
    4 – acredite, tu me deixou com muita vontade de ver esse filme!

  2. Débora disse:

    Oi Ju!
    1- também não sei pq sempre fazem isso com os cachorros… =/ mas o que seria “spoilers”?? ehuheu
    2 – te deixei com vontade de ver o filme?? Aff… preciso me aprimorar… eu tava criticando!! heuheu

    Beijão!!

  3. Kauê disse:

    o filme é bom
    o final é meio anticlimático, mas o filme é bom
    e eu não achei a morte da cachorra gratuita
    foi um fator importante no filme e na tragédia pessoal do protagonista
    agora… tu diz que a figura de bob marley é quase tão difundida quanto a de che…
    talvez aqui na américa latina, sim
    mas no resto do mundo, imagino que a figura do bob seja bem mais difundida que a do che
    e spoilers são spoilers, ora bolas
    informações “estraga-prazeres”, que entregam detalhes de um filme (ou livro, ou gibi, ou sei-lá-o-que) para pessoas que ainda não os assistiram (ou leram)

  4. Olha, entrando na polêmica, acho que a figura do Bob Marley é muito menos difundida que a do Che.
    E certamente eles não conhecem o Chico por lá. Nem o Bento, quanto mais o Buarque. Tudo o que devem conhecer de música popular brasileira é o Sepultura.

  5. Kauê disse:

    bom…
    uma busca no google pela frase exata “che guevara” encontra aproximadamente 5.910.000 resultados
    enquanto que uma busca pela frase exata “bob marley” encontra aproximadamente 17.500.000 resultados
    a titulo de comparação, “elvis presley”, por exemplo, dá 20.700.000 resultados e “chico buarque”, 1.550.000

  6. Gyselle disse:

    AMO O BOB !!!

  7. Julia disse:

    O Bob Marley acreditava que podia curar o racismo e o ódio injetando música e amor na vida das pessoas ! Ele nem se compara ao Che !
    paz e amor
    Xo

  8. bob nunca saiu da minha cabeça eu tenho uma
    coleção de camisa so de bob marley

  9. Matheus disse:

    Na versão original (em inglês) ela tbm fala que veio do porto de são paulo ?? ou isso só foi colocado na versão dublada ??
    E quanto a Bob … curto as musicas a mensagem que ele passou … mas era mó maconheiro que levou e ainda leva muitas pessoas pro vício !! …
    Che >>> Bob Marley >>> Chico !!

  10. Débora disse:

    Matheus, eu não costumo ir ao cinema para ver filmes dublados. Ou seja, eu li isso na leganda. Confesso que não lembro da frase que a moça falou em inglês, mas a gente costuma confiar no tradutor. Vai saber… Em todo caso, primemos pela compreensão. Possivelmente ela se referia ao porto de Santos.
    Quanto ao Bob Marley, o COWABANGA não é um blog moralista e nem procura fazer esse tipo de julgamento (e, se fosse o caso, garanto que existiriam pessoas que achariam defeitos também no Che e no Chico). O que está em questão aqui é a notoriedade do rastaman. Chega a ser ofensivo suporem que o Brasil não conhece o pai do Reggae, você não acha?

  11. Fred disse:

    Acho que o Matheus tá se equivocando em alguns detalhes.
    O problema da imagem do artista não é de responsabilidade dele, e sim dos fãs. Kurt Cobain, em 1992, disse uma vez que achava uma merda os fãs do Nirvana usarem heroína só porque ele usava. Isso é, no mínimo, coisa de quem não tem uma personalidade própria e construída, e se inspira em um ídolo.

    Bob Marley era um seguidor da religião Rastafári, onde o fumo era liberado e necessário. E essa é uma das religiões principais da Jamaica (e talvez da Etiópia, com o tal Haile Selassie).
    Falo isso de forma empírica. Não fiz uma rápida pesquisa para confirmar tudo isso, até porque estou no trabalho. Mas confundir esse tipo de coisa com o problema da maconha no Brasil (e até relacioná-lo) é inteiramente inescrupuloso. Pelo menos essa é minha opinião.

  12. caetano's disse:

    ..caramba!!!!!!!! Bob marley. Acorda oooooooooooo!!!!!!!!!!.

  13. marcelo disse:

    bob o o rei da jamaica .

  14. Leandro Loan disse:

    Pô, eu não lembrava dessa cena, ou melhor, de que a mulher desconhecia Bob Marley. Realmente, um absurdo… roteirístico. Aliás, belo post.

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