Prova cabal de que a Marvel usa o Google Translate

28/09/2008

Imagens do preview da revista norte-americana Eternals #5, que tem partes da história se passando em Goiânia e alguns diálogos – supostamente – na língua nativa (clique para ampliar):

Eternals #5, página 7

Belíssimo “português”, o dos goianenses…

Sério, de onde a Marvel tira uma coisa dessas!? Opa, peraí, acho que já sei:

E eles ainda conseguem comer letras… “Mais orte… Você tolo!”. Sensacional!

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Quem quer democracia na China no fim das contas? (ou, os bons álbuns que ninguém ouviu)

23/09/2008

[agradecimentos ao nosso colega Fred, que me deu a idéia para esse post]

Certo, certo. Todos estão cansados de ouvir falar de “Chinese Democracy”, o muitíssimo aguardado (em mais de um sentido) novo álbum do Guns N Roses – mas desculpem aí, vão ter que ter um pouquinho de paciência. Fruto da imaginação delirante e obsessão maníaca do vocalista e mala de plantão Axl Rose, o disco já está sendo gravado e regravado continuamente há mais de 10 anos, tendo contado com uma quantidade enorme de músicos e custado uma verdadeira fortuna – segundo alguns cálculos, mais de 13 milhões de dólares. Já foram anunciadas, de modo oficial ou nem tanto, pelo menos sete datas de lançamento – todas, é claro, adiadas sem a menor cerimônia. Atualmente, diz-se que o processo de gravação e mixagem está encerrado, e que o disco pronto está na mão da gravadora – que, mesmo assim, parece um tanto quanto “sem pressa” de lançá-lo, se é que me entendem. A julgar pelas demos que vazaram na Internet (e que o humilde escriba, evidentemente, já ouviu), vai acabar sendo um disco pretensamente experimental, um bocado pretensioso e sinceramente um pouco maçante. E a hesitação da Geffen Records em permitir a democracia na China se justificaria por dois motivos: ou estou enganado, o disco é uma obra-prima e a gravadora está se preparando do melhor modo possível para ganhar uma bolada, ou o CD é bem o que eu acho que vai ser e eles estão pensando no que fazer para ao menos ‘empatar’ os gastos quando do lançamento…

Seja como for, “Chinese Democracy” pode ser o mais famoso álbum-não-lançado de todos os tempos, mas com toda a certeza não é o único. Muitas vezes o público se viu privado, pelos motivos mais diferenciados possíveis, de ouvir material gravado por suas bandas ou músicos favoritos – o que muitas vezes foi uma pena, mas em muitas outras pode ter sido uma sorte danada. Enquanto a pizza de calabresa não chega aqui em casa, vamos dar uma relembrada em algum casos históricos de discos que ficaram famosos justamente por não terem saído, assumindo muitas vezes um status lendário que pode ser justo ou nada ter a ver com a realidade. Preparados? Então, lá vai:

Get Back (ou “Let It Be – Naked”) – Beatles, 1969 – Como todos nós sabemos, os últimos anos da carreira dos Fab Four estavam uma tremenda bagunça – briguinhas, intrigas, drogas a granel, a Yoko Ono enchendo o saco, enfim. Uma desgraça. Em 1969, a idéia dos músicos era gravar um disco mais cru, mais direto e sem muitos truques de estúdio – algo que se distanciasse um pouco do “Sgt Peppers” ou do “Magical Mystery Tour” e os reaproximasse da sonoridade mais simples dos primeiros dias. Apesar do quebra-pau generalizado, o disco acabou sendo gravado e recebeu o nome de “Get Back”. Porém, o clima estava tão pesado que simplesmente desistiram de prensar o disco naquele momento – diz a lenda que algumas “test pressings” (tiragens limitadíssimas, feitas para dar o OK na masterização final) chegaram a ser feitas, mas é a típica raridade que muitos dizem ter visto mas ninguém realmente tem, sabem como é. Quando os chiliques amainaram um pouco, os rapazes de Liverpool preferiram fazer um disco todo novo ao invés de concluir o serviço deixado pela metade. Resultado: gravaram e lançaram “Abbey Road” e, tempos depois, o produtor-que-virou-grife Phil Spector foi contratado para resgatar as velhas gravações de “Get Back”, enchendo-as de truques de estúdio (ou seja, indo contra toda a idéia inicial) e as transformando em “Let It Be”. Durante décadas os beatlemaníacos falavam sobre o tal “disco perdido”, mas levou nada menos que 33 anos para que as gravações originais de “Get Back” fossem resgatadas e lançadas oficialmente com o nome “Let It Be – Naked”. Para muitos, uma versão melhor que a de Spector – outros, como esse que vos escreve, acham que Beatles soa bem de qualquer jeito e preferem não tentar decidir…

