Bolão COWABANGA! – And the Oscar goes to… (versão EU JÁ SABIA!)

08/02/2010

Como vocês sabem, bolão é uma coisa muito pop. Não é nada fácil resistir a eles, convenhamos. A simples ideia de brincar de Nostradamus, tentando acertar mais palpites que os outros e ganhando, além de prêmios, a chance de tirar uma onda com a cara dos amigos que não entendem nada do assunto em questão, é talvez mais tentadora do que o próprio Lado Negro da Força. E como para nós cultura pop é o que há, não poderíamos ignorar essa manifestação por aqui – além do que, cá entre nós, bolão é sempre uma coisa divertida para caramba. Mas relaxe, caro aspirante a Splinter: não queremos que você adivinhe quem vai ganhar o Campeonato Gaúcho ou qual vai ser o vencedor do Big Brother, nada disso. Nosso negócio é mais, digamos, cinematográfico…

Explico sim, pode deixar. O Oscar está aí, batendo na porta – mais especificamente, a cerimônia ocorre no dia 07 de março, um domingo, no Kodak Theatre de Hollywood. É uma cerimônia que, como sempre, vai reunir um monte de gente importante na indústria do cinema lado a lado com um monte de não-celebridades de última categoria, e que promete surpresas consideráveis na sua premiação. E aí está, oráculo: queremos que VOCÊ nos ajude a adivinhar quem vai levar o homenzinho-amarelo-de-barriga-tanquinho para casa!

O processo não poderia ser mais simples. Basta colocar seus palpites na caixa de comentários deste post, dizendo quem vai levar o quê na cerimônia do Tio Oscar. A anarquia é a alma do negócio – se quiser chutar em todas as categorias, vai fundo; se quiser só votar em melhor filme, beleza; se quiser apenas dizer que a Penelope Cruz é uma deusa e vai ganhar Atriz Coadjuvante só por causa disso, tá na boa também. Se tu tá com pressa de ver quem tá concorrendo, pode dar uma consultada na lista de indicados aqui.

De qualquer modo, e como não poderia deixar de ser, vai rolar uma sequência de posts aqui no COWABANGA!, explicando direitinho quem concorre ao quê nessa emocionante briga pelo mais desejado peso de papel do planeta. Dá a tua previsão, e quando a gente voltar das festas pós-cerimônia publicaremos um post aqui enaltecendo os sábios que acertaram na bucha. Como prêmio, além da pizza de muzzarella, a honra eterna e inabalável de ser o herói de uma geração e o primeiro grande exemplo de Mãe Dinah da nova década. Sensacional, né?

Então não perca tempo. Clica ali em “deixar um comentário” e – voilá! – deixe seu comentário. Um abraço, e vejo vocês no futuro!


Tintin na telona e outros causos

27/01/2009

tintin1Antes tarde, do que mais tarde cá estou outra vez para trazer a todos mais do mesmo: cultura pop enlatada e notícias diversas sobre um universo mais diverso ainda! Bom, vamos ao que interessa.

Desde o começo do ano passado pairam rumores sobre a transposição da história em quadrinhos Tintin para o cinema. Brigas moneycinematográficas para cá, brigas moneycinematográficas para lá, ficou acertado que quem irá filmar as aventuras do personagem criado pelo desenhista belga Hergé será o rei dos efeitos especiais E.T-Jurassic-Park-algum-fime-sério-no-meio-Spielberg em conjunto com o responsável pela transposição da obra de Tolkien para o cinema,  Peter Jackson.

73067311AG101_Berlinale_GolRá, mas não é isso o que interessa. Ao menos não a esse post. O COWABANGA! vem por meio deste comunicar que além dos diretores, o pessoal de Holywood fechou também os atores principais do filme. O papel do repórter magricelo, com uma queda pelo imperialismo e expert em confusões (e viva a  sessão da Tarde) ficou com, ta ta ta,  o também magricelo Jamie Bell. Mais conhecido por ter protagonizado o  filme Billy Elliot (2000), Bell será acompanhado pelo James Bond loiro, Daniel Craig, que interpretará o vilão Rackham, o Terrível e por Andy Serkis, o Gollum de O Senhor dos Anéis.

