Por trás da enfermaria animada

07/10/2008

E se o Tom realmente matasse o Jerry? E se o Coiote acabasse de vez com o papa léguas? E se o Frajola conseguisse fazer o Piu-Piu não dar mais nenhum piu? Hmn, vai dizer que você nunca se perguntou isso. Não? Nem eu… mas isso não vem ao caso. Incentivado pelo filho de 15 anos, o artista plástico britânico James Cauty decidiu mostrar o que realmente aconteceria se a violência nos desenhos fosse levada as últimas conseqüências.

A mostra Splatter, que abriu sexta-feira em Londres, conta com vários desenhos e esculturas em que uma “morte cruel” é uma forma delicada de descrever o fim dos personagens. “É incrivelmente sanguinário. As conseqüências reais da violência nos desenhos animados são reveladas. Eles massacram uns aos outros”, afirma o artista.

Mas não se preocupem. Ninguém aqui pretende dar espaço para a imaginação. O COWABANGA!, ciente da alta do dólar, queda das bolsas, e dificuldade econômicas em geral não irá mandar vocês, caros leitores, a terra da rainha apenas para a satisfazer a curiosidade desenhistica e disponibiliza aqui algumas imagens da tal Splatter. Haja tinta vermelha!

“Se em sua casa alguém rolar escada abaixo, adivinhe o culpado…”

Momento raro. Um produto Acme realmente funcionando.

Percebam a cara de psicopata da criança.

Revelador ou não, uma coisa é certa. O garoto é fã de Comichão e Coçadinha (desenho não presente na exposição por já ser sangüinário o suficiente sozinho).

Quem quiser ver mais imagens censuradas, segue o link.


Cotovelos duplamente de luto

04/09/2008

Hoje de manhã pensei no Astronauta. Sim, o Astronauta da Turma da Mônica, que desbrava o Universo em busca de diversas raças alienígenas e planetas desconhecidos, dentro de sua nave que mais parece uma bola de futebol da Copa de 66. Representante da imaginária BRASA (Brasileiros Astronautas), ele viaja sem descansar. Tem como companhia apenas um computador, com quem às vezes joga xadrez. E em uma ou outra oportunidade, um extraterrestre que aceita acompanhá-lo em suas aventuras, abandonando-o posteriormente.

Mas nem os desenhos possuem lá seu mundo perfeito, como acreditamos que eles tenham quando somos crianças. Para seguir sua carreira, o Astronauta teve que abandonar sua família. Seus amigos. E principalmente, sua maior paixão: uma garota chamada Ritinha. Cabelos negros, olhos verdes, corpo esbelto. Mulher para homem nenhum botar defeito (embora eu preferisse bem mais a Jessica Rabbit; céus, aonde estou chegando discutindo beleza de mulher de desenho animado??? Ah, tudo bem, já vi garotas se desmanchando por causa do Johnny Bravo ¬¬). Em resumo: Astronauta quis fazer o que todas dizem para seu amado fazer: siga seu destino e seu trabalho, cresça na vida.

E ao crescer (ou diminuir, já que ele fica praticamente um anão ao entrar naquele uniforme) e desbravar estes pagos cósmicos, o nosso herói do espaço sideral (ou vão me dizer que vocês nunca ouviram esse disco?) retorna pela primeira vez para a Terra… E encontra sua amada nos braços de outro. Com um filho. E nosso herói chora de tristeza, adquirindo outra companhia indesejável em suas viagens: uma dor-de-cotovelo. Aquilo que acompanha os apaixonados infelizes, que não podem realizar seus sonhos mais profundos, não podem possuir sua amada, aquilo tão precioso para seu coração. E este, senhoras e senhores, é um dos tantos exemplos de apaixonados que sofrem com sua articulação braçal injuriada pelo deus Cronos (sim, as chamadas “feridas do tempo”, seu animal!)

E foi no Astronauta que pensei hoje quando soube da morte de outro apaixonado. Certamente o indivíduo dedicado ao éter cósmico (só pra parodiar o nosso eterno professor Carvalho), ao ter lido através de seu computador, em um portal qualquer de notícias, a morte do seu ídolo Waldick Soriano, de câncer na próstata, certamente sentiu sua dor-de-cotovelo ganhar vida e debulhar lágrimas, numa variação da chamada “tirar água do joelho”. Ele, que não era nenhum Bidu, não. Nenhum Bugu. Nenhum Duque. Nenhum Floquinho. Nenhum Manfredo. Nenhum Monicão. Nenhum Vagabundo (pra quebrar essa hegemonia da MS Produções no post) pra viver tão humilhado.