The Vanilla Tapes – The Clash, 1979 – Após o lançamento do (na minha opinião) menosprezado “Give ‘em Enough Rope”, a clássica banda punk demitiu seu antigo empresário Bernhard Rhodes e enfurnou-se em um estúdio minúsculo chamado Vanilla, que pouco mais era do que um “puxadinho” de uma garagem, para compor as músicas para seu novo álbum.  Depois de algumas semanas de trabalho, gravaram nada menos do que 37 músicas – e resolveram mandá-las para o produtor Guy Stevens, que queriam convencer a produzir o trabalho final. Entregaram a fita para o roadie Johnny Green, que deveria pegar um trem e entregar em mãos a demo para o potencial novo produtor. O problema é que Johnny dormiu no trem durante a viagem e acabou passando a estação na qual deveria descer. Quando acordou e viu onde estava, desceu do trem com tanta pressa que esqueceu dentro do vagão a fita com as demos do Clash, só percebendo depois da partida do trem a burrada que tinha feito. O disco acabou sendo regravado e lançado como o clássico álbum duplo “London Calling”, mas durante um quarto de século as gravações do Vanilla Studio foram dadas como perdidas. Seria esse o fim da história, mas o guitarrista Mick Jones resolveu fazer uma faxina no porão em 2004 e, como que por encanto, encontrou uma cópia de parte das gravações, cópia que ele mesmo havia esquecido que tinha feito. Hoje, das 37 faixas gravadas no Vanilla, 21 delas foram incluídas como um CD bônus em “London Calling – The Legacy Edition”, trazendo a historinha para um final feliz.

Electric Nebraska – Bruce Springsteen, 1982 – Para muita gente, “Nebraska” é o melhor disco de Bruce Sringsteen, e a sua atmosfera folk sombria e melancólica colocou-o entre os álbuns mais ‘cult’ da história. O que muitos não sabem é que o disco que todo mundo ouve é constituído, na verdade, de vrs demo do que seria o disco “definitivo”. Springsteen gravou essas demos no quarto de sua casa, usando um porta-estúdio de 4 canais – e, depois de aprovado pela gravadora, o disco recebeu uma produção propriamente dita, sendo gravado em um estúdio profissional com arranjos elaborados e etc. No entanto, ao ouvirem o disco que haviam terminado de gravar, Bruce e os demais envolvidos com a produção concluíram que havia uma qualidade sombria nas músicas que havia se perdido com o trabalho de estúdio. A decisão final foi lançarem as demos mesmo, do jeito que estavam gravadas – o máximo que fizeram foi um tratamento de áudio para retirar o ruído de fundo e corrigir o baixo volume da gravação. Fico imaginando o que a gravadora pensou de ter gasto dezenas de milhares de dólares em uma produção e acabar arquivando tudo e lançando as demos… Seja como for, desde que “Nebraska” saiu os fãs se questionam sobre como seria a vrs de estúdio do disco – batizada como “Electric Nebraska” para fins de diferenciação. Infelizmente, tudo indica que essas gravações não devem aparecer tão cedo, se é que vão aparecer um dia – o próprio manager de Bruce, John Landau, já disse mais de uma vez que “foi lançado o disco certo” e que acha “altamente improvável” uma edição do material arquivado…

