A música pelo mundo – Parte 2

09/03/2009

A cena psicodélica do Zâmbia

Se há uma coisa que me irrita deveras é a falta de vontade de alguns indivíduos ditos “intelectuais” e que “sabem tudo” em conhecerem a cultura africana, que muitos deles teimam em dizer que não existe. Tartufice pura! Não só existe como possui coisas boas. Só um pouco de boa vontade pra descobri-las. E uma delas vamos comentar hoje.

Vou jogar as informações no ar pelo que eu pesquei há algum tempo. Durante os anos 70, alguns discos de rock chegavam em países africanos, seja por parte dos remanescentes da neocolonização, seja por parte do exército, ou pra comércio mesmo. Nesse meio tempo, houve uma explosão de rock psicodélico, mais precisamente no Zâmbia. Duas bandas se destacaram: o The Peace e o Amanaz.

Não se sabe ao certo quando o The Peace lançou seu álbum Black Power. Sabe-se que foi nos anos 70, mas não sabem precisar o ano. A banda surgiu na cidade de Ndola, na província de Copperbelt, uma importante zona de minério do país (Copperbelt, aliás, significa “cinturão de cobre”, devido à abundância do minério nessa região).
Segundo os boatos, a banda teria se formado no cerne da aeronáutica do Zâmbia, mas não se sabe até onde isso é verdade. O que se sabe é que, antes de se tornar The Peace, a banda teve outro nome anteriormente: The Boyfriends.

Ao gravarem o disco, os quatro componentes (suponho que sejam quatro) prensaram quinhentas míseras cópias do álbum, que depois se espalhou pelo mundo. O som da gravação é abafado, e com alguns ruídos, talvez devido ao equipamento precário do estúdio na época. Mas nota-se claramente arranjos de qualidade, muito bem elaborados.

Não se sabe que fim levaram os integrantes do grupo. A bem da verdade, descobri apenas o nome do produtor do álbum, que se chama Edward Khuzwayo. Infelizmente, as fontes do álbum são bem escassas. Em breve, posto link pra vocês baixarem. Desde já, recomendo.

Já o Amanaz surgiu da união de diversas bandas locais, em Kitwe, no norte do Zâmbia. Lançaram um único disco também, o Africa, em 1973. Há quem diga que o som deles é semelhante ao som do trio BLO, que surgiu na Nigéria. Eu respeito opiniões, mas discordo veementemente. O grupo parece ter um som mais encorpado que o The Peace, e algumas músicas até são cantadas em idioma nativo, o Bantu. A guitarra surge muito bem nas canções, e as batidas percussivas, bem como os arranjos de cordas, lembram muitos elementos africanos.
Recomendo também esse Africa.

E desde já, peço desculpas pelo atraso do post e pela pesquisa limitada, mas banda obscura é assim mesmo: difícil pra cacete de encontrar informação.

Assim que achar, posto links de downloads dos álbuns pra vocês.

Por ora é isso.
Um abraço!


Esclarecimento

08/03/2009

Amigos,

Peço desculpas para vocês por não ter feito o prometido post sobre rock africano, prometido pra quarta passada, dia 4/3. Tive alguns contratempos e não consegui escrever o que precisava.

Prometo, até amanhã de noite (dia 9/3) este post.

Aguardem.


A música pelo mundo – Parte 1

01/03/2009

Antes de qualquer texto longo e altamente criticado (lembrem-se das nossas raízes, crianças), quero fazer um grande agradecimento ao amigo Diego, um dos editores da ProgShine, que se lembrou da gente na indicação ao Prêmio Dardos. Desde já, muito obrigado, meu velho.
Gostaria de avisar, também, que assim que entrarmos em consenso, listaremos aqui os 15 sites que indicamos para o mesmo prêmio. Em alguns dias, sairá o post com os nossos preferidos.

Sem mais delongas, já que as férias de faculdade acabaram, vamos ao que interessa.

Responda sem pestanejar: qual seu artista musical africano preferido?
– Ah, é o… Africano?

Não sabe? Tudo bem, vamos facilitar. Na música celta, quem é seu artista preferido?
– Ah, essa é… Celta?

Tudo bem, tudo bem. Que tal mariachis? Ou artistas hindus? Ou um progressivo romeno? Ou…

Vejam quantas variações musicais citamos aqui. E poderíamos citar muito mais.
Música é uma cultura, uma linguagem universal, algo que unifica vários indivíduos, independente da nacionalidade deles. Um japonês pode cantarolar uma canção brasileira sem saber o português e se sentir tocado por ela. Assim como ouvimos o rock britânico e/ou norte-americano, muitos com letras sem sentido, e nos sentimos tocados com as belas melodias ecoadas em nossos fones ou caixas de som.

A bem da verdade, música é produzida a todo e qualquer momento no mundo, e vai continuar assim, até o final dos tempos. A ampla gama de possibilidades em compor música permite isso. O que fica impossibilitado é conhecer todas essas variações culturais da música composta no globo terrestre. Mesmo que a tecnologia tenha ajudado a aprimorar os meios de comunicação e pesquisa de bandas e artistas obscuros, muita gente não sabe nem por onde começar uma procura por esses artistas. Some isso à ampla divulgação de álbuns engendrados por artistas de grandes indústrias fonográficas, tanto em rádios quanto em propagandas e revistas do gênero, e temos aí o pecado mortal do detrimento e rebaixamento desses estilos musicais variados, em prol do cânone de Universais EMIs, BMGs, SomLivres e Orbeats da vida. E a alienação estará armada.

Pois bem, em virtude disso, escreverei durante o mês uma série de posts sobre os mais diversos artistas e bandas musicais espalhados pelos mais obscuros pontos da litosfera social. A princípio, começarei com bandas de rock africanas dos anos 70 (não serão muitas). Depois pretendo partir pelo rock argentino dos anos 80 e 90 (minha linha de pesquisa atual). E depois, veremos.

Pretendo publicar dois posts por semana, um sempre na quarta ou quinta-feira, e outro no final de semana. Essa é uma forma não só de manter uma periodicidade aqui, como também de me regrar em escrever estes posts (sim, estou aprendendo só agora a usar agenda).

Por ora, este post será apenas para avisá-los da ideia e para avisar que ainda estamos vivos, apesar da preguiça em publicar algo novo aqui. Mas como diz o velho ditado, o Cowabanga tarda, mas não falha!

É isso, pessoal.
Até quarta-feira, então, neste mesmo canal!