Aglomeração, calor e xixi pelas ruas

15/02/2010

Me chamem de mau-humorada, mas alguns fenômenos da cultura pop são esquisitos, não são? Um deles, sem dúvida, é o Carnaval. Ok, eu não vou diminuir os méritos da festa. Dizem por aí que o Carnaval nasceu como um ato de transgressão, de libertação antes da quaresma – período em que os cristãos deveriam esquecer festas, bebidas e carnes (em qualquer concepção do termo). Até aí, ótimo. Me parece que a festa ainda segue o objetivo inicial. Mesmo que a quaresma já nem seja mais respeitada… Além disso, adquiriu o status de festa – e símbolo – nacional. Uma espécie de futebol em forma de folia. Mais uma forma de vender o Brasil para o mundo.

Acho que o Carnaval pode ser realmente saudável. Em cidades menores, parece realmente legal dançar ao som de marchinhas, confraternizar com pequenos blocos de Carnaval de rua, ver homens vestidos de mulher, etc.

Mas, o que realmente leva pessoas a se aglomerarem em ruas lotadas de gente, ao som de músicas com letras no mínimo estranhas, e pularem e dançarem sem parar? Quer dizer, nada disso seria esquisito se as pessoas de fato tivessem espaço para se mexerem… e se outras pessoas não fizessem xixi nestas mesmas ruas, e se não estivesse um calor do cão. Vi ontem imagens do Carnaval em Olinda e me impressionei. Como disse um jornalista em uma rádio “por aqui contam sempre a história de um homem que morreu durante a folia, mas só conseguiu cair no chão quando o Carnaval acabou”. Hilário, mas próximo da realidade.

E tudo fica mais estranho com a presença daqueles bonecos gigantes. Folclore a parte – acho que toda manifestação cultural tem seu mérito, por mais bizonha que seja – aquelas figuras são com certeza meio atordoantes, não são?

Mas acho que nada bate os trios elétricos de Salvador, que tem o mesmo estilo de empilhamento de pessoas pelas ruas. Afinal, “Sou o lobo mau, sou o lobo au, au… vou te comer, vou te comer, vou te comer”…

Bem, por hoje é só… quem sabe amanhã um post sobre o Carnaval carioca. Isso depois que eu ver na TV a reprise compacta dos melhores momentos da primeira noite de desfiles na Marquês do Sapucaí. O.o

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E o Oscar vai para – melhor filme

08/02/2010

O Cowabanga é pop, gosta de pop e por isso mesmo ninguém aqui tem problemas em admitir que troca tranquilamente um filme iraniano por um arrasa quarteirão estadunidense . Sendo assim, esse post segue a academia e trata dos indicados ao Oscar 2010 ! De quebra ainda ajudar você a chutar melhor no

Bolão COWABANGA! – And the Oscar goes to… (versão EU JÁ SABIA!)

Pra começar, a categoria que mantém todo mundo na frente da telinha (se é que alguém aguenta a cerimônia até o fim): melhor filme.

Avatar

Concorrendo em nove categorias, a aposta obvia de todo mundo é o Dança com lobos no espaço, Avatar. Eles são azuis, eles são grandes e eles vieram para ficar. James Titanic Cameron esperou 12 anos pra filmar essa fábula no espaço, convenceu uma galera a investir no projeto e segurou firme a torcida contra quem afirmava que dificilmente as bilheterias do filme ultrapassariam o 300 milhões da produção. E ele não só ultrapassou como segue nos cinemas dando tchauzinho pros maiores recordes de bilheteria de todos os tempos.

A posição sobre o Ava diverge. Uns amam, outros juram que já viram isso antes. Não em 3D, não no espaço, mas mais ou menos com o mesmo gosto. O fato é que os azuinhos de Pandora e a sua mensagem de paz, amor e vamos cuidar da natureza tomaram de assalto a cultura pop universal com  como há tempos não se via.

Guerra ao terror

Na seqüência da banca de apostas e também com nove indicações uma coincidência que faz os cinéfilos de plantão sorrirem de cantinho: Guerra ao Terror, da diretora e ex-esposa de Cameron, Kathryn Bigelow. O título em português é mais uma demonstração da criatividade dos tradutores brasileiros que conseguiram transformar The hurt locker, algo como “o armário da dor” no já citado guerra ao terror.

Apesar de seguir a onda recente de filmes sobre a guerra do Iraque, Bigelow faz um filme diferente baseado nos relatos reais do jornalista Mark Boal. Ela mantém o pulso firme e mostra o cotidiano da ocupação pelos olhos dos soldados que trabalham kamikasemente desativando bombas deixadas para trás. Os soldados do lado yanque, off course.