Dream Factory / Camille / Crystal Ball – Prince, 1986 – Esse é um caso muito raro de “álbum perdido” que não é só um álbum, mas sim pelo menos três – e possivelmente sejam cinco ou ainda mais! Tentarei explicar. No início de 1986, Prince e sua banda de apoio The Revolution (liderada por duas mulheres, Wendy Melvoin e Lisa Coleman) viviam um momento de grande colaboração criativa, que alcançou o auge durante a produção de “Dream Factory”. Inicialmente um projeto para um LP de 9 faixas, acabou se tornando um disco duplo, e a febre criativa do trio Prince / Wendy / Lisa era tanta que a listagem de músicas do projeto ia mudando quase que semanalmente. No entanto, as moças estavam incomodadas com o modo como o cara-que-depois-resolveu-assumir-um-símbolo-esdrúxulo-como-nome estava conduzindo as coisas com o The Revolution, incluindo até mesmo não-músicos na banda – o que, convenhamos, não faz o menor sentido. Depois de muita briga, o The Revolution foi dissolvido e “Dream Factory” foi para a gaveta. Não satisfeito, Prince resolveu fazer seu novo trabalho por conta própria: começou a experimentar milhões de idéias, foi misturando-as com coisas das gravações anteriores e teria acabado com nada menos que um álbum triplo, chamado “Crystal Ball” e prontinho para lançar. Por um tempo, diz-se que a idéia era de um disco chamado “Camille”, na qual Prince não apareceria e ao invés dele seria adotada uma personagem com o nome do disco, mas a idéia foi engavetada e absorvida por “Crystal Ball”. Mas a Warner, gravadora do moço, não quis bancar um disco triplo, e Prince foi convencido a reduzir o esquema para um álbum duplo, que depois das necessárias “readequações” foi lançado com o nome “Sign O The Times”. Músicas soltas, oriundas das incontáveis sessões dos dois projetos, foram sendo lançadas no decorrer do tempo, mas nunca foi (e provavelmente nunca será) possível ouvir os dois discos planejados originalmente. De qualquer modo, para Prince a situação não é exatamente inédita: o homem tem pelo menos outros quatro álbuns menos cotados que pararam na gaveta, bem como alguns DVDs e quase 50 videoclips que nunca foram exibidos em lugar algum (!!!)…

Smile – Beach Boys / Brian Wilson, 1966 – Por fim, o VERDADEIRO “álbum perdido” mais importante da história do rock, uma lenda que durou quase quarenta anos e que coloca essa frescura de “Chinese Democracy” no bolso. O Beach Boys tinha acabado de lançar o histórico “Pet Sounds”, e imediatamente começou a compor um novo trabalho, no qual o gênio criativo de Brian Wilson se unia ao de um amigo compositor chamado Van Dyke Parks para a confecção de um ábum que pretendia ser “uma sinfonia juvenil para Deus”. Mas uma série de situações foi tornando cada vez mais penoso o processo de composição e de gravação – os demais músicos da banda, além de não irem muito com a cara de Parks, achavam tudo complexo demais e impossível de ser reproduzido ao vivo. A gravadora também tinha dúvidas se o material seria “vendável”, e junte-se a isso a situação, digamos, especial que Wilson vivia na época – o músico, que desde sempre teve alguns distúrbios mentais, estava mergulhando bonito no LSD, em uma combinação que não tinha muito como dar certo… Entre outras coisas, conta-se que o homem achava que o famoso produtor Phil Spector (o mesmo do “Let It Be” citado acima) queria matá-lo, e que chegou a mandar construir uma caixa de areia em pleno estúdio, para poder brincar um pouco durante as gravações! Em resumo, a coisa degringolou totalmente – e, embora tenha se chegado a fabricar 400.000 cópias de uma capa para o disco (das quais hoje supostamente existem no máximo doze), Parks pediu o chapéu, Wilson continuou viajando no ácido e o projeto acabou sendo abandonado. Em seu lugar veio “Smiley Smile”, um disco confuso e detonado pela crítica. Chegou a se falar em um lançamento de “Smile” em 1972, mas os músicos do Beach Boys logo perceberam que só Wilson conseguiria tirar algum sentido das horas e horas de músicas incompletas, gravações soltas e pequenas vinhetas que restavam das sessões oficiais do disco. Foram 37 anos de espera, o que elevou o disco a um status de lenda quase inacreditável. Faixas foram incluídas em discos subsequentes, outras vazaram em lançamentos não-oficiais, mas apenas em 2004 um recuperado Brian Wilson reuniu-se com Van Dyke Parks, regravou o material, fechou as lacunas e finalmente liberou para o mundo um “Smile” muito próximo do que havia sido planejado em 1966/67. Muitos dizem que o rock teria sido muito diferente se o disco tivesse saído quando originalmente planejado – há até quem diga que “Smile” é melhor que o “Sgt. Peppers” do Beatles, para vocês terem uma noção. Seja como for, hoje em dia temos chance de ter ao menos uma idéia do que ele poderia ter sido – não custa nada dar uma ouvida, portanto.

