Nós já sabíamos

29/08/2010

Vocês devem se lembrar deste post aqui, que a Débora criou há quase três anos, sobre a Daniela Albuquerque explicando como ela foi escolher o jornalismo como curso universitário.

Por increça que parível, o post até hoje é comentado. Pouco sobre o assunto e muito sobre tergiversações e acusações de inveja da nossa parte. Não deixa de ser verdade: todos nós, um dia, pensamos em estar na pele da mitológica Daniela Albuquerque (quem???).

Pois não fomos só nós que achamos a referida modelo uma “gurafcinha” (abraço, Hebe) ao comentar sobre o Toddynho abençoado que ela tomou. Há exatos vinte dias, o CQC colocou, em seu Top Five, um vídeo sobre a nossa xodozinha dando a mesma explicação sobre a escolha pela carreira jornalística (arrã!) num programa da RedeTV!. E o melhor de tudo: deu os méritos a Deus por isso.

Nós já sabíamos.
E enquanto isso, a Somália que se dane.


Bolão COWABANGA! – And the Oscar goes to… (versão EU JÁ SABIA!)

08/02/2010

Como vocês sabem, bolão é uma coisa muito pop. Não é nada fácil resistir a eles, convenhamos. A simples ideia de brincar de Nostradamus, tentando acertar mais palpites que os outros e ganhando, além de prêmios, a chance de tirar uma onda com a cara dos amigos que não entendem nada do assunto em questão, é talvez mais tentadora do que o próprio Lado Negro da Força. E como para nós cultura pop é o que há, não poderíamos ignorar essa manifestação por aqui – além do que, cá entre nós, bolão é sempre uma coisa divertida para caramba. Mas relaxe, caro aspirante a Splinter: não queremos que você adivinhe quem vai ganhar o Campeonato Gaúcho ou qual vai ser o vencedor do Big Brother, nada disso. Nosso negócio é mais, digamos, cinematográfico…

Explico sim, pode deixar. O Oscar está aí, batendo na porta – mais especificamente, a cerimônia ocorre no dia 07 de março, um domingo, no Kodak Theatre de Hollywood. É uma cerimônia que, como sempre, vai reunir um monte de gente importante na indústria do cinema lado a lado com um monte de não-celebridades de última categoria, e que promete surpresas consideráveis na sua premiação. E aí está, oráculo: queremos que VOCÊ nos ajude a adivinhar quem vai levar o homenzinho-amarelo-de-barriga-tanquinho para casa!

O processo não poderia ser mais simples. Basta colocar seus palpites na caixa de comentários deste post, dizendo quem vai levar o quê na cerimônia do Tio Oscar. A anarquia é a alma do negócio – se quiser chutar em todas as categorias, vai fundo; se quiser só votar em melhor filme, beleza; se quiser apenas dizer que a Penelope Cruz é uma deusa e vai ganhar Atriz Coadjuvante só por causa disso, tá na boa também. Se tu tá com pressa de ver quem tá concorrendo, pode dar uma consultada na lista de indicados aqui.

De qualquer modo, e como não poderia deixar de ser, vai rolar uma sequência de posts aqui no COWABANGA!, explicando direitinho quem concorre ao quê nessa emocionante briga pelo mais desejado peso de papel do planeta. Dá a tua previsão, e quando a gente voltar das festas pós-cerimônia publicaremos um post aqui enaltecendo os sábios que acertaram na bucha. Como prêmio, além da pizza de muzzarella, a honra eterna e inabalável de ser o herói de uma geração e o primeiro grande exemplo de Mãe Dinah da nova década. Sensacional, né?

Então não perca tempo. Clica ali em “deixar um comentário” e – voilá! – deixe seu comentário. Um abraço, e vejo vocês no futuro!


Mestre de todos os sortilégios!