O cotovelo mais injuriado, na música brega, deste brasil vinil, estava nas últimas desde maio do presente ano. Nascido em 1933 na cidade de Caetité, na Bahia, ele estourou nos anos 50, 60 e 70. Dizem por aí que ele foi um dos músicos mais beneficiados pela Ditadura, já que era um dos artistas menos censurados nas rádios. Mas isso não obscurece seu talento. Um autêntico artista Country do Brasil.
Nunca vi a cena que falam que ele e Silvio Santos se abraçaram, perderam o equilíbrio e caíram no chão juntos, ainda abraçados. Caídos, simularam uma cena engraçadíssima, como se estivessem se “cantando” um ao outro. Se alguém tiver o vídeo dessa cena, por favor, nos avise.

Mas não foi só o Astronauta que chorou hoje a morte de um ícone dos indivíduos com dor-de-cotovelo. Nos EUA, o personagem Charlie Brown (que também não é nenhum Snoopy, não) sentiu sua articulação braçal debulhar secreções, quase como uma carpideira. Aos 91 anos de idade, morreu ontem o desenhista Bill Melendez, que desenhava as animações da turma do Charlie Brown para a televisão e também fazia a voz do Snoopy (voz entre aspas, é claro; Snoopy só fazia barulhos, nunca pronunciou uma palavra). Durante quase quarenta anos, trabalhou junto com Charles Schultz, o criador da turma do Charlie Brown. Não pesquisei, mas provavelmente os episódios do Beagle da Páscoa e da menina ruiva que o Charlie Brown é apaixonado e dá um beijo nele em um baile do colégio (meus dois episódios preferidos) tenham sido desenhados por ele.

Hoje é um dia triste, para os que sofrem de dor-de-cotovelo (como o Astronauta e o Charlie Brown) e também para os fãs, tanto de Waldick quanto do Snoopy, de todas as idades. A eles, deixamos apenas nosso muito obrigado e que partam em paz. Ao Astronauta e ao Charlie Brown, nosso consolo. Até porque a vida, a morte e a dor maldita da articulação braçal, não necessariamente nessa mesma ordem, seguem.

Foto do Waldick Soriano é da Folha Imagem (fotógrafa Ana Ottoni)
Mais notícias:
Cantor Waldick Soriano morre no Rio aos 75 anos
Desenhista do Snoopy morre aos 91 anos nos EUA

(Silêncio sem despedida)


Top 10: Bordões

25/11/2007

bordão
[Do lat. vulg. burdone, ‘mula’.]
S. m. Palavra ou frase que se repete a cada passo na conversa ou na escrita.

(Bem) depois de lhes trazer a lista dos 10 melhores personagens, chega a hora dos 10 melhores bordões da ficção (pós-)moderna, escolhidos de forma absolutamente pessoal e arbitrária pelo nosso comitê (de uma só pessoa).

10. “Para o alto e avante!”
Superman
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Na verdade, tenho minhas dúvidas quanto ao fato de o Superman já ter dito esta frase alguma vez nos quadrinhos, na TV ou no cinema. De qualquer maneira, a frase popularizou-se na radiodramaturgia, sendo usada sempre antes dos momentos em que o Homem de Aço iria voar nas audioficções. Uma expressão como essa, a mais famosa associada ao (talvez) personagem mais famoso de todos, não poderia deixar de estar nesta lista.

9. “Pela união dos seus poderes, eu sou o Capitão Planeta! (Vai, Planeta!)”
Capitão Planeta e os Planeteiros
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“Vamos unir nossos poderes! Terra! Fogo! Vento! Água! Coração!”. Quem nunca gritou essas palavras junto com os amigos e encenou o surgimento do Capitão Planeta no meio de uma aula chata em pleno 3º ano do Ensino Médio? Peraí… Vocês não?!