Ficamos por aqui, senão o post ficará ainda mais gigantesco e bem, enfim. Se gostarem, avisem a gente, que a redação promete uma parte 2 com outros discos que ficaram famosos justamente por não terem sido ouvidos por ninguém – e acreditem, ainda tem muuuuuito disco do qual se poderia falar aqui. Nos vemos por aí, de qualquer modo; até breve.


Deckard Cain, o velho maroto

17/09/2008

Você já jogou Diablo ou Diablo II? Lembra do seu fiel conselheiro no(s) jogo(s), Deckard Cain? O cara que identificava seus itens e lhe dava dicas de como acabar com o malvadão e seus amigos…? Pois é… Aparentemente, quando você saía para as ermas paragens de Sanctuary para lutar contra os mais variados monstrengos, Cain encontrava tempo suficiente para seu hobby, passar trotes.


(Engraçadíssimo esse videozinho. Ele foi feito usando-se as falas do próprio personagem nos jogos. Não se trata de nenhuma grande novidade, mas descobri o vídeo há alguns dias e tinha que compartilhá-lo por aqui. O cara que o fez devia ganhar algum tipo de prêmio. Enfim, algumas observações… “Metal Headpiece” ou “peça-chave de metal” é um item do jogo, necessário para que se produza a “Horadric Staff”, outro item de Diablo citado no trote).

Algum tempo depois, com a derrota de Diablo e seus irmãos, Mephisto e Baal, o bom e velho Deckard Cain ficou meio sem ter o que fazer e chegou a tentar uma carreira no rap…


(O rap do vídeo acima foi realmente cantado – e, em boa parte, escrito – por Michael Gough, o dublador do personagem. Genial!).

Mas eis que a ameaça surge novamente, com a “iminente” chegada de Diablo III (a qualquer momento entre agora e 2035), e Cain voltará a ter trabalho, ajudando o herói a acabar com os nefastos planos dos demônios favoritos dos gamers.


Sisyphus in black

15/09/2008

Não gosto de dar notas funerárias em lugar nenhum. Acreditem, não me senti bem quando escrevi o post da morte do Waldick e do desenhista do Snoopy. E me sinto pior ainda em publicar este post agora pra vocês. Mas o jornalismo é assim, infelizmente.

É com grande pesar que hoje o rei Sisyphus trajou preto, visitou Rick Wright e o levou desta para melhor. O tecladista do Pink Floyd morreu hoje, aos 65 anos, de câncer no pâncreas. Quem deu a primeira notícia foi o The Guardian.