19/01/2010

Não sei bem quando as coisas começam a se tornar cultura pop. Talvez seja um processo longo e vagaroso de assimilação em massa. Mas algumas “atrações” são rápidas e meteóricas, também. Um exemplo disso pode ser a Lady Gaga, eu acho. Quer dizer, quem há um ano sabia da existência daquela pessoa anêmica, de peruca e roupas estranhas? Enfim… o fato é que provavelmente a passagem seja marcada pela aparição na TV. Ao menos é assim que muita gente descobre a mesma coisa ao mesmo tempo. Quando você liga a telinha, a probabilidade de milhares de brasileiros estarem vendo justamente a mesma coisa que você é altíssima. E isso não é nenhuma novidade. E por mais que ele seja o eterno príncipe negro das noites de domingo, o mestre de todos os sortilégios, foi assim que também aconteceu com Leonard Montano. Éééé Mister M…! Este homem hipnotizou os telespectadores do Fantástico ainda no final do último milênio. Com sua horrenda mascarazinha preta, trouxe a público o que todos sempre quiseram saber: os truques dos ilusionistas. Mas peraí, poder paranormal não existe? A mulher não é cerrada? A carta não passa para o outro lado do vidro? E droga! Não é possível transformar papel comum em dinheiro? Em 1999, o Brasil todo descobriu que a resposta para todas estas perguntas é: Não! Se você acreditava, você é um estúpido! (crianças, é mentira, estou usando de frases de efeito para convencer a fraca mente dos adultos. Qualquer dúvida, é só falar com o Papai Noel que ele confirma tudo). Agora ok, eu sei que você não acreditava em nada daquilo. Nem eu. Mas a curiosidade matou um gato. E o Mister M fez o maior sucesso sacaneando os demais ilusionistas do mundo. Isso há mais de uma década. Mas a alegria durou pouco, os truques se esgotaram e o americano de Los Angeles foi-se embora da rede de televisão provavelmente mais assistida do Brasil. Mas rá! Quem é vivo sempre aparece! E eu fui descobrir somente neste final de semana que o mestre de todos os sortilégios aparece desde 2007 no programa Tudo é Possível, da Ana Hickman, na Record (apesar de a tentação por criar mais um post com comentários eternos, não tecerei minhas opiniões sobre as belas da RedeTV. Mesmo pq, também, ela não é da RedeTV). A diferença agora é que se você acertar como é que o cara vai resolver a mágica, você ganha um MP3. Claro, não é tão simples… você tem que ignorar seu senso de ridículo e estar ao vivo na platéia do programa. Isso sim é cultura pop! COWABANGA! Mas eu escrevi até aqui 434 palavras só pra dizer o seguinte: Mister M é o cara! Anos e anos depois, mesmo já tendo visto a resolução de uma incrível variedade de truques, eu assisti aquele quadro até o final! E, sinceramente, fiquei decepcionada quando descobri que só ia saber como a lança atravessa a assistente sem machucá-la na semana que vem (se bem que eu tenho um palpite: é um dispositivo retrátil no cinto dela. Pode escrever). Enfim, talvez a fronteira seja justamente esta. Talvez algo entre para o imenso balaio da cultura pop quando a audiência passa a ignorar o seu superego crítico e consome o produto sem refletir sobre sua real qualidade. Mas confessa, vai… todos ficaram mortos de curiosidade pra ver a cara do Mister M aquela vez no Fantástico… Grande príncipe negro das noites de domingo!


E.T., telefone, minha casa

18/01/2010

O rei do pop pode ter batido as botas mas o Cowabanga continua. Firme, forte e morimbundo. Após umas curtas férias –  quase um ano, mas não espalha – e milhares de e-mails implorando pelo nosso regresso, decidimos que se é pelo bem do povo e felicidade geral da nação, voltamos!

Trazendo do pop enlatado e pronto pra consumo do Homem-Aranha aos sinuosos desvios do rock africano, numa bela salada pink fúcsia como o bom pop merece a idéia é bater ponto por aqui semanalmente e tirar as teinhas que possam ter se formado.

Enquanto isso, pra aquecer as baterias ao invés de um post interminável um clip super moderno, cool e xablablau. Afinal o Cowabanga não trata só de resgate de memória sentimental de adolescente ointentista. A gente também é hype, benhê.

Hasta la vista, babe!


Feliz Nova Orelha

31/12/2008

Ok, isso aqui tá bem devagar. Mas vocês sabem como são as desculpas de um universitário: quando está com o semestre em andamento, não tem tempo porque há muitos trabalhos e cadeiras pegando pesado. Quando está de férias, quer cultivar a política da preguiça deitado numa rede com o traseiro apontado pro céu.

Entrementes, algumas coisas valem a pena serem postadas e comentadas. Como esta notícia do Whiplash (cujo link você pode ver no fim do post) sobre uma audição musical do vocalista, flautista e tecladista da banda holandesa Focus, Thijs Van Leer.
Não sei quem me contou que, dentre muitos motivos, a banda terminou devido aos atritos entre o guitarrista Jan Akkerman e Van Leer. Chegou num dado momento que Akkerman disse que o vocalista era um belo de um idiota e não agüentava mais conviver com o mesmo. Não sei até que ponto isso é verdade, mas depois da notícia lida, há de se desconfiar.

Basicamente, Van Leer participou de uma audição musical de várias canções de várias bandas, sem saber o nome delas e nem das músicas em questão. Lá pelas tantas, ao ouvir Metal Icarus, do Angra, encantou-se com a voz de André Mattos e comentou: “É um homem cantando? Impressionante!”

Mas o motivo do post não é o comentário sobre Metal Icarus, e sim sobre a ouvidela de Van Leer sobre um trabalho do Tool, banda cujo trabalho conheço uma ou duas músicas. Ao ouvir uma música da banda, o vocalista do Focus não hesitou e soltou a seguinte pérola:
“Eles tocam tudo com precisão, mas é um pouco rigído. Não há suingue, não consigo mexer minha bunda ouvindo isso. (…) Dá para entender o porquê de eles terem excursionado com o KING CRIMSON.

