“Yeah. I can fly.”

Heróis não nascem. Eles são construídos. O slogan criado para a divulgação de Homem de Ferro não poderia ter sido mais apropriado. O filme conta a história da origem do “ferroso”. De como Tony Stark passa de playboy bilionário fanfarrão a super-herói — sem nunca, na verdade, deixar de ser um playboy bilionário fanfarrão.

As expectativas para a película eram altíssimas. Primeiro filme completamente produzido pelo Marvel Studios. Quatro indicados (incluindo uma vencedora) ao Oscar no elenco. Grandes gastos em efeitos especiais. Marketing pesado, muito hype criado (e trailers sensacionais).

E fico feliz em constatar que Homem de Ferro obteve sucesso em atingir as expectativas. Uma aula de como se adaptar um super-herói dos quadrinhos para as telonas. O maior papel da (renovada) carreira de Robert Downey Jr.. Uma aventura que deve agradar não só aos fãs de HQs e do “latinha”, mas às mais diversas audiências. Um filme que empolga do início ao fim. Enfim, uma ótima estréia para a Marvel na indústria cinematográfica.

O roteiro é fora de série. Proporciona situações, diálogos e frases de efeito memoráveis, além de caracterizar os personagens (especialmente o protagonista) excepcionalmente bem. Mesmo sendo um pouco previsível em alguns pontos, a trama é inteligente, bem construída, verossímil (exceto talvez quando o vilão vai usar sua armadura pela primeira vez e se sai quase tão bem quanto Stark, que passa metade do filme testando e treinando com a armadura de Homem de Ferro).

A ação e o desenvolvimento dos personagens e do enredo são cuidadosamente dosados. É claro que ver o herói de armadura voando pelos céus e “cuidando” dos vilões é de empolgar qualquer um, mas o trunfo do filme é justamente mostrar o homem por trás da armadura e a construção (tanto no sentido literal como no figurado) do Homem de Ferro.

A direção é bastante boa. Se Jon Favreau não chega a ser genial, também não atrapalha (longe disso). Sem inventar muito, o diretor faz um trabalho “arroz com feijão” extremamente competente. Acostumado a trabalhar com comédias, impõe sua veia cômica à película, o que à primeira vista pode parecer um tanto estranho, mas que funciona muito bem, de forma integrada, e acaba rendendo várias boas gargalhadas.

A transposição a partir dos quadrinhos é muito bem feita. Homem de Ferro é o que um filme de super-herói tem que ser: leve, divertido, bem-humorado, com ação empolgante e bem dosada, sem melodramas desnecessários, fiel às origens (no caso, às HQs), cheio de referências (Dez Anéis, S.H.I.E.L.D., um possível Máquina de Combate, a cena depois dos créditos, etc.) pra deixar qualquer nerd satisfeito e com adaptações (Afeganistão ao invés de Coréia/Vietnã/Golfo, Obadiah Stane como sócio das Indústrias Stark) que não ferem de maneira alguma a mitologia do personagem.

O visual do filme (principalmente das armaduras) e os efeitos especiais são de primeira e quase nos fazem acreditar que é possível se usar um traje de metal para voar e disparar raios por aí. As cenas de ação são impressionantes e, algumas delas, bastante criativas (a maior exceção ficando para o clichê de, na batalha final, os dois antagonistas terminarem enfrentando-se sem os capacetes de suas respectivas armaduras). A trilha sonora é sensacional, recheada de rock’n’roll, abrindo com AC/DC e fechando com Black Sabbath.

Por último e não menos importante, o elenco faz um trabalho irretocável. Shaun Toub confere ao professor Yinsen mais personalidade do que sua contra-parte nos quadrinhos jamais teve. Jeff Bridges interpreta o inescrupuloso Obadiah Stane de maneira extremamente convincente. Terrence Howard, como Jim Rhodes, não tem tanto destaque na película, mas as suas participações são interessantes e ele deve aparecer bem mais na(s) seqüência(s) da franquia. A ganhadora do Oscar, Gwyneth Paltrow, faz o papel de Pepper Potts, a fiel assistente de Tony Stark, e tem algumas das melhores falas. Ao longo do filme, há, inclusive, uma tensão romântica entre Pepper e Tony, que é (muito bem) explorada em alguns momentos, mas nada nunca chega a se concretizar (toma essa, Hollywood!). Enfim, Paltrow faz um belo trabalho e só não rouba a cena porque temos um Robert Downey Jr. inspiradíssimo.

Como já disse há alguns posts atrás, Downey é Tony Stark. O (outrora) problemático ator nasceu para fazer esse papel, é perfeito para ele, mesmo porque tem tanto em comum com o personagem. Como Tony, Downey já teve tudo e quase perdeu. Como Tony, já precisou lutar contra o alcoolismo (algo que acabou ficando de fora deste filme) e contra seus demônios pessoais. Na tela, Robert Downey Jr. parece tão à vontade que às vezes tem-se a impressão de que ele nem mesmo está atuando. Suas falas são muito boas, suas emoções parecem genuínas, sua interação com os outros atores (e mesmo com os personagens robóticos) é espetacular, seu humor é afiado e ele realmente convence no papel de playboy fanfarrão. Robert Downey Jr. é o Tony Stark definitivo e Homem de Ferro, o filme, pertence a ele do início ao fim.

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