Tomei um choque quando soube do fato. Mesmo que fosse praticamente impossível, ainda tinha uma ponta de esperança por uma nova volta do Floyd, e até uma possível visita dos mesmos no Brasil, para vê-los ao vivo. Poucas bandas mexeram tanto comigo quanto eles, seja com seus ecos ou com suas viagens para o lado negro da lua, sempre do lado de fora do muro.

A mim (e com certeza a todos deste blog) deixamos nossos mais sinceros agradecimentos a Rick, que assim como Syd Barret e os membros ainda vivos, nos ensinou a sonhar acordado.
Assim que conseguir absorver o impacto da morte de um ídolo, posto mais detalhes.
Link da notícia no The Guardian.

Vá em paz, mestre.

Cloudless everyday you fall upon my waking eyes
inciting and inviting me to rise
And through the window in the wall
Come streaming in on sunlight wings
A million bright ambassadors of morning

And no-one sings me lullabies
And no-one makes me close my eyes
And so I throw the windows wide
And call to you across the sky

(Echoes, 1971)


A volta dos “Sound Chasers”

13/09/2008

É com um certo ar de esperança que escrevo este segundo post do dia.
Através do seu site oficial, o Yes confirmou que iniciará turnê de comemoração do 40º aniversário do grupo.

A turnê In The Present estava marcada para começar um pouco antes. Porém, o dadivoso Jon Anderson teve um ataque asmático em junho, e os médicos acharam melhor que o vocalista se preservasse por, pelo menos, seis meses. A princípio, os shows foram cancelados.

Por ora, o grupo vai se virar sem Jon Anderson e sem Rick Wakeman. Este último também foi aconselhado pelos médicos para não fazer longas viagens em turnês, além de estar tocando sua carreira solo. Vai ser substituído no Yes por seu filho, Oliver Wakeman. No caso dos vocais, Chris Squire ficou encarregado disso: achou um vocalista canadense de uma banda tributo do Yes chamado Benoit David. E até Anderson se recuperar (as previsões indicam que ele poderá voltar a cantar já no início de 2009), David estará à frente da cozinha formada por Alan White, Steve Howe e Chris Squire.

O site ProgShine indica uma tendência de que músicas do álbum Drama – cujo vocalista não era Jon Anderson, e sim Trevor Horn – sejam tocadas em shows dessa turnê. De acordo com o site, Squire – único membro que nunca saiu do Yes – tem uma certa simpatia pelo álbum, porém Jon Anderson se recusava a cantar músicas oriundas dele.

Acredito que, sinceramente, se Chris Squire – de quem sou muito fã – fizer uma besteira dessas, vai estar dando um tiro no pé. Nada contra o Drama: é um bom álbum e tem seu valor, ainda mais se levarmos em conta que, assim como hoje, Wakeman e Anderson não mais estavam no grupo, e mesmo assim os remanescentes fizeram um bom trabalho, da altura do Yes. Mas possivelmente esta será a última turnê mundial do Yes, pois a maioria dos membros já atingiu a terceira idade e não possuem mais agilidade e preparo físico para agüentarem viagens e mais viagens por todo o mundo, bem como manter uma postura no palco por duas ou três horas a cada dois dias. Tudo exige preparação, concentração e ensaios. E isso hoje, na idade que os músicos estão, é mais complicado de agregar para uma turnê mundial.

Se Squire fizer isso, vai estar atendendo a um desejo pessoal em detrimento de outras músicas que possivelmente os fãs querem ouvir ao vivo uma última vez. Ele vai ter a coragem de colocar uma Machine Messiah no lugar de uma I’ve Seen All Good People, Roundabout, Yours Is No Disgrace, Starship Trooper, Awaken ou Sound Chaser? Por uma questão pessoal? Acho difícil…

Que ele tome a melhor decisão. O que ele escolher, estará bem escolhido. Até porque, de qualquer forma, se eles vierem para o Brasil, não conseguirei vê-lo da forma que mais queria: de chapéu de barqueiro de gôndolas de Veneza, como ele aparece em um show de 1969 na França, tocando Beyond and Before.
Duvida? Pois confira o vídeo abaixo.

