Was it a car or a cat I saw?

21/01/2010

Como estamos em clima de retomada de atividades, e como esse clima não combina com posts gigantes que só gente com muita bondade no coração de fato lê até o fim, resolvi marcar o meu retorno ao Cowabanga com um post não apenas curtinho, mas que também aponta para o infinito e além. OK, eu explico. É que, nessa humilde postagem que você lê pacientemente nesse exato momento, vou expor nada menos que três assuntos que renderiam, cada um deles, um post individual –  o que possivelmente aconteça de verdade, num futuro próximo. Não bastasse isso, vou terminar o post juntando milagrosamente todos eles em uma coisa só. E vai fazer sentido! Duvida, infiel? Pois então sigam-me os bons, porque lá vai!

Primeira coisa que merece um post: Weird Al Yankovic. Se você leu esse nome e pensou algo do tipo “tá, mas quem é esse cara?”, saiba que os Espíritos que governam a Cultura Pop estão nesse exato momento gritando FAIL para você. Pois nosso chapa Weird Al é um dos maiores gênios pop que existem, um cara que engole as pérolas e dejetos da indústria cultural e transforma tudo em humor da mais alta qualidade. Mais do que paródias, as músicas e videoclips do cara são reinvenções, releituras engraçadíssimas de sucessos e clássicos da música internacional. Vá no YouTube e procure vídeos como “Like A Surgeon” (versão de “Like A Virgin” da Madonna), “Eat It” (hilária reinvenção de “Beat It” do Michael Jackson) e “The Alternative Polka” (medley onde entra de Nine Inch Nails a Beck e Sheryl Crow) para ter uma vaga ideia de tudo que estava perdendo. Não coloco os links aqui como uma punição a vocês, mesmo – nada de hyperlinks, deixem de preguiça e vão atrás.

A segunda coisa é Bob Dylan. Se nesse momento você pensou “OK, e esse cidadão, quem é?”, então seja bem-vindo, amigo/a recém chegado de Marte. Tentar resumir em poucas linhas um cidadão que, munido apenas de um violão, uma gaita e letras sublimes, reinventou a música popular como a conhecemos e influenciou todo mundo que se possa imaginar, é um exercício absoluto de futilidade – de modo que fica apenas a citação do nome, que a ideia sobre a obra do cara tenho certeza que vocês conseguem concatenar muito bem.

A terceira e derradeira coisa: palíndromos. Vocês sabem, aquelas frases marotas que, lidas ao contrário, resultam na mesma coisa que no sentido normal. “A diva em Argel alegra-me a vida”, “Amor, ata-me, mata Roma!”, “Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos!”, essas coisas. Pode parecer uma bobagem sem sentido, mas existem palíndromos em livros, lápides e, vejam só, até no Canal do Panamá! Não é bem cultura pop, mas rende um post bem bacana – quem sabe no meu blog pessoal, talvez (não dava para perder a chance do merchã, me desculpem)…

Por fim, como prometido, o passe de mágica, que atende pelo singelo nome “Bob”. Trata-se (vocês adivinharam) de um clip do Weird Al Yankovic, feito em homenagem a Dylan e parodiando o vídeo de “Subterranean Homesick Blues” (uma obra de arte, a música e o vídeo original). Como as letras de Dylan costumam ser complexas, cheias de metáforas e sentidos ocultos, Weird Al teve uma engenhosa ideia na hora de escrever a letra da sua canção-paródia-homenagem. Percebendo que o primeiro nome de Dylan (Bob) é um palíndromo, Weird Al Yankovic decidiu (arrá!)… Fazer uma letra exclusivamente com palíndromos! O resultado, pleno de genialidade em todos os sentidos, vocês podem conferir abaixo. Com vocês, “Bob”:

Então tá. Por hoje é só, pessoal. Nos vemos por aí, e foi um privilégio ter estado com vocês.

Anúncios

Mestre de todos os sortilégios!