A primeira aventura do jovem Tintin em 3D, que em 2009 completa 80 anos, deverá se chamar  “The Adventures of Tintin: Secret of the Unicorn” (“As Aventuras de Tintin e o Segredo do Licorne”, como traduzido no quadrinho), e ainda não tem previsão de estréia.

tintin-au-pays-des-soviets* Momento almanaque. Segundo o documentário Tintin e eu **, a idéia de criar um personagem que fosse repórter veio de uma conversa de Hergé com o seu patrão, o abade Norbert Wallez, diretor do jornal direitista católico Século XX (Vingtième Siècle). Esse abade era contrário ao regime comunista, e teria incentivado Hergé à criar a história da viagem à Rússia Tintim no País dos Sovietes (1929), primeiro álbum de história em quadrinhos da série As Aventuras de Tintim –  na qual os comunistas aparecem como vilões. Parece que, depois da guerra, o abade foi preso pelos ingleses por vários anos, acusado de colaborar com o regime nazista.

milu

Agora a pergunta que não quer calar é:

E o Milu, quem vai interpretar?


** Documentário produzido em 2004 pelo dinamarquês Anders Østergaard. Tintin et moi (título original) é um filme-animação baseado em uma entrevista de quatro dias feita por Numa Sadoul com Hergé em 1971, transformada em 1975 no livro Tintin e Eu: conversando com Hergé. Abaixo, o comecinho do filme.

Post ainda não adequado as novas regras ortográficas da Língua Portuguesas. Em breve, idéias sem acento.


“Batman has no limits.”

01/09/2008

No meu último post, mencionei que a análise de Batman – O Cavaleiro das Trevas deveria chegar em poucos dias. Aparentemente, me equivoquei. O correto seria: “aguardem para as próximas semanas”. De qualquer forma, antes tarde do que mais tarde. E eis que, no dia seguinte ao fim de semana em que o filme chegou aos US$ 500 milhões nas bilheterias americanas, consolidando sua posição como a película de segunda maior bilheteria doméstica da história (atrás apenas de Titanic), chega, finalmente, nossa (minha) avaliação da mais recente incursão do morcegão aos cinemas.

O Cavaleiro das Trevas é seqüência direta do já muito bom Batman Begins e supera seu antecessor em praticamente todos os aspectos. Sucesso absoluto de público, aclamadíssima pela crítica, a nova aventura cinematográfica de Batman aposta numa abordagem densa e soturna como raras vezes vista em adaptações do herói para outras mídias. Batman – O Cavaleiro das Trevas é um filme trágico, pessimista, que mal permite o vislumbre de uma luz no fim do túnel. Mostra a loucura e o caos se espalhando como uma epidemia, o triunfo (ainda que não completo) do mal e da corrupção, a transformação dos heróis em vilões. Como diz o personagem Harvey Dent, “ou você morre como herói, ou vive o bastante para se tornar o vilão”. E é exatamente disso que trata o filme. Em poucas palavras, pode-se dizer que a obra conta a história da queda do “cavaleiro branco” de Gotham, da transformação do promotor público Harvey Dent, flagelo da máfia de Gotham City, no tresloucado Duas-Caras.

O Cavaleiro das Trevas é um autêntico drama policial – que pode muito bem inaugurar uma nova era, mais sombria, para os filmes de super-heróis (pelo menos na DC/Warner). Entretanto, ao contrário do que muito tem se falado, não creio que o fato da película ter uma temática dark e adulta faz com que ela transcenda completamente o gênero super-heróis ou adaptações de quadrinhos. Pelo contrário. Acredito que um de seus grandes trunfos é justamente o de ser um thriller policial e psicológico dos melhores sem nunca perder sua essência de filme de super-herói. O Cavaleiro das Trevas junta o melhor de dois mundos – as cenas de ação mirabolantes com um cara vestido de morcego, dignas das HQs, e drama e suspense de fazerem inveja a qualquer filme policial – de forma orgânica e funcional, sem preterir nenhuma das partes.