8. “Super-Gêmeos, ativar!”
Zan e Jayna, os Super-Gêmeos da série animada Super-Amigos
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Dois dos heróis mais esdrúxulos de todos os tempos. O grito deles na hora de usarem seus poderes era tão… Peculiar. Difícil não lembrá-lo. Mas a melhor parte ainda vinha depois, com falas parecidas com: “Forma de um urubu! Forma de um balde de gelo!”. Sério! Que poder útil! Um balde de gelo! Sensacional!

7. “Cowabanga!”
Tartarugas Ninja
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Tá… Admito que talvaz a grafia correta não seja exatamente essa. Mas isso não vem ao caso. O que importa é que o grito de comemoração das Tartarugas Ninja (seja lá como se soletre) é presença indispensável nesta lista. Nascida em um programa infantil apresentado por um (pseudo-)índio, usada pelos surfistas para expressar o prazer sentido no momento em que estavam em uma onda, a palavra foi, mais tarde, imortalizada pelas Tartarugas. Quem não se lembra do jogo para fliperama, SNES e Mega Drive, no qual, ao final de cada batalha com um dos chefões, as Tartarugas Ninja comemoravam gritando: “COWABANGA!”?

6. “Hi-Yo, Silver!”
Cavaleiro Solitário
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Acho que todo mundo que já andou a cavalo já teve vontade de gritar um “Hi-Yo, Silver!”. Mas poucos são os que sabem de onde vem a expressão. O personagem que repetia esse bordão, o dono do cavalo Silver, é o Cavaleiro Solitário, herói de faroeste norte-americano que foi conhecido
no Brasil, por muito tempo, como Zorro, devido à máscara preta que lembrava a do Zorro original.

5. “Tá na hora do pau!”
Coisa, integrante do Quarteto Fantástico
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Na revista Fantastic Four #22, de janeiro de 1964, Stan Lee criava um grito de guerra para o Coisa. A expressão tornou-se, desde então, marca registrada do membro mais carismático do Quarteto Fantástico. Bem auto-explicativo, o grito do Coisa normalmente significa que vilões irão apanhar.

4. “Espada Justiceira, dê-me a visão além do alcance!”
Lion-O, líder dos Thundercats
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Qualquer um que já tenha assistido a um episódio de Thundercats jamais esquecerá o poderoso grito de Lion, invocando o poder de sua Espada Justiceira. Saudade de brincar com a minha Espada Justiceira de plástico. Saudade dos Thundercats.

3. “Olaaaá, enfermeira!”
Yako e Wako, os irmãos Warner da série animada Animaniacs
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Ninguém resiste a uma enfermeira. Muito menos os irmãos Warner. Se bem que eles não usavam a expressão só para a enfermeira. Como muitas coisas no desenho, às vezes o uso do bordão não fazia muito sentido. E era isso que o tornava absurdamente legal.

2. “Que a Força esteja com você.”
Os Jedi de Star Wars
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Uma das frases mais famosas da história do cinema e, quiçá, da humanidade. Usada pelos Jedi, basicamente, para se despedirem uns dos outros, tornou-se marca registrada da franquia Star Wars. O original, “May the Force be with you”, faz alusão à expressão católica “May the Lord be with you”. Em Star Wars, a frase aparece, de fato, com um ar solene, quase religioso. É, sem dúvidas, um dos bordões mais legais de se usar no dia-a-dia (inclusive, como fechamento de uma reportagem de rádio).

1. “Avante, Vingadores!”
Capitão América, eterno líder dos Vingadores
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O Capitão não foi o único a gritar essa palavras, mas foi ele quem as imortalizou nos quadrinhos. Os Vingadores definitivamente não são os mesmos sem sua liderança. Chega a ser triste pensar que ficaremos um bom tempo sem gritos de “Avante, Vingadores!” na voz (ou nos balões saídos da boca) do Capitão América. Pelo menos, sabemos que um dia as coisas voltam a ser como eram. Afinal, nos quadrinhos, quem é morto sempre aparece.

