(W)hedonismo e esperneios

09/06/2008

Nerd é uma raça complicada de se lidar mesmo… Tudo o que eles (nós?) querem(os?) é divertirem-se com seus jogos, seriados, quadrinhos, filmes, etc. E, muitas vezes, o grau de apego – devoção, até – por alguma série, franquia, personagem, roteirista, diretor, etc. é tão grande que chega a ser algo surreal. E, quando esse é o caso… Sai de baixo.

Tudo torna-se motivo pra esperneios. Muda-se o visual do personagem. Os nerds esperneiam. Cria-se um novo logo para a série. Troca-se o roteirista. Esperneios. Faz-se adaptações de uma obra na transposição para outra mídia. É feita uma revelação surpreendente sobre o passado do personagem. Mais esperneios. Mata-se o personagem. A série aproxima-se do cancelamento. O horror, o horror!

A tortaTemos muitos e muitos casos (relativamente) famosos de esperneios nerds que deram certo ou não ao longo dos anos. Um mais ou menos recente foi a campanha pela ressureição do personagem Wendell Vaughn, o Quasar, da Marvel Comics, morto na saga Aniquilação. Os fãs chegaram a mandar uma torta com a imagem de Quasar e os dizeres “Bring Back Wendell” (Tragam Wendell de volta) ao editor Bill Rosemann, da Marvel. Até hoje, porém, os esperneios dos (cinco ou seis) entusiastas do falecido super-herói não surtiram efeito.

Amazing Spider-Girl #21Nerds que obtiveram grande sucesso em suas mobilizações foram os fãs da Garota-Aranha. Sua revista mensal, lançada em 1998, conta as aventuras de May Parker – filha de Mary Jane e Peter Parker (o Homem-Aranha, dã), que nasceu durante a famigerada Saga do Clone e herdou os poderes do pai –, passadas num futuro alternativo no qual as pessoas não se esqueceram que ela existe. A Marvel Comics chegou a anunciar o cancelamento da publicação – alegando baixas vendas – por mais de uma vez, mas o esperneio dos fãs fez com que ela continuasse saindo. Em novembro de 2005, o editor Nick Lowe chegou a afirmar que, pela primeira vez, a revista da Garota-Aranha estava fora de perigo de ser cancelada. Mas, em 2006, com a centésima edição, a HQ chegou ao seu fim… Apenas para ser relançada meses depois sob novo título. Com 100 edições, Spider-Girl é a publicação mais longeva com protagonista feminina da história da Marvel. A nova revista, por sua vez, intitulada Amazing Spider-Girl, já está na 21ª edição.

Box de FireflyOutros nerds esperneantes dignos de nota são os fanáticos pelo roteirista, produtor e diretor Joss Whedon – criador de Buffy, Angel e Firefly, e responsável pelos roteiros de uma das melhores fases das HQs dos X-Men dos últimos tempos. Aliás, “dignos de nota” é um belo de um eufemismo. Esses caras merecem, provavelmente, uma categoria só pra eles, especialmente os fãs de Firefly. Explico. Em 20 de setembro de 2002, estreou na FOX americana o seriado Firefly, um space western (isso mesmo, você leu certo). Após a exibição (fora de ordem, diga-se de passagem) de apenas 11 dos 14 episódios produzidos, a FOX anunciou o cancelamento da série. A partir daí, um fenômeno surgiu. Os fãs organizaram-se para tentar impedir o cancelamento. Chegaram a arrecadar dinheiro para a publicação de um anúncio na revista Variety e realizaram uma campanha em prol do envio de cartões postais ao antigo canal de TV UPN, tentando encontrar uma nova rede que abrigasse o programa. Num primeiro momento, acabou não dando certo, mas o apoio ao seriado levou ao seu lançamento em DVD no final de 2003 e, finalmente, à produção de um filme pela Universal, lançado em 2005 com o nome Serenity.

Hora de um pequeno parêntese com uma curiosidade tirada direto da Wikipedia

(Em julho de 2006, foi lançado um documentário feito por fãs, intitulado, Done the Impossible, que está disponível comercialmente. O documentário mostra a história de vários fãs e como o programa afetou suas vidas, e também apresenta entrevistas com Whedon e vários membros do elenco da série. Uma porcentagem das vendas do DVD é doada para a organização de caridade favorita de Whedon, Equality Now). Isso é o que eu chamo de fãs.