Tecnicamente, o filme beira a perfeição. A fotografia é sensacional e a direção de Christopher Nolan, inspiradíssima. Aliás, numa época dominada pela computação gráfica, Nolan preferiu reduzir os efeitos especiais ao mínimo, gravando tudo que fosse posível com objetos e situações reais, o que conferiu maior dinamismo e verossimilhança às cenas.

O roteiro é extremamente bem amarrado. Nada, na película, é gratuito. Tudo tem motivo de estar ali e (quase) tudo faz sentido. Até mesmo as piadinhas do mordomo Alfred, que em Begins pareciam, às vezes, meio perdidas, fora de contexto, encontram seu lugar e sua função perfeitamente. A trama avança com naturalidade e cada personagem é bem desenvolvido, tendo seu “lugar ao sol”, desde Lucius Fox até o Coringa. Além disso, o filme tem diversas falas e situações memoráveis, como a já antológica cena do lápis.

As atuações também são, em geral, muito boas. Até mesmo a personagem Rachel Dawes, antes vivida pela insossa Katie Holmes, ganha uma interpretação de qualidade com Maggie Gyllenhaal. Mas, em meio a bons papéis de Christian Bale, Gary Oldman, Aaron Eckhart, etc., o destaque mesmo fica por conta do Coringa de Heath Ledger. É difícil compará-lo, por exemplo, ao Coringa de Jack Nicholson, que tinha uma personalidade completamente diferente. Ainda assim, ouso dizer que Ledger foi melhor. Confesso que, no início, a história da maquiagem me incomodou, mas dou o braço a torcer: é a versão definitiva do personagem. Menos brincalhão, mais sinistro e sádico do que nunca. Louco, masoquista, sociopata, um verdadeiro avatar do caos. Cheio de (geniais e… irritantes) trejeitos como só Ledger soube fazer. Ainda tenho esperança que a morte de Heath Ledger tenha sido apenas uma grande jogada de marketing e ele apareça na cerimônia do Oscar para receber o prêmio de melhor ator (se bem que a concorrência é forte).

Bom, depois de tantos elogios você já deve estar achando que vou dar o braço a torcer (mais uma vez) e dizer que Batman – O Cavaleiro das Trevas é o melhor filme de todos os tempos ou, pelo menos, o filme do ano até aqui. Enganou-se, fiel (?) leitor. O Cavaleiro das Trevas pode ser um drama policial de primeira, “o Cidadão Kane dos filmes de super-heróis”, poesia pura nas telonas, etc., mas não chega a ser perfeito. Para começar, a inflexão de voz gutural e distorcida usada por Bale quando uniformizado como Batman é irritante e, por vezes, quase incompreensível. O destino de Harvey Dent/Duas-Caras e o papel do Batman nesse destino, além da resolução da situação nas balsas, também me incomodou. Além disso, uma grande qualidade da película, que é equilibrar o destaque dado a diversos personagens, acaba sendo uma faca de dois gumes: por vezes, o (suposto) protagonista, o personagem-título, parece apenas mais um e não o centro em torno do qual toda a história deveria girar. Isso não é exatamente um defeito e, aliás, é algo muito comumente (bem) utilizado nos quadrinhos, mas não deixa de causar certa estranheza. Por fim, o meu grande problema com O Cavaleiro das Trevas: não é um filme que empolga. Pelo contrário. É tudo muito bonito, muito bem feito, poético até, mas fica faltando aquela sensação de euforia na saída do cinema. Não que todo filme tenha que ser empolgante e extremamente divertido do início ao fim, mas é o que eu esperaria de um filme do Batman, pelo menos numa pequena dose. Um pouco mais pipoca e menos obra de arte. Deixem o pessimismo para Watchmen.