Bastardos inglórios

Sem pretensões de critério na ordem de apresentação, seguimos com Bastardos Inglórios, oito indicações e Brad Pitt (ok, quem da o show é o Christoph Waltz, mas o Brad é sempre bacana de olhar). O novo filho de Quentin Tarantino fala de cinema falando de guerra e não deixa de ser uma homenagem a sétima arte. Taranta pega os nazi como pano de fundo e se diverte numa salada de referências com uma trilha sonora do c$%¨&.

Sem querer desaniamr ninguém na hora de votar, mas a academia curte ignorar o Taranta solenemente e é bem provável que ele saia mais uma vez com as mãos abanando. Depois de Pulp Fiction ele vem colecionando indicações mas estatuetas que é bom, necas. Talvez achem o rapaz muito arrogante, talvez não se conformem com o fato dele não ter pretensão nenhuma de fazer uma revisão histórica – apenas de entrar para história do cinema.

Amor sem escalas

Amor sem escalas, que entra nessa com cinco indicações, está pousando no cinema agora mas já tem o meu coração. Argumento 1. George Clooney. Ele faz um executivo cujo trabalho é demitir empregados no lugar dos seus chefes. Ele não tem coração, passa mais horas voando e contando milhas que em terra, mas tem baldes e baldes de charme. Argumento 2. O diretor, Jason Reiman. O moço pode não ter a tarimba bilhetérica de Cameron nem a genialidade do Taranta, mas dirigiu os adoráveis Juno e Obrigado por fumar o que o coloca num patamar deveras confiável. Quem não viu, corre pra locadora – alguém ainda faz isso? – e aproveita. São filmes bacanas com diálogos inteligentes. Algo difícil de achar pelas bandas cinematográficas ultimamente.

A história pode parecer encaixar muito com a crise econômica mundial, mas é baseada num livro de 2001 e no fim trata de um tema universal: pessoas. E enquanto o cinema tratar de pessoas e sentimentos reais, seguiremos pagando ingresso (isso pra não dizer George Clooney, George Clooney, George Clooney!).

Preciosa

Correndo por fora com seis indicações e pra encerrar a nossa etapa Melhor Filme, Preciosa – uma história de esperança. Não precisamos dizer que o acréscimo ao precious foi coisa dos nossos queridos tradutores (um dia ainda faço um post só com essas pérolas).

O filme é baseado na história real de uma garota que foi estuprada pelo pai de quem teve um filho com síndrome de down, maltratada pela mãe e expulsa do colégio aos 16, logo após engravidar de novo do pai. Pra completar, Claireece “Preciosa” Jones é gorda e não sabe escrever. Não, não é uma história das tardes com a Márcia, é uma película holywoodiana. Agora se a vida dela muda ou não eu não vou dizer, que a gente curte pop, não spoiler.

O resto

Como a academia subiu pra dez o número de indicados ainda faltam cinco filmes pra serem explicadinhos, mas vamos ser sinceros. Esse post já tá muito grande e eles não tem chance. Ou alguém aí acha que Distrito 9 (aliens convivendo com humanos em regime de apartheid na África do Sul), Up – altas aventuras (velhinho e criança visitam América do Sul numa casa voadora movida a vento e balões coloridos), Um homem sério (irmãos Cohen), Um sonho possível (Sandra Bullock loira e de franja) e Educação (esse eu não sei nada não) tem alguma chance?

As outras categorias ficam pra outra hora e que a força esteja com vocês!


A música pelo mundo – Parte 2

09/03/2009

A cena psicodélica do Zâmbia

Se há uma coisa que me irrita deveras é a falta de vontade de alguns indivíduos ditos “intelectuais” e que “sabem tudo” em conhecerem a cultura africana, que muitos deles teimam em dizer que não existe. Tartufice pura! Não só existe como possui coisas boas. Só um pouco de boa vontade pra descobri-las. E uma delas vamos comentar hoje.

Vou jogar as informações no ar pelo que eu pesquei há algum tempo. Durante os anos 70, alguns discos de rock chegavam em países africanos, seja por parte dos remanescentes da neocolonização, seja por parte do exército, ou pra comércio mesmo. Nesse meio tempo, houve uma explosão de rock psicodélico, mais precisamente no Zâmbia. Duas bandas se destacaram: o The Peace e o Amanaz.

Não se sabe ao certo quando o The Peace lançou seu álbum Black Power. Sabe-se que foi nos anos 70, mas não sabem precisar o ano. A banda surgiu na cidade de Ndola, na província de Copperbelt, uma importante zona de minério do país (Copperbelt, aliás, significa “cinturão de cobre”, devido à abundância do minério nessa região).
Segundo os boatos, a banda teria se formado no cerne da aeronáutica do Zâmbia, mas não se sabe até onde isso é verdade. O que se sabe é que, antes de se tornar The Peace, a banda teve outro nome anteriormente: The Boyfriends.

Ao gravarem o disco, os quatro componentes (suponho que sejam quatro) prensaram quinhentas míseras cópias do álbum, que depois se espalhou pelo mundo. O som da gravação é abafado, e com alguns ruídos, talvez devido ao equipamento precário do estúdio na época. Mas nota-se claramente arranjos de qualidade, muito bem elaborados.