Durante a divulgação de Serenity, Joss Whedon falou ao público: “Este filme não deveria existir. Programas de TV fracassados não são transformados em grandes filmes – a não ser que o criador, o elenco e os fãs acreditem além da razão… Este é, de uma maneira sem precedentes, o seu filme”. O esperneio vence outra vez!

O elenco de DollhouseAgora, os fãs de Whedon atacam novamente. Eles já estão esperneando e mobilizando-se em uma campanha para salvar Dollhouse do cancelamento. A nova série do criador de Buffy é estrelada por Eliza Dushku (a Faith de Buffy) e conta a história de super agentes que são “programados” para realizarem missões secretas e têm suas memórias apagadas após o cumprimento de cada uma delas. O detalhe é que Dollhouse estréia na FOX americana somente em janeiro de 2009. Talvez, desta vez, os esperneios sejam um tantinho exagerados (sem falar em precoces)…


Bee Movie ou Seinfeld, a abelha

02/12/2007

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Chris Rock e Jerry Seinfeld divulgando o filme

Jerry Seinfeld está de volta! Quer dizer, mais ou menos. Amarelo, com listras e um gosto meio peculiar por mel, mas está de volta! O autor de um dos sitcoms mais famosos da TV norte-americana decidiu dar fim aos seus dez anos de folga da cultura pop mundial da forma mais pop possível no momento (não, ele não lançou um disco de rap): com uma animação.

Bee Movie – A história de uma abelha (trocadilho com “filme de abelha” e “filme B”), estréia nesta quinta nos cinemas nacionais. Seifend faz a voz do personagem principal, ajudou a escrever o roteiro e trabalhou na produção – o comediante chegou ao ponto de sobrevoar Cannes vestido de abelha para promover a história.

A idéia é simples. A abelha Barry B. Benson, recém saída da faculdade, resolve conhecer o mundo antes de passar o resto da vida no mesmo emprego. Barry acaba em Nova York, lá, entre as dificuldades inerentes de ser um inseto em um mundo programado para, bem, matar insetos, e após conhecer uma humana e descobrir que as pessoas comem mel, ele decide, ao melhor estilo Seinfeld, processar a humanidade pelo roubo do produto.

Parece que de animação infantil o filme não tem muita coisa além do nome. Quem liga? Para os fãs de Seinfeld, é melhor que seja mesmo um episodião versão 3D.

Postado por Paula


Top 10: Bordões

25/11/2007

bordão
[Do lat. vulg. burdone, ‘mula’.]
S. m. Palavra ou frase que se repete a cada passo na conversa ou na escrita.

(Bem) depois de lhes trazer a lista dos 10 melhores personagens, chega a hora dos 10 melhores bordões da ficção (pós-)moderna, escolhidos de forma absolutamente pessoal e arbitrária pelo nosso comitê (de uma só pessoa).

10. “Para o alto e avante!”
Superman
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Na verdade, tenho minhas dúvidas quanto ao fato de o Superman já ter dito esta frase alguma vez nos quadrinhos, na TV ou no cinema. De qualquer maneira, a frase popularizou-se na radiodramaturgia, sendo usada sempre antes dos momentos em que o Homem de Aço iria voar nas audioficções. Uma expressão como essa, a mais famosa associada ao (talvez) personagem mais famoso de todos, não poderia deixar de estar nesta lista.

9. “Pela união dos seus poderes, eu sou o Capitão Planeta! (Vai, Planeta!)”
Capitão Planeta e os Planeteiros
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“Vamos unir nossos poderes! Terra! Fogo! Vento! Água! Coração!”. Quem nunca gritou essas palavras junto com os amigos e encenou o surgimento do Capitão Planeta no meio de uma aula chata em pleno 3º ano do Ensino Médio? Peraí… Vocês não?!

8. “Super-Gêmeos, ativar!”
Zan e Jayna, os Super-Gêmeos da série animada Super-Amigos
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Dois dos heróis mais esdrúxulos de todos os tempos. O grito deles na hora de usarem seus poderes era tão… Peculiar. Difícil não lembrá-lo. Mas a melhor parte ainda vinha depois, com falas parecidas com: “Forma de um urubu! Forma de um balde de gelo!”. Sério! Que poder útil! Um balde de gelo! Sensacional!