Menções honrosas:

“Digo-te não!”
— Thor, o deus nórdico do trovão

“Imperius rex!”
— Namor, o príncipe sub-marino

“Hulk esmaga!”
— O Incrível Hulk

“Eu tenho a força!”
— He-Man

“É hora de morfar!”
— Power Rangers

“Scooby-doo-by-dooooo!”
— Scooby-Doo

“Em chamas!”
— Tocha Humana, integrante do Quarteto Fantástico

“Sigam-me os bons!”
— Chapolin Colorado

“Shazam!”
— Capitão Marvel

“Espada Olímpica! Corte transversal!”
— Jiraya

“Por Tutatis!”
— Astérix

“O que é que há, velhinho?”
— Pernalonga

Postado por Kauê


Seca, peitões e estupidez

20/11/2007

desert-punk.jpgNessa onda “nós não passamos mais clipes”, a MTV incrementou sua programação com uma impressionante variedade de quadros, desde programas totalmente ‘made in Brazil’, como Mucho Macho e Tela Class, até outros descaradamente importados, como MTV Gringa e Pimp My Ride. Dentro dessa segunda categoria, a influência oriental parece marcante. Quem assiste a emissora antes da hora do soninho, lá pelas 23h30, sabe do que eu estou falando: animes.

Segundo a nossa grande sábia cibernética, a Wikipedia, anime, no Japão, quer dizer pura e simplesmente “desenho animado”. Bom, para nós, não é muito diferente. Anime é, portanto e obviamente, o desenho animado que vem do Japão. Entre Sakura Card Captors, Pokémon e Naruto, as características desse gênero não variam muito. Apesar de os temas serem diversos, sempre incluem heróis em sagas intermináveis e uma constante luta contra o mal. Os personagens quase sempre têm olhos grandes, cabelos volumosos e coloridos, roupas com design ousado e corpos bastante detalhados.

O anime que a MTV tem passado se chama Desert Punk. A simples menção do nome deve criar, automaticamente, a pergunta “que raio é isso?!”. E responder com um breve resumo não é complicado: seca, peitões e estupidez. O desenho conta a saga de um guerreiro em um ambiente futurista, onde falta água e as aldeias que possuem poços artesianos vivem sendo invadidas.

Mas esse guerreiro, o Desert Punk, é uma espécie de anti-herói. Nada ético, ele é uma espécie de mercenário do bem, pago para proteger as aldeias. Suas táticas são questionáveis e freqüentemente beiram o escatológico. Mas esta não é exatamente a pior faceta… o Desert Punk é viciado por peitões – no sentido mais literal da palavra.

Sem preconceitos a respeito dos vícios ou loucuras humanas – afinal, Olavo Bilac era necrófilo –, a questão principal é o machismo que este anime traz. Sem moralismo da minha parte (nem curto esse tipo de critica), a figura das mulheres é sempre retratada como a de ‘exploradoras’, que oferecem seus corpos ao herói em troca de proteção – e no final, sempre dão o bolo no cara.

Apesar de esperto e sagaz em suas táticas de guerrilha, sempre que o Desert Punk abre a boca, sai alguma babaquice – seja relacionada a uma provocação idiota ao seu inimigo, ou uma cantada sem pudores às suas ‘amadas’ (que freqüentemente são também xingadas). Em suma, uma total liberação do id em estilo japonês.

No último sábado entrou na programação da MTV um outro anime, o Afro Samurai. E agora, o que esperar desse?!

Postado por Débora


Heil, Disney!

18/11/2007

Quem tem alguma noção de Teoria da Comunicação sabe que veículos como a televisão, cinema e rádio começaram a virar fortes armas para a propaganda política, ideológica e governamental no período entreguerras (nunca sei como se escreve essa palavra, se for com hífen, por favor, me corrijam). Os regimes totalitários da Europa foram quem mais se aproveitaram desses meios para propagarem suas idéias. Até porque os canais de televisão e emissoras de rádio européias eram controlados pelo Estado – e isso perdura até hoje, basta analisar a BBC, RAI e outras –, enquanto nos Estados Unidos, o caráter desses meios de comunicação eram privados.

Só que durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA também usaram os meios de comunicação contra as forças do Eixo. Um dos recursos visava a demonstração de como funcionava a Alemanha nazista para as crianças. E qual o melhor artifício para tanto? Os desenhos animados. E aí, praticamente todos os estúdios norte-americanos se juntaram para a causa.

