It’s magic, we don’t have to explain it #4

Parte 4 da série a respeito das mais polêmicas – ou piores – histórias do Homem-Aranha, segundo a avaliação de nosso comitê (de uma só pessoa). Nesta semana, falaremos de…

O Outro

O Homem(-Aranha) Vitruviano

Logo que J. Michael Straczynski assumiu o posto de escriba da principal revista do cabeça-de-teia, Amazing Spider-Man, já começou com seu blá-blá-blá místico e totêmico. Em suas histórias, JMS revelou que Peter Parker não ganhara seus poderes por acaso. Eles estavam ligados ao totem-aranha e, antes de Peter, sempre houvera outros como ele, dotados de habilidades aracnídeas. Mas também havia inimigos naturais daqueles ligados ao totem, seres que se nutriam de suas forças vitais, como Morlun, um dos principais vilões do início da fase Straczynski.

É em O Outro que toda essa baboseira totêmica do Straza atinge seu clímax. A saga foi publicada nos EUA de outubro de 2005 a janeiro de 2006, espalhando-se pelos três títulos regulares do Aranha: Friendly Neighbourhood Spider-Man (#1-#4), Marvel Knights Spider-Man (#19-#22) e Amazing Spider-Man (#525-#528). Nos três primeiros meses, cada um dos roteiristas das revistas-aranha escrevia todas as três publicações daquele mês e, no quarto mês, cada um escrevia uma parte da conclusão na sua própria revista  – parece bem confuso, mas não é tanto assim.

No início da história, roteirizado por Peter David, surge um novo vilão, o Rastreador, que entra em conflito com o Homem-Aranha. Nas sombras, Morlun – supostamente morto em seu primeiro encontro com o teioso – espreita. Ferido em batalha, nosso herói procura ajuda médica e os diagnósticos acabam por apontar que há algo de errado com a fisiologia de Peter. No segundo ato de O Outro, cometido por Reginald Hudlin, o teioso vai atrás de ajuda na comunidade super-heróica e é analisado por grandes gênios científicos como o (alter ego do) Hulk e o Pantera Negra. Aparentemente, suas células estão degenerando-se devido ao seu sangue irradiado, mas ninguém consegue explicar por que ou pensar numa maneira de reverter o processo. O Homem-Aranha resolve, então, procurar ajuda mística com o Dr. Estranho, que simplesmente anuncia que o cabeça-de-teia irá morrer. E isso é tudo de relevante que ocorre em 4 edições, 88 páginas e mais de um mês de quadrinhos do Aranha: ele descobre que está doente e irá morrer (e o leitor descobre que Morlun está vivo). Santa descompressão narrativa, Bátimã!

Bom, pelo menos nos próximos números teremos mais ação e coisas realmente acontecendo. Isso só pode fazer com que a história melhore, certo? ERRADO! O que vem a seguir é uma da idéias mais absurdas que já se viu num gibi do Aranha… Peter decide invadir o laboratório do Dr. Destino na Latvéria e usar a máquina do tempo do vilão para voltar ao passado e, de alguma forma, impedir a si mesmo de ganhar os poderes de Homem-Aranha. Para a missão, leva consigo sua esposa, Mary Jane, e a Tia May, ambas vestindo velhas armaduras de Homem de Ferro. Sério… Tia May e Mary Jane de armadura lutando contra robôs do Dr. Destino…? O que é isso? Voltamos à Era de Prata?

No fim das contas, a viagem no tempo não dá muito certo. De volta ao presente, Peter eventualmente se vê cara a cara com Morlun, que quer sugar a essência vital do herói antes que ele morra. Enfraquecido por sua “doença”, o Aranha é presa fácil para o vilão, que o espanca, deixando-o sem ação, à beira da morte. Mas a polícia e outros heróis chegam antes que Morlun  possa fazer sua “refeição”. No entanto, ele não sai sem antes fazer um aperitivo. Literalmente. Antes de fugir, o bandidão arranca e devora um dos olhos do cabeça-de-teia. Hummmm! Delícia!