7. “Cowabanga!”
Tartarugas Ninja
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Tá… Admito que talvaz a grafia correta não seja exatamente essa. Mas isso não vem ao caso. O que importa é que o grito de comemoração das Tartarugas Ninja (seja lá como se soletre) é presença indispensável nesta lista. Nascida em um programa infantil apresentado por um (pseudo-)índio, usada pelos surfistas para expressar o prazer sentido no momento em que estavam em uma onda, a palavra foi, mais tarde, imortalizada pelas Tartarugas. Quem não se lembra do jogo para fliperama, SNES e Mega Drive, no qual, ao final de cada batalha com um dos chefões, as Tartarugas Ninja comemoravam gritando: “COWABANGA!”?

6. “Hi-Yo, Silver!”
Cavaleiro Solitário
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Acho que todo mundo que já andou a cavalo já teve vontade de gritar um “Hi-Yo, Silver!”. Mas poucos são os que sabem de onde vem a expressão. O personagem que repetia esse bordão, o dono do cavalo Silver, é o Cavaleiro Solitário, herói de faroeste norte-americano que foi conhecido
no Brasil, por muito tempo, como Zorro, devido à máscara preta que lembrava a do Zorro original.

5. “Tá na hora do pau!”
Coisa, integrante do Quarteto Fantástico
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Na revista Fantastic Four #22, de janeiro de 1964, Stan Lee criava um grito de guerra para o Coisa. A expressão tornou-se, desde então, marca registrada do membro mais carismático do Quarteto Fantástico. Bem auto-explicativo, o grito do Coisa normalmente significa que vilões irão apanhar.

4. “Espada Justiceira, dê-me a visão além do alcance!”
Lion-O, líder dos Thundercats
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Qualquer um que já tenha assistido a um episódio de Thundercats jamais esquecerá o poderoso grito de Lion, invocando o poder de sua Espada Justiceira. Saudade de brincar com a minha Espada Justiceira de plástico. Saudade dos Thundercats.

3. “Olaaaá, enfermeira!”
Yako e Wako, os irmãos Warner da série animada Animaniacs
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Ninguém resiste a uma enfermeira. Muito menos os irmãos Warner. Se bem que eles não usavam a expressão só para a enfermeira. Como muitas coisas no desenho, às vezes o uso do bordão não fazia muito sentido. E era isso que o tornava absurdamente legal.

2. “Que a Força esteja com você.”
Os Jedi de Star Wars
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Uma das frases mais famosas da história do cinema e, quiçá, da humanidade. Usada pelos Jedi, basicamente, para se despedirem uns dos outros, tornou-se marca registrada da franquia Star Wars. O original, “May the Force be with you”, faz alusão à expressão católica “May the Lord be with you”. Em Star Wars, a frase aparece, de fato, com um ar solene, quase religioso. É, sem dúvidas, um dos bordões mais legais de se usar no dia-a-dia (inclusive, como fechamento de uma reportagem de rádio).

1. “Avante, Vingadores!”
Capitão América, eterno líder dos Vingadores
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O Capitão não foi o único a gritar essa palavras, mas foi ele quem as imortalizou nos quadrinhos. Os Vingadores definitivamente não são os mesmos sem sua liderança. Chega a ser triste pensar que ficaremos um bom tempo sem gritos de “Avante, Vingadores!” na voz (ou nos balões saídos da boca) do Capitão América. Pelo menos, sabemos que um dia as coisas voltam a ser como eram. Afinal, nos quadrinhos, quem é morto sempre aparece.

Menções honrosas:

“Digo-te não!”
— Thor, o deus nórdico do trovão

“Imperius rex!”
— Namor, o príncipe sub-marino

“Hulk esmaga!”
— O Incrível Hulk

“Eu tenho a força!”
— He-Man

“É hora de morfar!”
— Power Rangers

“Scooby-doo-by-dooooo!”
— Scooby-Doo

“Em chamas!”
— Tocha Humana, integrante do Quarteto Fantástico

“Sigam-me os bons!”
— Chapolin Colorado

“Shazam!”
— Capitão Marvel

“Espada Olímpica! Corte transversal!”
— Jiraya

“Por Tutatis!”
— Astérix

“O que é que há, velhinho?”
— Pernalonga

Postado por Kauê


Vida. Morte. E vida outra vez.

09/11/2007

Pushing Daisies

Aventura. Drama. Romance. Mistério. Comédia. Ação. Fantasia. Tudo isso está presente em Pushing Daisies, aclamada nova série da rede de TV norte-americana ABC. A recém no quinto episódio, o seriado já é sucesso de público e crítica, considerado por muitos como o melhor da nova safra. Inclusive, recebeu há alguns dias o aval da ABC para que seja produzida uma temporada completa.

