Quadrinhos e Política

25/07/2008

Bom, a política ter papel de algum destaque nos quadrinhos não é nenhuma grande novidade. Desde os primóridos das HQs super-heroísticas, vemos, por exemplo, os prefeitos de Metropolis e Gotham City aparecendo nas histórias. George W. Bush – assim como muitos de seus antecessores – volta e meia interage com os heróis nas páginas das revistas. Diversos personagens importantes, como Adão Negro (Khandaq, Universo DC), Aquaman (Atlântida, DC), Doutor Destino (Latvéria, Universo Marvel), Namor (Atlântida, Marvel), Pantera Negra (Wakanda, Marvel), Tempestade (Wakanda, Marvel), são governantes de seus países e têm de lidar com as responsabilidades que vêm com seus cargos. O Arqueiro Verde já foi prefeito da ficcional Star City e até mesmo o arquiinimigo do Superman, Lex Luthor, foi presidente dos EUA por algum período no Universo DC. Na época da histeria anti-comunista nos EUA, em uma HQ, a Sociedade da Justiça da América foi convocada a comparecer ao Comitê de Atividades Anti-Americana e revelar a identidade de seus membros. Na Marvel, o Homem de Ferro já foi Secretário de Defesa do governo norte-americano e o homem que o sucedeu no cargo era, na verdade, o Caveira Vermelha disfarçado. Nos últimos tempos, a política também foi fator fundamental na saga Guerra Civil, quando uma lei determinou que todos aqueles com habilidades sobre-humanas deveriam registrar-se junto ao governo norte-americano e tornarem-se agentes federais.

Agora, às vésperas da eleição presidencial norte-americana (no mundo real), surgem duas iniciativas no mínimo curiosas que unem quadrinhos e política.

Uma delas é DC Universe: Decisions, minissérie em 4 edições que pega carona na corrida eleitoral para explorar as visões políticas dos super-heróis DC. A trama é mais ou menos a seguinte: um vilão misterioso planeja assassinar os principais candidatos a “líder do mundo livre” (como os americanos gostam de chamar seu presidente) e Superman, Batman, Arqueiro Verde e companhia limitada têm de impedi-lo. Em meio a esse cenário, alguns heróis resolvem apoiar abertamente um ou outro candidato, a mídia acaba fazendo um estardalhaço em cima (malditos jornalistas!), o que leva todos a questionarem qual o papel do super-herói numa área tão delicada como a política.

“Eu quero que as pessoas percebam o fato de que nossos heróis são motivados por razões diferentes e têm visões diferentes, mas mesmo assim todos eles conseguem trabalhar juntos fazendo o que é certo para as pessoas que protegem, para o país e para o mundo”, declarou Dan Didio, Editor Executivo da DC, em entrevista ao Newsarama sobre a minissérie.

Provavelmente vai ser interessante descobrir quem é Democrata e quem é Republicano entre os personagens do Universo DC e quais serão as justificativas dadas pelos roteiristas para a posição de cada herói, mas isso com certeza vai gerar polêmica entre os fãs.

Outro projeto pouco convencional ligado à corrida presidencial norte-americana é o lançamento de biografias em quadrinhos dos candidatos dos partidos Republicano e Democrata. É isso mesmo, em outubro, Barack Obama e John McCain viram personagens de HQ, antes mesmo de qualquer um deles chegar ao posto de presidente dos EUA. As biografias serão lançadas pela editora IDW Publishing, que publica revistas de Star Trek, Transformers, entre outros. Os roteiros ficam por conta de Andrew Helfer (que já roteirizou biografias em quadrinhos de Ronald Reagan e Malcolm X), na edição de John McCain, e Jeff Mariotte, na edição de Barack Obama. A arte da revista do candidato Republicano será de Stephen Thompson e, a do Democrata, de Tom Morgan. As capas são do astro dos desenhos J. Scott Campbell. Cada edição terá 28 páginas de história (a título de comparação, a biografia de Reagan tem 112). Através do site oficial, pode-se até comprar botons, cartazes e camisetas inspiradas nas capas das revistas.

Aposto que a história do McCain vai ser bem mais divertida. Tomara que mostre ele bombardeando vietnamitas!

No mais, o negócio é torcer pra que o próximo presidente eleito dos Estados Unidos não seja outra vez um supervilão inescrupuloso e mal-intencionado. (Estou me referindo a Lex Luthor, não a George Bush… Se bem que…).


“Sexta à noite um comediante morreu em Nova York.”