Dito isso, Batman – O Cavaleiro das Trevas é, mesmo assim, um dos melhores filme que vi na vida. Mas poderia ter sido ainda melhor. E provavelmente eu teria achado ainda melhor, não tivesse o filme sido lançado pouco depois de Homem de Ferro. Claro, eu não poderia fugir da comparação entre os dois blockbusters de super-heróis deste verão norte-americano, certo? Então, se O Cavaleiro das Trevas é mesmo o Cidadão Kane, a poesia parnasiana, o caviar dos filmes de super-heróis, Homem de Ferro é Duro de Matar, é um gibi leve e descompromissado, é um bom xis-salada. Menos sofisticado, mas mais divertido, mais empolgante.

Pronto, que comecem a me atirar as pedras.


A maldição do Cavaleiro das Trevas

05/08/2008

Abaixo, a capa do jornal carioca Meia Hora de Notícias, do grupo O Dia. Atentem para a chamada do “fantasma do Coringa”.

Esse jornal é foda mesmo.

E… Quem será a próxima vítima? Michael Caine? Gary Oldman? Aaron Eckhart? Maggie Gyllenhaal?

No mais, força Morgan Freeman! Apesar de fazer sempre (quase) o mesmo papel, tu és um baita ator.

P.S.: Aparentemente, Freeman vai ficar bem, já que teve “apenas” fraturas no braço e no ombro em seu acidente automobilístico e já foi operado.

P.P.S.: O COWABANGA! tarda mas não falha. Como qualquer blog sobre cultura pop que se preze, não deixaremos de publicar uma (breve) análise do segundo melhor filme do ano (que caminha para ser o filme com a segunda maior bilheteria da história), Batman – O Cavaleiro das Trevas. Aguardem para os próximos dias.


“Sexta à noite um comediante morreu em Nova York.”

17/07/2008

Gostaria de ter mais tempo para escrever um artigo bacana sobre Watchmen ser nada menos que a melhor série em quadrinhos da história, sobre como Alan Moore atingiu a imortalidade com essa obra, como a última página da última das 12 edições da obra é provavelmente um dos mais perfeitos finais de história ja concebidos pela Humanidade, ou mesmo como a adaptação para o cinema dessa obra-prima é uma das coisas mais aguardadas (e podemos dizer também temidas) pelos fãs de cultura pop desse planeta – todos vocês, inclusive. Mas estou meio sem tempo, daqui a pouco saio daqui do serviço e o PC de casa anda um lixo completo, desanimando qualquer tentativa de escrever mais do que mensagens curtas no MSN. E de qualquer modo, esse artigo nem precisa ser escrito mesmo: deixemos que as imagens falem por si só. Eis, para vosso deleite, o trailer de Watchmen – O Filme, que estreiará em Março de 2009 nos EUA.

Depois eu volto aí para saber a repercussão…

(Eu tinha colocado um link do YouTube, mas a Warner Bros. foi estupendamente rápida e tirou tudo do ar menos de 5 mins depois de eu ter assistido. Até a última conferência minha – 17h50 da tarde de quinta – o link acima estava funcionando – se os tubarões da indústria do entretenimento tirarem do ar esse também, já não é culpa minha!)


In John McClane We Trust

12/07/2008

– Você acaba de abater um helicóptero com um carro!
– Eu estava sem balas.

John McClane é definitivamente um cara durão. Talvez o mais durão dos caras durões de Hollywood. No mesmo nível – ou até acima – de caras como Dirty Harry, Jack Bauer, Leônidas (300), Paul Kersey (Desejo de Matar), Rambo, Rocky Balboa, o Exterminador do Futuro e qualquer personagem interpretado por Steven Seagal.