Pushing Daisies conta a história de Ned, um fazedor de tortas, possuidor de um dom peculiar: ressuscitar os mortos com um simples toque. Mas há regras bastante rígidas quanto ao uso de seu poder. Se Ned toca o ser ressuscitado novamente, este morre outra vez. Para sempre. Além disso, o desmorto só pode ficar um minuto de volta ao mundo dos vivos. Ou alguém que esteja próximo morre em seu lugar.

Um detetive particular, Emerson Cod, descobre o poder do fazedor de tortas e convence-o a ajudar na resolução de casos de homicídio. Ned traz as vítimas de volta a vida por um minuto, para que sejam interrogadas, e depois lhes devolve ao sono eterno. Por um acaso do destino, um dos assassinatos investigados é o de Charlotte “Chuck” Charles, amor de infância do fazedor de tortas. Ele revive-a, mas não é capaz de criar coragem para tocá-la mais uma vez. Resultado: Ned mantém Chuck viva, mas os dois nunca mais poderão se tocar.

É, definitivamente, um seriado original. Claro, há inúmeras histórias de detetive por aí. Mas qual outra delas envolve um romance no qual o toque é “proibido”? (Aliás, essa situação me lembra o refrão de uma música do Grupo Revelação). Pushing Daisies é diferente de qualquer outra coisa que você já viu, eu garanto. Um tão necessário sopro de criatividade no mercado norte-americano de séries de TV, cada vez mais saturado de formulismos e “mais do mesmo”.

Criado por Brian Fuller, ex-co-produtor executivo de Heroes e criador de Dead Like Me (aparentemente, Fuller gosta de pessoas mortas), o seriado abusa do realismo fantástico e de um (às vezes não tão) sutil humor nonsense (Douglas Adams, alguém?). Por se tratar de algo tão original, fica realmente muito difícil definir Pushing Daisies. Encontrei na Internet, um texto que se refere à série da seguinte forma: “como seria Tim Burton sorrindo”. Creio que essa é uma visão muito interessante e acurada das desventuras do fazedor de tortas. Mas eu, particularmente, prefiro dizer que Pushing Daisies é uma mistura de história de detetive, conto de fadas e comédia romântica. Com uma (generosa) dose de Tim Burton.

O seriado conta com uma grande carga de humor negro. Apesar de lidar com a morte, o tom é quase sempre leve, divertido, despretensioso. Não há espaço para enrolação. As coisas acontecem na medida em que devem acontecer. Os personagens são carismáticos e bem trabalhados. Os diálogos, extremamente inteligentes. As situações, bizzarras, inusitadas. E a cereja do topo é, sem dúvidas, a narração, que dá o toque final de surrealismo e excentricidade. No final das contas, Pushing Daisies é uma série que faz sorrir.

Em terras tupiniquins, os direitos de exibição foram adquiridos pela Warner, que promete estrear a série no ano que vem. Só espero que não inventem de traduzir o título. Pushing Daisies significa algo como “empurrando margaridas (de dentro do túmulo)”. Uma expressão mais ou menos equivalente a “sete palmos debaixo da terra” ou “morto e enterrado”. De qualquer forma, não perca por nada neste mundo.

Postado por Kauê


Mullets imortais

23/10/2007

MacGyverOk, falamos muito de seres humanos que, com seus poderes sobrenaturais, conseguem salvar a população da sua cidade, país, planeta ou até mesmo a sua pele. Aqueles que não tiverem o dom de tais poderes, que rezem. Ou esperem pela boa vontade dos meta-humanos.

Mas há um homem que não possui poderes sobrenaturais e, mesmo assim, consegue fazer mágica apenas com o conhecimento que possui e com seu canivete suíço. Ele se recusa até mesmo a usar armas de fogo para escapar de situações ou enfrentar seus inimigos. Dotado de grande inteligência – talvez sua única arma sobrenatural, mas isso é discutível – é fascinante ver o jeito em que o personagem se livra das situações. Além, é claro, de seu estilo bastante anos 80 e dotado de mullets imortalizados nessa década.

MacGyver às vezes chega a passar uma certa raiva ao telespectador, pois ele sempre se livra das mais complicadas situações. Pudera: é um inteligentíssimo ex-agente secreto do governo americano. É graduado em Direito e Física, o que lhe dá o dom de produzir misturas explosivas ou corrosivas. Não é à toa que duas encalhadas medíocres como Patty e Selma o admiram tanto: é o típico “príncipe encantado” para as irmãs de Marge Simpson.