17/07/2008

Gostaria de ter mais tempo para escrever um artigo bacana sobre Watchmen ser nada menos que a melhor série em quadrinhos da história, sobre como Alan Moore atingiu a imortalidade com essa obra, como a última página da última das 12 edições da obra é provavelmente um dos mais perfeitos finais de história ja concebidos pela Humanidade, ou mesmo como a adaptação para o cinema dessa obra-prima é uma das coisas mais aguardadas (e podemos dizer também temidas) pelos fãs de cultura pop desse planeta – todos vocês, inclusive. Mas estou meio sem tempo, daqui a pouco saio daqui do serviço e o PC de casa anda um lixo completo, desanimando qualquer tentativa de escrever mais do que mensagens curtas no MSN. E de qualquer modo, esse artigo nem precisa ser escrito mesmo: deixemos que as imagens falem por si só. Eis, para vosso deleite, o trailer de Watchmen – O Filme, que estreiará em Março de 2009 nos EUA.

Depois eu volto aí para saber a repercussão…

(Eu tinha colocado um link do YouTube, mas a Warner Bros. foi estupendamente rápida e tirou tudo do ar menos de 5 mins depois de eu ter assistido. Até a última conferência minha – 17h50 da tarde de quinta – o link acima estava funcionando – se os tubarões da indústria do entretenimento tirarem do ar esse também, já não é culpa minha!)


In John McClane We Trust

12/07/2008

– Você acaba de abater um helicóptero com um carro!
– Eu estava sem balas.

John McClane é definitivamente um cara durão. Talvez o mais durão dos caras durões de Hollywood. No mesmo nível – ou até acima – de caras como Dirty Harry, Jack Bauer, Leônidas (300), Paul Kersey (Desejo de Matar), Rambo, Rocky Balboa, o Exterminador do Futuro e qualquer personagem interpretado por Steven Seagal.

Confesso que já não lembro muito bem dos três primeiros filmes, mas em Duro de Matar 4.0 (que finalmente pude assistir na semana que passou), McClane está tão duro de matar que talvez devessem mudar o nome da série para “Imortal”, “O Cara Mais Durão do Universo” ou coisa parecida. Não que haja algo de errado com isso, afinal a quase invulnerabilidade do nosso herói frente a situações possivelmente fatais – ou no mínimo extremamente dolorosas – sempre foi um dos grandes charmes de Duro de Matar, ao lado da implausibilidade das frenéticas cenas de ação.

Nesta quarta aparição de McClane nas telonas, isso tudo é elevado (pelo menos) à décima potência. O que é justamente aquilo que torna o filme tão descerebradamente divertido. Do início ao fim, temos ação absurdamente inverossímil e empolgante, além de inúmeras provas do quanto John McClane é cabron.

MUITOS SPOILERS ADIANTE!!!

Em Duro de Matar 4.0, logo no começo o protagonista já cuida de um grupo de mercenários altamente treinados e equipados, armado apenas com uma pistola, criatividade e seus colhões king size. Mais tarde, destrói um helicóptero militar com um carro de polícia, acelerando na direção de uma rampa improvisada e jogando-se para fora do veículo em movimento antes que ele acertasse o helicóptero em pleno ar. Sai andando quase que normalmente, sem nenhuma lesão grave. Depois, é chutado através de uma janela de quase dez metros de altura. McClane não só sobrevive, como logo após atropela sua agressora com uma caminhonete dentro do centro de comando de uma estação de energia federal. Na seqüência, sobrevive à explosão da tal estação, vai até o covil dos bandidos – que seqüestraram sua filha – com um plano simples: “Eu vou matar esse **** e pegar a minha filha… Ou vou pegar a minha filha e matar esse ****… Ou vou matar todos eles…”. Na perseguição aos vilões, pula num caminhão em movimento, nocauteia o motorista e fica com o controle do volante. Foge de um caça F-35 dirigindo o caminhão em meio a um viaduto que está sendo destruído pelos disparos do jato. Acaba surfando sobre o caça desgovernado (no melhor estilo Capitão América em Guerra Civil) antes de saltar para escapar da explosão do avião e cair num pedaço do viaduto, descendo-o – sem um arranhão sequer – como se fosse um escorregador. Para fechar, o momento mais cabron de todos: quase morrendo, feito de refém pelo grande vilão, McClane força um disparo de pistola que atravessa o próprio ombro e mata o bandido. Genial!

FIM DOS SPOILERS.

Em suma, John McClane não precisa estar bem armado, nem ter um plano ou, muito menos, reforços. Para ele, improvisar e ser (extremamente) durão é o que basta.

Yippee-ki-yay, motherfucker!