Confesso que já não lembro muito bem dos três primeiros filmes, mas em Duro de Matar 4.0 (que finalmente pude assistir na semana que passou), McClane está tão duro de matar que talvez devessem mudar o nome da série para “Imortal”, “O Cara Mais Durão do Universo” ou coisa parecida. Não que haja algo de errado com isso, afinal a quase invulnerabilidade do nosso herói frente a situações possivelmente fatais – ou no mínimo extremamente dolorosas – sempre foi um dos grandes charmes de Duro de Matar, ao lado da implausibilidade das frenéticas cenas de ação.

Nesta quarta aparição de McClane nas telonas, isso tudo é elevado (pelo menos) à décima potência. O que é justamente aquilo que torna o filme tão descerebradamente divertido. Do início ao fim, temos ação absurdamente inverossímil e empolgante, além de inúmeras provas do quanto John McClane é cabron.

MUITOS SPOILERS ADIANTE!!!

Em Duro de Matar 4.0, logo no começo o protagonista já cuida de um grupo de mercenários altamente treinados e equipados, armado apenas com uma pistola, criatividade e seus colhões king size. Mais tarde, destrói um helicóptero militar com um carro de polícia, acelerando na direção de uma rampa improvisada e jogando-se para fora do veículo em movimento antes que ele acertasse o helicóptero em pleno ar. Sai andando quase que normalmente, sem nenhuma lesão grave. Depois, é chutado através de uma janela de quase dez metros de altura. McClane não só sobrevive, como logo após atropela sua agressora com uma caminhonete dentro do centro de comando de uma estação de energia federal. Na seqüência, sobrevive à explosão da tal estação, vai até o covil dos bandidos – que seqüestraram sua filha – com um plano simples: “Eu vou matar esse **** e pegar a minha filha… Ou vou pegar a minha filha e matar esse ****… Ou vou matar todos eles…”. Na perseguição aos vilões, pula num caminhão em movimento, nocauteia o motorista e fica com o controle do volante. Foge de um caça F-35 dirigindo o caminhão em meio a um viaduto que está sendo destruído pelos disparos do jato. Acaba surfando sobre o caça desgovernado (no melhor estilo Capitão América em Guerra Civil) antes de saltar para escapar da explosão do avião e cair num pedaço do viaduto, descendo-o – sem um arranhão sequer – como se fosse um escorregador. Para fechar, o momento mais cabron de todos: quase morrendo, feito de refém pelo grande vilão, McClane força um disparo de pistola que atravessa o próprio ombro e mata o bandido. Genial!

FIM DOS SPOILERS.

Em suma, John McClane não precisa estar bem armado, nem ter um plano ou, muito menos, reforços. Para ele, improvisar e ser (extremamente) durão é o que basta.

Yippee-ki-yay, motherfucker!


Hulk Esmaga!

30/06/2008

Me deixem em paz!

Betty.

Hulk esmaga!

Essas são as únicas falas do gigante esmeralda durante todo o filme O Incrível Hulk, segunda produção do Marvel Studios e segunda aparição do verdão nas telonas nos últimos cinco anos. Até aí, tudo bem, afinal o Hulk nunca foi muito conhecido por ser o cara (ou monstro verde) mais articulado do mundo. Pelo contrário. O que ele sempre soube fazer de melhor foi dar porrada, saltar, fugir e, claro, esmagar. Diferentemente da película de Ang Lee, que em muitos momentos estava mais para drama psicológico do que aventura de super-herói (se é que se pode chamar o Hulk assim), o novo filme (que basicamente ignora o anterior) procura aproveitar isso ao máximo, priorizando sempre a ação. Algumas cenas que se aprofundavam mais nas psiques dos personagens foram, inclusive, sumariamente cortadas (ou esmagadas) na edição final, sobrando pouco mais que o básico para que se possa entender a história.