Lembro-me ainda do Profissão Perigo na Globo, antes da novela das seis. Eu deveria ter uns quatro ou cinco anos de idade (calculem pra 1990/91). Infelizmente não consigo me lembrar da trilha sonora de abertura, a tão clássica Tom Sawyer, do Rush.

MacGyver era interpretado pelo ator Richard Dean Anderson e se você quiser assistir ainda ao seriado, ele passa na TV Ulbra. O problema é encontrar o maldito horário da programação da emissora.

Mas, pensando por outro lado, poderíamos todos tentar desvendar ou revelar um lado MacGyver nosso, de se virar para todas as situações, não acham? Claro, sem mullets, por favor. Em 1991, talvez fosse essa a tentativa da Globo de colocar o seriado em plenas 17h. Hoje a questão é outra, bem avessa…

Pra terminar, uma piada:

Estava o casal no maior amasso em seu quarto. No post-sex, a garota pergunta:
– Querido, como vai se chamar o nosso filho?
Subitamente o homem se levanta, tira a camisinha, dobra-a em quatro, põe dentro de um saco, amarra-o, taca álcool no plástico, acende um fósforo e põe fogo. Após, pega o que restou, joga na privada e dá a descarga. Volta para a cama e fala para a garota:
– Meu bem, se ele conseguir sobreviver a tudo isso, vai se chamar MacGyver.

Postado por Fred


Prison Break: perdendo-se atrás das grades

17/10/2007

A melhor série da atualidade. Uma resenha sobre o seriado Prison Break poderia resumir-se a apenas esta frase e seria absolutamente precisa e correta. Se fosse escrita há duas temporadas atrás. O fato é que, após uma primeira temporada fantástica e uma segunda muito boa, Prison Break vai deixando de ser o melhor seriado da televisão norte-americana.

No primeiro ano da série, o foco era a vida dentro da penitenciária, bem como o plano mirabolante de Michael Scofield para tirar o irmão de dentro da prisão. Acompanhar, semana a semana, todos os passos de Scofield para escapar da cadeia era uma ótima premissa, que foi muito bem explorada nos primeiros 22 episódios. Além disso, a interação entre os personagens foi trabalhada de forma cuidadosa e convincente. Para completar, ao passo que o plano de fuga era executado, surgiam as primeiras pistas e detalhes de uma grande conspiração que havia sido responsável por colocar Lincoln Burrows, o irmão de Michael, na prisão.

A segunda temporada contou a história dos fugitivos após escaparem do centro de detenção de Fox River. O plano de Scofield continuava, incluindo, desta vez, tentativas de limpar o nome do irmão e uma fuga para o Panamá. Novos personagens foram incluídos e outros, antigos, ganharam mais destaque. Os episódios eram recheados de suspense e de reviravoltas. Quando parecia que tudo se acertaria, acontecia um novo revés. E assim foi até o fim, quando Michael Scofield acaba preso mais uma vez. A série começava a se tornar um tanto repetitiva, mas ainda não chegava a perder o pique. Estava longe do sucesso absoluto da primeira temporada, mas continuava deixando o espectador ansiosíssimo pelo capítulo seguinte.

O modo como as coisas terminaram na segunda temporada e os rumores sobre o futuro do seriado levavam a crer em uma terceira temporada promissora. Scofield estava preso outra vez e teria que usar a cabeça novamente para bolar um jeito de escapar. A dinâmica do interior de uma penitenciária, elemento tão importante no início da série, voltaria a ter destaque. Seria um retorno às origens. Apimentado por alguns novos fatores, como, por exemplo, o reencontro de Michael com alguns de seus velhos conhecidos dentro da nova prisão e o fato de que esta, localizada no Panamá, é controlada pelos próprios presos — os guardas só ficam do lado de fora.

A nova temporada estreou no último dia 17 e já está em seu quarto episódio. Por enquanto, tem apresentado os mesmos elementos que consagraram a série: o suspense, o clima de conspiração, a intensidade, as reviravoltas e os sempre mirabolantes planos de Michael Scofield. A volta ao ambiente da prisão, por sua vez, é uma opção interessante, trazendo um conceito que já deu muito certo na série e dando-lhe um tratamento renovado — já que as coisas na penitenciária panamenha são muito diferentes de Fox River — e a premissa da fuga de um local que parece à prova de fugas é sempre instigante.