A Warner Bros fez desenhos do Patolino na guerra, e foi um pouco mais discreta. A Disney, sim, mergulhou de cabeça. Um desenho que na época causou certa discussão foi um que não envolvia nenhum personagem conhecido. Ele recebeu o título Hitler’s Children (As Crianças de Hitler) e mostrava o processo de educação que uma criança alemã recebia dos nazistas. Claro que havia um certo exagero, mas o fato é que o país estava em guerra. Certamente os desenhos apostavam no tudo ou nada. Segue abaixo o vídeo de Hitler’s Children:

Após o seu lançamento, alguns intelectuais e militares notaram que o vídeo poderia revelar um sentimento colateral. Como a democracia era representada por uma bruxa e o cavaleiro era representado por Hitler, as crianças poderiam interpretar que a democracia era ruim e Hitler era o herói da história. Outro ponto era que o filme generalizava todo o povo alemão como adepto do partido nazista, quando nem todos os habitantes da Alemanha na época concordavam com o regime totalitário. A Disney decidiu confiscar todas as cópias do filme e queimá-las. Claro que algumas se salvaram e hoje podem ser facilmente vistas na internet, como no caso do Youtube.

Outro desenho que merece destaque é o Donald Duck – Der Fuehrer’s Face (O Pato Donald – A Face do Führer), produzido em 1943. Nele, Donald é um trabalhador alemão que vive as agruras do regime totalitário. É claro o conceito de totalitarismo que o filme quer passar: as copas da árvore, o alto dos postes de luz, o cuco, praticamente tudo lembra o regime nazista. Também é engraçada a forma como o desenho retrata a admiração dos nazistas a Hitler, na parte onde aparecem várias fotos do ditador e Donald faz a saudação a cada um deles.

Ao final, Donald vai à loucura e acorda, notando que tudo não passava de um sonho. Ao olhar para a janela, vê uma miniatura da Estátua da Liberdade e a abraça, num patriotismo exacerbado, mas necessariamente alimentado por causa da Guerra. Abaixo, o desenho:

O mais curioso é que, com esse desenho, a Disney ganhou um Oscar (o de melhor animação) em 1943.

Outro fato curioso é que os gibis e desenhos da marca foram proibidos nos países totalitários europeus, com exceção de um: a Itália! O motivo? Benito Mussolini era um fã declarado do Mickey.

Postado por Fred


Uma questão de Linguística

19/10/2007

cebolinha.jpgcebolinha.jpgcebolinha.jpgA leitura de gibis na infância dos brasileiros é dividida basicamente em duas tendências: Disney e Maurício de Sousa. Existem os que gostam dos dois e os que não suportam um ou outro. Mero gosto pessoal. Eu não suportava a Turma da Mônica.

Mesmo assim, é difícil não ter um contato com as histórias do desenhista brasileiro. Seus personagens – quase sempre humanos – viviam as mesmas sagas que boa parte da gurizada. Fazer e sofrer gozações, odiar banhos, falar errado, ter um bichinho de estimação, um amigo gênio e um primo caipira. Quem nunca passou por uma, ou várias, dessas situações? Mas peraí… falar errado?!!

É isso mesmo. Um dos integrantes da turma, o Cebolinha, é conhecido por ser um menino de cara de bolacha, blusa verde, cabelos espetados e uma incrível dificuldade de falar o R. No entanto, sua língua “plesa” não o impede de bolar planos infalíveis – juntamente com seu fiel escudeiro Cascão, o cara que não gosta nem de ver água – para roubar o coelhinho da Mônica dentuça.

O que poucos sabem é que o Cebolinha – que hoje já não é mais nenhum jovem, o piá nasceu em 1960! – não é fruto da mente criativa de seu autor. Cebola era, de verdade, um amigo que Maurício de Sousa tinha quando era criança, lá em Moji das Cruzes (SP). O personagem teve sua revistinha própria lançada em 1973, e já participou de filmes e desenhos animados, como todo o resto da sua turminha.

Nos quadrinhos, Maurício de Sousa faz questão de salientar as palavras “erradas” que o seu amigo Cebolinha diz, colocando-as sempre em negrito. Com finalidades pedagógicas ou não – afinal, escrever certo também faz parte da infância de quase todo mundo –, pelo jeito ele não está nem aí para a lingüística (ou tem algum convênio com uma clínica de fonoaudiologia).

A ligação pode parecer um pouco estranha, mas quem já teve algum contato com as teorias do lingüista suíço Ferdinand de Saussure sabe do que eu estou falando (lingüistas, não me matem!). Simplificando bastante, essa corrente defende que o importante não é seguir as regras da gramática a risca, mas se fazer entender – é mais importante o significado que o significante. Ou seja, se você que comprar um bujão, botijão ou butijão de gás, não importa! Se você está com um poblema, ou probrema, ou até um plobrema, tanto faz! O que interessa é que os outros te entendam – e que, no caso, que você se livre da pendenga.