Se bem que o mais engraçado desse vídeo sejam as duas mocinhas apresentando a banda em francês, ambas com vozes engraçadas, e no final gritando “YES!” com a voz mais esganiçada ainda.

Mas buenas, pessoal, o que importa é que o Yes voltou. Iniciará a In The Present no dia 4 de novembro, em Ontário, Canadá.
Torceremos para que passem no Brasil. Será um sonho e tanto para que eu possa realizar.

Abraços a todos.

P.S.: A quem possa interessar, Rick Wakeman lançou um livro onde conta histórias que nunca antes foram contadas em sua carreira. De um homem quem deu um soco no Salvador Dalí no meio de um show, não duvido de mais nada. Ponto importante? Ele vai passar por algumas cidades na Europa para divulgar o livro. Marketing? Está mais do que certo, acredito eu. Vai tocar, vai agradar fãs e vai vender seu livro.
Você pode conferir do que se trata o livro clicando aqui.

P.S.2: Lembrando os desavisados que no vídeo aparece a primeira formação do Yes, que contava com Bill Bruford na bateria, Peter Banks na guitarra e Tony Kaye no teclado, além dos eternos Squire e Anderson.


As cores opacas de Porto Alegre – Parte 1

12/09/2008

Como prometido, aqui vai a minha história sobre o show do Living Colour em Porto Alegre.

Abril de 2004. Nada de muito interessante acontecia. Este escriba aguardava a matrícula pra faculdade no segundo semestre do ano – o que, ao mesmo tempo, significava férias prolongadas por oito meses. Quase trinta dias antes, havia perdido, naquele momento, o show da minha vida: Jethro Tull em Porto Alegre. Impossível para um cidadão que ainda não havia ingressado no mercado de trabalho arranjar 100 pila pra um mísero ingresso de platéia alta no Teatro do Sesi (ainda mais quando os pais achavam que gastar essa grana em um show era um absurdo). Quando havia surgido uma chance mágica caída do céu de conseguir 200 reais através de uma campanha publicitária do Universitário, pasmem: os ingressos esgotaram. Em cinco dias. De 10 a 15 de março. O show seria dia 22. Deus, como aquilo doeu! Mas, como dito em outro post, a vida seguia.

Passaram-se alguns dias e surgiu a notícia de que o Living Colour estava vindo para o Brasil. “Esse não vou perder nem que chovam canivetes!”, pensei. Ingresso a 25 reais, bem baratinho. Bons tempos que os ingressos em Porto Alegre eram baratos. Para se ter uma idéia, em 2002 o Nightwish tocou no Opinião por 25 reais cada entrada. Em 2004, esse preço subiu 220% – ou, trocando por gajos, para 80 reais! A Rita Lee dava pra assistir no Teatro do Sesi por 40 reais a platéia baixa (ingresso mais caro). Hoje você paga 70 reais e olhe lá. A crise, irônica e meta-ironicamente, atingiu os artistas…

O show seria realizado no Gigantinho, dia 24 de abril, às 21h. Até aí tudo bem: apesar da acústica do Gigantinho servir mais para desgastar o ouvido do que melhorar o som, ao mesmo tempo que o lugar NÃO SERVE para comportar um espetáculo grande – e o Iron Maiden esse ano provou isso de forma cabal – a tendência era de bom público. Afinal, o Living Colour surgira na década de 80, era apreciado por muitos da imprensa musical mundial e tinha muitos fãs no Brasil. O próprio baterista Will Calhoun disse que os admiradores que mais clamaram pela volta da banda foram os brasileiros.