No ato três, escrito por Straczynski, o Homem-Aranha, inconsciente e quase morto, é levado a um hospital. Lá, enquanto Mary Jane está com o herói caído, Morlun ressurge. Ela vai pra cima do vilão, que revida. Peter desperta para protegê-la e, repentinamente, ataca Morlun com selvageria, agindo mais como aranha do que como homem. Espécies de estacas/ferrões saem de seus ante-braços (desde quando aranhas tem ferrões!?) durante a luta e, no fim das contas, o herói mata o vilão, consumindo sua essência, e, logo depois, cai morto nos braços de MJ.

Mas não pára por aí, o cadáver do Aranha é levado para o lar dos Vingadores, a Torre Stark. Ele é deixado de lado por um tempo e quando é checado novamente, só há uma casca vazia. O verdadeiro corpo do herói saiu de dentro da própria pele e agora está se regenerando dentro de um casulo de teia em algum lugar de Nova York. Dentro do casulo, Peter tem sonhos estranhos, é levado a confrontar o totem-aranha e a aceitar sua “aranha interior”. Ele percebe que seu potencial não vinha sendo completamente aproveitado porque sua metade humana oprimia sua porção aranha – que havia sido responsável por salvá-lo de Morlun. O Homem-Aranha emerge de lá e volta para sua família e os Vingadores, que vinham procurando-no incessantemente.

No ato final, descobrimos que o cabeça-de-teia ganhou um novo corpo, sem quaisquer cicatrizes (até mesmo sem qualquer sinal de sua velha apendectomia). E, enquanto a Torre Stark está vazia, várias aranhas se apoderam do local e da velha carcaça de Peter, gerando um novo corpo formado inteiramente por aranhas. O estranho ser, o tal Outro do título, tem uma breve altercação com Peter – durante a qual, seus “ferrões” manifestam-se novamente – e foge para uma igreja, onde vai para dentro de um casulo semelhante aquele em que Peter esteve. O Aranha e o Outro encontram-se novamente e, após um bate-papo totêmico esquisito, o bicho foge mais uma vez.

Mais tarde, o teioso vê-se em uma situação de perigo e acaba descobrindo seus novos poderes. Além dos ferrões, Peter agora tem uma espécie de visão noturna, pode sentir vibrações distantes através de sua teia e pode prender-se às paredes com diferentes partes de seu corpo.

Fim.

O Outro teve muito marketing e chegou a alcançar sucesso comercial, mas a (falta de) qualidade da história foi alvo de duras críticas na época de sua publicação. A saga tem diversos problemas, sendo o principal a inconsistência dos roteiros e desenhos. O que deveria ser meio óbvio, afinal foi escrita por três caras diferentes e desenhada por três caras diferentes – sendo um deles (Pat Lee), muito ruim. Entretanto, os roteiristas e editores deveriam ter trabalhado de forma mais integrada para evitar as diversas incoerências ao longo das HQs. E provavelmente poderiam ter sido selecionados desenhistas com estilos não tão destoantes para a saga. Além disso, diversas partes se arrastam demais, enquanto que algumas situações são resolvidas muito rapidamente. E muitas das próprias idéias da trama são simplesmente ruins. Por exemplo, a esposa e a tia velha de armadura, olho devorado, os “ferrões” e o próprio papo místico/totêmico (que não combina lá muito com o personagem). Tanto que o blá-blá-blá místico e os próprios novos poderes foram sumariamente ignorados durante a maior parte do tempo desde o fim de O Outro.

O melhor a vir dessa saga foram mesmo as capas alternativas do já saudoso Mike Wieringo, retratando várias versões do Aranha.

Capas variantes, por Mike Wieringo

Em breve, o gran finale de nossa série com Um Dia a Mais

Mais It’s magic, we don’t have to explain it:
– Parte 1.1: Saga do Clone
– Parte 1.2: Saga do Clone (continuação)
– Parte 2: Capítulo Final
– Parte 3: Pecados Pretéritos
– Parte 5: Um Dia a Mais

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Uma resposta para It’s magic, we don’t have to explain it #4

  1. webinar tool disse:

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