Se tudo isso faz sentido ou não, confesso que não tenho muitas certezas. Nunca fui muito adepta da teoria de que a linguagem oral deve reger a escrita, senão um dia ninguém mais se entende. Mas, de qualquer modo, a verdade é que o “falar errado” do Cebolinha nunca atrapalhou suas brincadeiras e a sua comunicação, e nem ninguém deixou de entender o que ele dizia, mesmo faltando o maldito R.

Postado por Débora


Santa Tartaruga!

10/10/2007

tartarugas.jpgPara qualquer fã das Tartarugas Ninjas na década de 90, o novo filme dos personagens foi tomado com descrença e revolta. O que antes era uma série de desenhos 2D e uma trilogia feita com bonecos no melhor estilo “trash assumido”, há pouco tempo atrás se rendeu à tecnologia e se tornou um filme 3D: Tartarugas Ninja – O Retorno. A primeira vista, damos de cara com criaturas computadorizadas, agressivas e musculosas (essas aí em cima, no COWABANGA mesmo) que pouco têm a ver com a imagem dos antigos tartarugas (eu nem sequer reconheci a April O’neil!) em uma aventura que tem mais semelhanças com Sakura Card Captors do que com qualquer outra coisa. Mas as aparências às vezes enganam. Às vezes.

O novo filme da série traz a história de um velho guerreiro oriental que acaba amaldiçoado pela sua ganância pelo poder (a mesma balela de sempre). A maldição é a vida eterna, que o faz viver até os tempos de hoje. Os tartarugas entram na história por que “justamente agora” o cara tem a oportunidade de se livrar da maldição (é, isso mesmo, também aquela velha história de alinhamento de planetas), e resolve reunir todos os monstrinhos que deixou fugir há sei lá quantos séculos atrás, na época em que se tornou imortal. Bom, é claro que as Tartarugas Ninjas não iam ficar fora dessa.

O enredo desenho-animado-japonês não surpreende quem já conhece os personagens. Na realidade, talvez os tartarugas tenham trazido pela primeira vez para o entretenimento infantil a temática das lutas ninjas e dos grandes mestres “sanseys”, que depois fizeram tanto sucesso em desenhos como Dragon Ball, por exemplo. E isso não é uma característica negativa. A diferença é a forma como aparece agora. Talvez essa seja uma opinião nostálgica e atrasada, mas o 3D parece desmerecer as histórias, deixando-as mais bobas e comparando os tartarugas a uma espécie de Pokemon ninja, incluindo a trama em um gênero que não se define nem como filme nem como desenho animado (ainda assim, devo admitir que seria estranho – e ninguém teria coragem suficiente – fazer um desenho 2D em pleno ano de 2007).

Mas, apesar de todas as críticas que fiz até aqui, o filme não decepciona – mesmo por que é difícil decepcionar alguém que já espera o pior. O humor continua sendo uma característica marcante, e este último filme tem tiradas ótimas e atualizadas à realidade contemporânea. O COWABANGA, seu antigo grito de guerra, se tornou uma espécie de serviço de telemarketing. O Rafael utiliza um uniforme meio “high tech” para dar uma de justiceiro durante a noite e o Michelangelo se fantasia de tartaruga – sim! – para animar festas infantis.

A lição de moral continua sendo a da fraternidade e da importância da família, que, de certo modo, também se adapta aos dilemas atuais. Sem moralismo da minha parte, o filme retrata brigas, separações e, conseqüentemente, uma família desestruturada – mas lógico, tudo com um final feliz. O único problema disso é que a briga de egos entre o Leonardo e o Rafael acaba escondendo o Mestre Splinter, Donatelo e o Michelangelo. “Perdas” inestimáveis. Bom, em resumo, aí vai uma dica: se você quer ver Tartarugas Ninja de verdade, vá a uma locadora e ache um bom e velho VHS dos mutantes – isso se você ainda tiver um vídeo cassete em casa! Não sei se o que é bom dura pouco ou se eu é que estou ficando velha… SANTA TARTARUGA! (Pros leigos, COWABANGA traduzido pro português).

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Postado por Débora