Nem o fato das bandas de abertura nada terem a ver com o Living Colour abalou minha convicção, apesar de ter deixado algumas farpas no cérebro. “Como assim?”, mentalizo vocês perguntando. Ora, caro leitor. Você que leu o post sobre o quarteto, informou-se um pouco mais, ouviu a música deles e definitivamente concretizou a existência deles em sua cabeça, responda: se você fosse produtor desse show, colocaria o Diretoria e o TNT para abrirem o espetáculo? Pois é, nem eu. E se você quer saber do porquê desses dois grupos terem tocado na abertura do Living Colour, tem uma explicação bem plausível e possível, senão verdadeira: o show estava sendo apoiado e patrocinado pela Atlântida. Isso lembra uma certa gravadora, que por pura coincidência, tinha contrato com o Diretoria e o TNT. Lembre-se, caro leitor: a crise chegou nos artistasE nas produtoras também. Bem como nos patrocinadores!

Os ingressos foram vendidos nas lojas Colombo dos dois maiores shoppings da capital na época. Divulgação na TV? Praticamente inexistiu. Jornais? Uma ou outra coisinha. Rádio? Aí não sei responder, não ouvia e não ouço a Atlântida. Alguns amigos comentaram que a divulgação na rádio começou dia 20 de abril, ou seja, quatro dias antes do show. Qualquer impressão de desmerecimento não é mera coincidência.

Em meio a esse cenário cinza da publicidade, o anúncio mais vigente eram os outdoors em Porto Alegre informando sobre o show. e estava escrito bem assim:
Lojas Colombro e Rádio Atlântida apresentam: LIVING COLOUR – A MAIOR BANDA DE RAP ROCK FUSION CHEGA A PORTO ALEGRE!

Rap Rock Fusion… Que diabos é Rap Rock Fusion? Alguém sabe me explicar?
Pois agora imagine, caro leitor: sabemos que Porto Alegre é uma capital que geralmente não tolera diferenças. Ou você é colorado ou é gremista. Ou você é de esquerda ou de direita. Ou é maragato ou é chimango. Ou é roqueiro ou é reggaeiro. Meio-termo? Não, não existe esse vernáculo no vocabulário de alguém que se criou em Porto Alegre.
Pois bem, um cidadão porto-alegrense que veja esse cartaz na rua certamente não vai entender lhufas do que é Rap Rock Fusion. Mas certamente o primeiro sentimento vai ser de repúdio. De ojeriza. Elementar, meu caro Corey. Como dois estilos completamente distintos podem se fundir? Sem falar que Rap + Rock normalmente dá a entender que o Living Colour poderia ser comparado com bandas como Limp Bizkit e Linkin Park.
Resultado final: os publicitários que cuidaram dessa divulgação certamente não sabiam o que divulgar da banda. E fizeram qualquer coisinha.

Mas parando um pouco de ser ranheta e voltando para as desconfianças na véspera do show: comprei meu ingresso. Vinte e cinco reais bem gastos. Olho para o número do mesmo (nota do redator: procurei o ingresso aqui em casa dentro de uma pasta, mas não o encontrei. Por isso, vai ficar a informação inexata aqui). Algo entre 140 e 150, pelo que eu lembre. Fico preocupado: só isso de ingressos vendidos? Entro na internet e falo com alguns amigos. Um deles comprou o ingresso em outro lugar. Número 96. Somando, não chegaria a 300 pessoas. Das duas uma: ou estavam pra comprar os ingressos em cima da hora, ou o show seria um fiasco de público. Ou talvez aquela numeração nada tivesse a ver com a quantidade de ingressos vendidos. Conversando com alguns conhecidos que só tinham ouvido ou nunca tinham ouvido falar da banda, apostava mais na segunda opção.

Mesmo assim, ficava um tanto satisfeito com o quarteto chegando a Porto Alegre. O setlist me animava mais ainda: só clássicos da banda. Type, Cult of Personality, Glamour Boys, além de algumas improvisações e covers, como Back in Black, Seven Nation Army e Crosstown Traffic. Os quatro ainda tinham ido no programa do , que acabei não assistindo (por sono e pra não estragar a surpresa do show).