O grande problema é que essas premissas não vêm sendo tão bem desenvolvidas quanto no início da série. Nos quatro primeiros episódios desta terceira temporada, muito pouco acontece. Surgem algumas perguntas não tão relevantes e uma ou outra resposta que não chama tanta atenção. Pouquíssimos detalhes do plano de fuga são definidos. Algumas situações são mal explicadas ou resolvidas de maneira simplista. E a série vai se tornando cada vez mais previsível. Os personagens sempre agem conforme se imagina que agiriam. O trabalho dos próprios atores parece desgastado, mais do mesmo. As coisas continuam no esquema “parece que vai dar tudo certo, depois parece que vai dar tudo errado e, no final, dá-se um jeito de maneira alternativa” — isto é, até o próximo grande problema. Assim, o telespectador passa a esperar o inesperado e a perder o interesse em acompanhar o desenrolar das situações, já que o final é, na maioria das vezes, basicamente o mesmo.

Pra piorar, o elenco de Prison Break sofreu, recentemente, uma baixa importante. A atriz Sarah Wayne Callies, que interpretava a médica Sara Tancredi — interesse romântico de Scofield —, abandonou a série por causa das dificuldades em conciliar sua gravidez e as gravações do programa. Isso levou os produtores da série a alterarem parte da trama da terceira temporada, que já não havia sido tão bem planejada quanto as duas primeiras — a série foi concebida originalmente para ter apenas duas temporadas.

Não é de se admirar que a audiência do seriado esteja caindo tanto nos Estados Unidos. Talvez a decisão de estender Prison Break por — no mínimo — mais uma temporada não tenha sido a mais acertada. Dito tudo isso, vale ressaltar que a série continua boa. Só não chega aos pés do que já foi. Os fãs mais ardorosos devem continuar acompanhando e divertindo-se com o programa, justamente porque seus principais chamarizes continuam lá. Agora, resta a eles torcer para que os planos dos produtores de Prison Break sejam como os do protagonista do seriado. Quando parece que as coisas vão dar muito errado, elas acabam por se ajeitar — pelo menos por um tempo.

Postado por Kauê


So long, Serenity…

07/09/2007

Sabe quando você fica meio triste porque terminou de ler um excelente livro? Ou de ver um grande filme? Ou de ler uma ótima HQ? Ou de assistir a um seriado espetacular? Tá, acho que já me fiz entender. Bom, é o meu caso.

As últimas páginas. Os últimos minutos. Os últimos quadrinhos. Os últimos episódios. São sempre difíceis. Você fica ansioso. Quer saber logo como as coisas irão acabar. Mas, ao mesmo tempo, não quer que acabem. Quer que aqueles momentos durem o máximo possível. E, quando tudo acaba, você se sente meio… Vazio. Fica aquele “gostinho de quero mais”. Mas não há mais.

Aquele livro que lhe acompanhou por dias, que você lia durante qualquer tempo livre que arranjasse, simplesmente deixou de ser algo novo pra você. Aquele seriado ao qual você assistia relgiosamente todas as semanas não terá mais novos episódios. Acabou. E você tem que viver com isso. É difícil, mas as coisas são assim. Quem disse que a vida é justa…?

Pois é, Firefly vai fazer bastante falta pra mim. Baita seriado. Diferente de qualquer coisa que eu já houvese visto. Um genuíno space western. Singular. Inovador. Tem vários elementos clássicos do faroeste, mas se passa no espaço sideral e em outros planetas. Conta com personagens de carisma, ótimas atuações, tramas originais, grandes cenas de ação e diálogos inteligentíssimos – muitas vezes, hilários –, além de frases de efeito de fazer inveja ao Homem Sem Nome.

Apenas 11 episódios (de 14 produzidos) foram ao ar na FOX norte-americana antes do cancelamento da série, que, em um primeiro momento, não obteve sucesso de crítica ou público. Mais tarde, no entanto, Firefly chegou ao status de fenômeno cult, tornando-se um dos boxes de DVDs mais vendidos nos EUA. Isso motivou a produção de um longa-metragem, intitulado Serenity – e de uma mini-série em quadrinhos que fazia a ponte entre seriado e filme.

Eu vinha assistindo aos episódios de Firefly há algumas semanas e, hoje, finalmente, li a HQ e vi o longa. Acabou. Agora, só resta o vazio…

Postado por Kauê