19/01/2010

Não sei bem quando as coisas começam a se tornar cultura pop. Talvez seja um processo longo e vagaroso de assimilação em massa. Mas algumas “atrações” são rápidas e meteóricas, também. Um exemplo disso pode ser a Lady Gaga, eu acho. Quer dizer, quem há um ano sabia da existência daquela pessoa anêmica, de peruca e roupas estranhas? Enfim… o fato é que provavelmente a passagem seja marcada pela aparição na TV. Ao menos é assim que muita gente descobre a mesma coisa ao mesmo tempo. Quando você liga a telinha, a probabilidade de milhares de brasileiros estarem vendo justamente a mesma coisa que você é altíssima. E isso não é nenhuma novidade. E por mais que ele seja o eterno príncipe negro das noites de domingo, o mestre de todos os sortilégios, foi assim que também aconteceu com Leonard Montano. Éééé Mister M…! Este homem hipnotizou os telespectadores do Fantástico ainda no final do último milênio. Com sua horrenda mascarazinha preta, trouxe a público o que todos sempre quiseram saber: os truques dos ilusionistas. Mas peraí, poder paranormal não existe? A mulher não é cerrada? A carta não passa para o outro lado do vidro? E droga! Não é possível transformar papel comum em dinheiro? Em 1999, o Brasil todo descobriu que a resposta para todas estas perguntas é: Não! Se você acreditava, você é um estúpido! (crianças, é mentira, estou usando de frases de efeito para convencer a fraca mente dos adultos. Qualquer dúvida, é só falar com o Papai Noel que ele confirma tudo). Agora ok, eu sei que você não acreditava em nada daquilo. Nem eu. Mas a curiosidade matou um gato. E o Mister M fez o maior sucesso sacaneando os demais ilusionistas do mundo. Isso há mais de uma década. Mas a alegria durou pouco, os truques se esgotaram e o americano de Los Angeles foi-se embora da rede de televisão provavelmente mais assistida do Brasil. Mas rá! Quem é vivo sempre aparece! E eu fui descobrir somente neste final de semana que o mestre de todos os sortilégios aparece desde 2007 no programa Tudo é Possível, da Ana Hickman, na Record (apesar de a tentação por criar mais um post com comentários eternos, não tecerei minhas opiniões sobre as belas da RedeTV. Mesmo pq, também, ela não é da RedeTV). A diferença agora é que se você acertar como é que o cara vai resolver a mágica, você ganha um MP3. Claro, não é tão simples… você tem que ignorar seu senso de ridículo e estar ao vivo na platéia do programa. Isso sim é cultura pop! COWABANGA! Mas eu escrevi até aqui 434 palavras só pra dizer o seguinte: Mister M é o cara! Anos e anos depois, mesmo já tendo visto a resolução de uma incrível variedade de truques, eu assisti aquele quadro até o final! E, sinceramente, fiquei decepcionada quando descobri que só ia saber como a lança atravessa a assistente sem machucá-la na semana que vem (se bem que eu tenho um palpite: é um dispositivo retrátil no cinto dela. Pode escrever). Enfim, talvez a fronteira seja justamente esta. Talvez algo entre para o imenso balaio da cultura pop quando a audiência passa a ignorar o seu superego crítico e consome o produto sem refletir sobre sua real qualidade. Mas confessa, vai… todos ficaram mortos de curiosidade pra ver a cara do Mister M aquela vez no Fantástico… Grande príncipe negro das noites de domingo!


E.T., telefone, minha casa

18/01/2010

O rei do pop pode ter batido as botas mas o Cowabanga continua. Firme, forte e morimbundo. Após umas curtas férias –  quase um ano, mas não espalha – e milhares de e-mails implorando pelo nosso regresso, decidimos que se é pelo bem do povo e felicidade geral da nação, voltamos!

Trazendo do pop enlatado e pronto pra consumo do Homem-Aranha aos sinuosos desvios do rock africano, numa bela salada pink fúcsia como o bom pop merece a idéia é bater ponto por aqui semanalmente e tirar as teinhas que possam ter se formado.

Enquanto isso, pra aquecer as baterias ao invés de um post interminável um clip super moderno, cool e xablablau. Afinal o Cowabanga não trata só de resgate de memória sentimental de adolescente ointentista. A gente também é hype, benhê.

Hasta la vista, babe!