Até que chegou o grande dia 24 de abril de 2004. E chegavam as quatro horas da tarde. Banho, uma roupa leve e o ônibus até o Parque da Marinha. Depois, meia hora de caminhada até o Gigantinho.

O resto dessa história?
Em menos de uma semana, a parte 2 (isso, claro, se ela tiver audiência).

Abraço a todos.


Mamma mia!

05/09/2008

Desde sua memorável entrada no ambiente cibernético dos existentes (não que algo só exista depois de ser criado, mas isso é uma discussão filosófica que vai além da profundidade proposta pelo meu estômago), o COWABANGA! tem a terrível mania de prometer e não cumprir. Pois bem, muitos dirão que isso já é algo inerente à raça humana. Vide os nossos amados candidatos que nos enchem de folhetos inúteis pelas ruas e se enredam cada vez mais em propostas que seus grilinhos falantes enlouquecem gritando aos seus ouvidos: “Você sabe que não vai fazer isso!”.

Por mais que pareça absurdo, nem sempre este aspecto é negativo (CALMA! Não estamos lançando nenhuma candidatura e nem pleiteamos a vaga de prefeito ou vereador!) – pelo menos para um blog de Cultura Pop. Alguns assuntos esperam a hora de serem analisados… outros nascem prematuros. No caso do tema de hoje, quase morreu por falta de contrações suficientes para expelí-lo do útero, mas finalmente veio à luz.

Apesar da comparação possivelmente escatológica, nosso assunto é apreciado pela esmagadora maioria dos componentes da sociedade ocidental. E, ao contrário da política (e creio eu que do parto também), cheira bem! Se a essa hora você já está de saco cheio de ler isso e gritando internamente: “Ma cosa sta dicendo, caspita?!!”, saiba que foi pelo caminho certo! O COWABANGA! (chiquééérrimo) enviou uma correspondente diretamente para a terra do Padrino para tratar de um assunto que envolve muito tomate e muzzarela. Quindi, parliamo della pizza!

Como quase tudo na história do mundo (inclusive o homem), ninguém sabe ao certo quando, onde e como ela surgiu. Adoradores de um lead perfeito surtariam com essa imprecisão, mas dizem por aí que pode ter sido pela Grécia, Egito ou Babilônia… algo entre cinco e seis mil anos atrás. O que importa é que a pizza foi parar na Itália, e depois disso estendeu seus tentáculos pelo mundo. Aliás, será que existe pizza de polvo?

Inicialmente, como muitos dos pratos mais gostosos que comemos, a massinha assada de trigo com água era comida de pobre… a napolitana picea. Não sei como essa concepção mudou (a senhora idosa que foi minha vizinha durante um mês da minha experiência gringa não era tão velha assim e não soube me contar), mas talvez seja por isso que é tão bom comer pizza com as mãos. Herança inconsciente, talvez. O fato é que o prato foi incrementado e hoje existe pizza de quase tudo. Até, sim, polvo. Ao menos creio eu.

No Brasil, a fissura por cobrir a pizza com os mais variados ingredientes é tanta que a gente até se decepciona quando vem aquela com tomate e queijo. Quase ninguém se satisfaz com a famosa Margherita. Estou enganada? Pois na Itália ela é a preferida, e pizza que é pizza precisa só de MUITO molho de tomate (de verdade, não extrato) e muzzarela. É claro que existem coberturas, mas são muito mais comedidas que as daqui.

E o mais legal é o seguinte: se bateu a vontade de mangiare uma bella pizza, você não precisa comprar uma baita circunferência. Vai numa pizzaria que vende pizza al taglio (em pedaços) e escolhe o sabor. Assim é fácil levar Cultura Pop pra casa, né?! Barato e gostoso. Se está sem idéias para a janta, deixe o COWABANGA! te inspirar… Aliás, acho até que vou indicar este post para o programa da Ana Maria Braga. Mangia che te fa benne!!