O Incrível Hulk é um filme simples, sem grandes reviravoltas, por vezes até um tanto previsível, com uma trama um tanto batida. Bruce Banner procurando uma cura, fugindo dos militares, sendo obrigado a usar o Hulk para conter uma ameaça maior. Já se viu esse tipo de coisa bem mais de uma vez nos quadrinhos. Mas o que poderia ser um grande ponto fraco da produção é usado a seu favor. A película do diretor Louis Leterrier se atém ao básico, não inventa muito, não tenta explicar demais as coisas, não perde tempo com psico-baboseiras (Ang Lee, alguém?). Nela, o Hulk esmaga! E o resto é resto.

Hulk lutando dentro de uma fábrica de sucos no Brasil e usando o “cenário” como arma. Hulk usando destroços metálicos como escudo e, em seguida, como projéteis. Hulk enfrentando um militar com o soro do supersoldado correndo nas veias. Hulk batendo as palmas das mãos a fim de criar vento suficiente para apagar as chamas da explosão de um helicóptero. Hulk na brutal batalha final contra o Abominável. E que batalha! Provavelmente, uma das melhores cenas de luta do cinema nos últimos tempos e, certamente, a melhor luta dos filmes recentes baseados em HQs.

No meio tempo, cenas e diálogos que se não são sensacionais, não comprometem. Algumas até emocionam, sem ser piegas. E o elenco, ponto forte do fraco último filme do Hulk, não faz feio neste. Edward Norton é convincente no papel de Bruce Banner. Liv Tyler, linda como sempre, consegue passar bastante emoção atuando como Betty Ross. William Hurt, que tinha a difícil tarefa de fazer o maquiavélico General Thadeus Ross, interpretado brilhantemente por Sam Elliot na película de 2003, tem um desempenho tão bom quanto o de seu antecessor. Tim Roth, por sua vez, retrata com maestria a obsessão de Emil Blonsky pelo poder e pela superação de seus próprios limites no campo de batalha. Os atores brasileiros (ou nem tanto) que aparecem na parte que se passa no Rio de Janeiro, são bem mais ou menos, mas Débora Nascimento é espetacular (esteticamente falando, pelo menos).

As referências aos quadrinhos são diversas e devem agradar (muito) aos fãs. A famigerada cena em que o Capitão América deveria fazer uma breve aparição foi cortada, é claro, mas em um diálogo entre o General Ross e Emil Blonsky é mencionado um certo militar da Segunda Guerra Mundial em que o soro do supersoldado foi aplicado com sucesso. Quando um container com o soro vai ser retirado de uma sala de armazenamento, pode-se ler até o nome do Dr. Reinstein, criador do soro do supersoldado nas HQs. A SHIELD está presente no filme também e o nome de Nick Fury surge em alguns recortes de jornal que aparecem durante os créditos iniciais. Bety Ross tem um relacionamento com um psiquiatra chamado Leonard Samson, coadjuvante de destaque nos quadrinhos do Hulk. Samuel Sterns, maior inimigo do Hulk nas HQs, é outro personagem que está na película. Há uma cena, inclusive, que aparenta ser sua origem como o supervilão conhecido como Líder. Além disso, Stan Lee faz sua melhor participação em um filme da Marvel.

E o melhor de tudo: a Marvel está definitivamente criando um universo interligado nos cinemas. Segundo informações de sites estrangeiros (confesso que não prestei atenção), algumas das armas utilizadas pelas tropas que caçam o Hulk são das Indústrias Stark. E, na última cena do filme, o próprio Tony Stark, interpretado por Robert Downey Jr., aparece, falando ao General Ross que uma equipe está sendo formada. São os Vingadores!!! Mal posso esperar por 2011!!!

Ahn… Bom… Contendo um pouco a empolgação… No final das contas, O Incrível Hulk é muito parecido com o próprio personagem (ou monstro verde) principal: pode não ser dos mais inteligentes, mas é muito bom na hora da ação.