It’s magic, we don’t have to explain it #2

O COWABANGA! volta à ação com a segunda parte de nossa série a respeito das mais polêmicas – ou piores – histórias da história do Homem-Aranha nos quadrinhos, selecionadas arbitrariamente por nosso comitê (de uma só pessoa). Hoje é a vez de…

Capítulo Final

Nos primeiros anos após a famigerada Saga do Clone, o Espetacular Homem-Aranha até teve algumas boas histórias, mas nada de realmente… ahn… espetacular. E as vendas – sempre elas – não se encontravam num patamar dos mais “saudáveis”. Procurando dar uma sacodida nas HQs do herói, a Marvel resolveu fazer um reboot, dar início a uma nova fase, zerando dois dos títulos do herói e cancelando outros dois. Pra arrumar a casa antes do recomeço, veio a história Capítulo Final, cometida… digo… idealizada pelos roteiristas Howard Mackie e John Byrne, os dois principais responsáveis pelo iminente reboot. A saga foi publicada em novembro de 1998, nas revistas Amazing Spider-Man #441, Peter Parker: Spider-Man #97, Spectacular Spider-Man #263 e Peter Parker: Spider-Man #98.

Nas histórias anteriores, Norman Osborn havia conseguido limpar seu nome e fazer todos acreditarem que ele não era o Duende Verde. O vilão passou, então, a agir mais nos bastidores, a la Rei do Crime (ou Lex Luthor), manipulando das sombras a vida de Peter Parker a fim de torná-la o mais infernal possível. Sedento por poder, resolveu tomar parte da Reunião dos Cinco, ritual mágico que concederia a seus participantes um de cinco dons diferentes: imortalidade, sabedoria, loucura, morte e poder supremo.

É em meio a esse ritual, que começa Capítulo Final. Osborn aparentemente fica com o dom do poder e parte para colocar em movimento seu plano para acabar definitivamente com o Homem-Aranha. Enquanto isso, Alison Mongrain, antiga empregada de Osborn que havia raptado a filha de Peter e Mary Jane – ou o corpo da filha de Peter e Mary Jane – foge do vilão Magma (lobotomizado por Osborn) e procura os Parker para lhes contar um terrível segredo. Pouco antes de ser morta por Magma, Mongrain consegue falar com Mary Jane. May está viva.

Pensando tratar-se de sua filha, a pequena May, o Aranha vai à propriedade de Osborn em busca de respostas e confronta o vilão, agora, usando novamente seu traje de Duende Verde. O cabeça-de-teia consegue vencer o bandido – baita “poder definitivo”, hein, Osborn? – e encontra May. Mas… Rá!!! Pegadinha do Mallandro! Não é a May que todos esperávamos. É a Tia May! A Tia May que havia morrido durante a Saga do Clone, em Amazing Spider-Man #400, talvez uma das melhores e mais emocionantes HQs do teioso em todos os tempos, uma das mortes mais bem executadas e mais bem aceitas (pelos fãs) na história dos quadrinhos.

Aparentemente, os autores Byrne e Mackie colocaram em suas respectivas cabeças que precisavam da velha May de volta para o seu “glorioso” reboot – que acabou sendo um belo de um fracasso, diga-se de passagem. Até aí, tudo bem. Afinal, em gibis, quem é morto sempre aparece. E desfazer, invalidar, “retconear” histórias antigas é a coisa mais comum do mundo. O grande problema é a explicação absurda, vergonhosa e ridícula encontrada pelos roteiristas para a volta da Tia May. Sério! Até hoje, o comitê mal consegue acreditar que escritores profissionais tiveram essa idéia e que ela foi aprovada por uma editora (supostamente) séria como a Marvel. Bom… Chega de suspense. Apresento-lhes, então, uma das piores idéias da história da ficção moderna!

Na verdade, quem havia morrido no lugar de May Parker durante a Saga do Clone havia sido uma atriz. Isso mesmo, uma atriz moribunda contratada por Norman Osborn somente para fazer Peter Parker sofrer. Para ficar igual a Tia May, ela havia sido geneticamente alterada (e ensaiado muito). Pôde assim, despedir-se do mundo com seu último grande papel, interpretando a Tia do Homem-Aranha em seus momentos finais. Genial!

E quem revela tudo isso ao teioso é o próprio Osborn, após dar uma surra no Aranha e fazer uma demonstração de suas novíssimas bombas de DNA, capazes de degenerar e matar inúmeras pessoas em pouquíssimo tempo. E tem mais um detalhe: a Tia May tem, alojado em seu cérebro, um pequeno objeto que está lhe matando aos poucos. Se o objeto for retirado, acionará bombas de DNA do Duende Verde espalhadas por diversos locais. Mas May já está a caminho da mesa cirúrgica de Reed Richards, o Sr. Fantástico, para ter removido o corpo estranho de seu crânio. E agora, Homem-Aranha?

Agora, vem a batalha final! Duende Verde e Homem-Aranha lutam em frente ao Clarim Diário e quem vence a contenda é… o Duende! Ele desmascara o aracnídeo e o mata em frente a vários de seus amigos e conhecidos. É o fim do herói…

Ou não. A vitória de Osborn não passava de uma alucinação sua. Aparentemente, durante o Ritual dos Cinco, o dom concedido a ele não fora o poder absoluto, mas a loucura. O Aranha era quem havia realmente saído triunfante na “batalha final” entre os dois. Tudo certo, então? Não. O prédio do Clarim, danificado durante a luta, está prestes a cair e cabe ao nosso herói utilizar toda a sua força para mantê-lo de pé até que as autoridades entrem em ação. Além disso, o teioso ainda tem que correr para avisar o Dr. Richards que o objeto na cabeça da Tia May é um gatilho para as bombas de DNA de Osborn. No fim das contas, Richards consegue desativar o objeto e tirá-lo do cérebro de May de forma segura. Peter, por sua vez, resolve deixar de ser o Homem-Aranha (pela 43ª vez) e dedicar-se mais à família. Fim da história.

Analisemos, então, o saldo final. Norman Osborn por trás de tudo, como de costume. Rituais místicos obscuros. “Ressurreição” de uma personagem cuja morte tinha funcionado muitíssimo bem. A explicação mais tosca possível pra “ressurreição”. Dois velhos clichês idiotas: a) vilão contando todo o seu masterplan para o herói; b) parte do que o leitor viu não passava de sonho/alucinação. Bombas de DNA capazes de transformar pessoas em geléia orgânica inanimada. Peter desiste (temporariamente) de ser o Aranha, como de costume. Incoerências cronológicas diversas.

É… Acho que não foi uma história muito boa. Ainda assim, o maior problema do comitê (de uma só pessoa) com ela é justamente a solução ridícula utilizada para trazer a Tia May de volta. Se não fosse por esse “pequeno detalhe”, muito provavelmente, Capítulo Final nem mesmo entraria nesta nossa série sobre as piores HQs do cabeça-de-teia. Pois é… Uma atriz geneticamente modificada… UMA ATRIZ!

Bom… Semana que vem, continuamos com Pecados Pretéritos.

Mais It’s magic, we don’t have to explain it:
– Parte 1.1: Saga do Clone
– Parte 1.2: Saga do Clone (continuação)
– Parte 3: Pecados Pretéritos
– Parte 4: O Outro
– Parte 5: Um Dia a Mais

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