Não se sabe que fim levaram os integrantes do grupo. A bem da verdade, descobri apenas o nome do produtor do álbum, que se chama Edward Khuzwayo. Infelizmente, as fontes do álbum são bem escassas. Em breve, posto link pra vocês baixarem. Desde já, recomendo.

Já o Amanaz surgiu da união de diversas bandas locais, em Kitwe, no norte do Zâmbia. Lançaram um único disco também, o Africa, em 1973. Há quem diga que o som deles é semelhante ao som do trio BLO, que surgiu na Nigéria. Eu respeito opiniões, mas discordo veementemente. O grupo parece ter um som mais encorpado que o The Peace, e algumas músicas até são cantadas em idioma nativo, o Bantu. A guitarra surge muito bem nas canções, e as batidas percussivas, bem como os arranjos de cordas, lembram muitos elementos africanos.
Recomendo também esse Africa.

E desde já, peço desculpas pelo atraso do post e pela pesquisa limitada, mas banda obscura é assim mesmo: difícil pra cacete de encontrar informação.

Assim que achar, posto links de downloads dos álbuns pra vocês.

Por ora é isso.
Um abraço!


Esclarecimento

08/03/2009

Amigos,

Peço desculpas para vocês por não ter feito o prometido post sobre rock africano, prometido pra quarta passada, dia 4/3. Tive alguns contratempos e não consegui escrever o que precisava.

Prometo, até amanhã de noite (dia 9/3) este post.

Aguardem.


A música pelo mundo – Parte 1

01/03/2009

Antes de qualquer texto longo e altamente criticado (lembrem-se das nossas raízes, crianças), quero fazer um grande agradecimento ao amigo Diego, um dos editores da ProgShine, que se lembrou da gente na indicação ao Prêmio Dardos. Desde já, muito obrigado, meu velho.
Gostaria de avisar, também, que assim que entrarmos em consenso, listaremos aqui os 15 sites que indicamos para o mesmo prêmio. Em alguns dias, sairá o post com os nossos preferidos.

Sem mais delongas, já que as férias de faculdade acabaram, vamos ao que interessa.

Responda sem pestanejar: qual seu artista musical africano preferido?
– Ah, é o… Africano?

Não sabe? Tudo bem, vamos facilitar. Na música celta, quem é seu artista preferido?
– Ah, essa é… Celta?

Tudo bem, tudo bem. Que tal mariachis? Ou artistas hindus? Ou um progressivo romeno? Ou…

Vejam quantas variações musicais citamos aqui. E poderíamos citar muito mais.
Música é uma cultura, uma linguagem universal, algo que unifica vários indivíduos, independente da nacionalidade deles. Um japonês pode cantarolar uma canção brasileira sem saber o português e se sentir tocado por ela. Assim como ouvimos o rock britânico e/ou norte-americano, muitos com letras sem sentido, e nos sentimos tocados com as belas melodias ecoadas em nossos fones ou caixas de som.

A bem da verdade, música é produzida a todo e qualquer momento no mundo, e vai continuar assim, até o final dos tempos. A ampla gama de possibilidades em compor música permite isso. O que fica impossibilitado é conhecer todas essas variações culturais da música composta no globo terrestre. Mesmo que a tecnologia tenha ajudado a aprimorar os meios de comunicação e pesquisa de bandas e artistas obscuros, muita gente não sabe nem por onde começar uma procura por esses artistas. Some isso à ampla divulgação de álbuns engendrados por artistas de grandes indústrias fonográficas, tanto em rádios quanto em propagandas e revistas do gênero, e temos aí o pecado mortal do detrimento e rebaixamento desses estilos musicais variados, em prol do cânone de Universais EMIs, BMGs, SomLivres e Orbeats da vida. E a alienação estará armada.

Pois bem, em virtude disso, escreverei durante o mês uma série de posts sobre os mais diversos artistas e bandas musicais espalhados pelos mais obscuros pontos da litosfera social. A princípio, começarei com bandas de rock africanas dos anos 70 (não serão muitas). Depois pretendo partir pelo rock argentino dos anos 80 e 90 (minha linha de pesquisa atual). E depois, veremos.

Pretendo publicar dois posts por semana, um sempre na quarta ou quinta-feira, e outro no final de semana. Essa é uma forma não só de manter uma periodicidade aqui, como também de me regrar em escrever estes posts (sim, estou aprendendo só agora a usar agenda).

Por ora, este post será apenas para avisá-los da ideia e para avisar que ainda estamos vivos, apesar da preguiça em publicar algo novo aqui. Mas como diz o velho ditado, o Cowabanga tarda, mas não falha!

É isso, pessoal.
Até quarta-feira, então, neste mesmo canal!