Vocês já podem entender por que grifei a última frase e também de ter comentado sobre a hipótese de briga do Akkerman com Van Leer: o King Crimson é uma das minhas bandas preferidas do ramo progressivo.
Mesmo assim, devo dizer que foi uma das coisas mais engraçadas que já li de um artista progressivo sobre outro grupo progressivo também. E por isso, vale nosso registro aqui.

No mais, Happy New (Y)ear pra todos vocês. Ou, em bom português, Feliz Nova Orelha. E torçamos para que o Peter Gabriel desembarque por estes pagos, pela glória de Tutatis!

Ah, o link –> http://whiplash.net/materias/news_880/081351-angra.html


Sisyphus in black

15/09/2008

Não gosto de dar notas funerárias em lugar nenhum. Acreditem, não me senti bem quando escrevi o post da morte do Waldick e do desenhista do Snoopy. E me sinto pior ainda em publicar este post agora pra vocês. Mas o jornalismo é assim, infelizmente.

É com grande pesar que hoje o rei Sisyphus trajou preto, visitou Rick Wright e o levou desta para melhor. O tecladista do Pink Floyd morreu hoje, aos 65 anos, de câncer no pâncreas. Quem deu a primeira notícia foi o The Guardian.

Tomei um choque quando soube do fato. Mesmo que fosse praticamente impossível, ainda tinha uma ponta de esperança por uma nova volta do Floyd, e até uma possível visita dos mesmos no Brasil, para vê-los ao vivo. Poucas bandas mexeram tanto comigo quanto eles, seja com seus ecos ou com suas viagens para o lado negro da lua, sempre do lado de fora do muro.

A mim (e com certeza a todos deste blog) deixamos nossos mais sinceros agradecimentos a Rick, que assim como Syd Barret e os membros ainda vivos, nos ensinou a sonhar acordado.
Assim que conseguir absorver o impacto da morte de um ídolo, posto mais detalhes.
Link da notícia no The Guardian.

Vá em paz, mestre.

Cloudless everyday you fall upon my waking eyes
inciting and inviting me to rise
And through the window in the wall
Come streaming in on sunlight wings
A million bright ambassadors of morning

And no-one sings me lullabies
And no-one makes me close my eyes
And so I throw the windows wide
And call to you across the sky

(Echoes, 1971)


As cores opacas de Porto Alegre – Parte 1

12/09/2008

Como prometido, aqui vai a minha história sobre o show do Living Colour em Porto Alegre.

Abril de 2004. Nada de muito interessante acontecia. Este escriba aguardava a matrícula pra faculdade no segundo semestre do ano – o que, ao mesmo tempo, significava férias prolongadas por oito meses. Quase trinta dias antes, havia perdido, naquele momento, o show da minha vida: Jethro Tull em Porto Alegre. Impossível para um cidadão que ainda não havia ingressado no mercado de trabalho arranjar 100 pila pra um mísero ingresso de platéia alta no Teatro do Sesi (ainda mais quando os pais achavam que gastar essa grana em um show era um absurdo). Quando havia surgido uma chance mágica caída do céu de conseguir 200 reais através de uma campanha publicitária do Universitário, pasmem: os ingressos esgotaram. Em cinco dias. De 10 a 15 de março. O show seria dia 22. Deus, como aquilo doeu! Mas, como dito em outro post, a vida seguia.

Passaram-se alguns dias e surgiu a notícia de que o Living Colour estava vindo para o Brasil. “Esse não vou perder nem que chovam canivetes!”, pensei. Ingresso a 25 reais, bem baratinho. Bons tempos que os ingressos em Porto Alegre eram baratos. Para se ter uma idéia, em 2002 o Nightwish tocou no Opinião por 25 reais cada entrada. Em 2004, esse preço subiu 220% – ou, trocando por gajos, para 80 reais! A Rita Lee dava pra assistir no Teatro do Sesi por 40 reais a platéia baixa (ingresso mais caro). Hoje você paga 70 reais e olhe lá. A crise, irônica e meta-ironicamente, atingiu os artistas…

O show seria realizado no Gigantinho, dia 24 de abril, às 21h. Até aí tudo bem: apesar da acústica do Gigantinho servir mais para desgastar o ouvido do que melhorar o som, ao mesmo tempo que o lugar NÃO SERVE para comportar um espetáculo grande – e o Iron Maiden esse ano provou isso de forma cabal – a tendência era de bom público. Afinal, o Living Colour surgira na década de 80, era apreciado por muitos da imprensa musical mundial e tinha muitos fãs no Brasil. O próprio baterista Will Calhoun disse que os admiradores que mais clamaram pela volta da banda foram os brasileiros.

Nem o fato das bandas de abertura nada terem a ver com o Living Colour abalou minha convicção, apesar de ter deixado algumas farpas no cérebro. “Como assim?”, mentalizo vocês perguntando. Ora, caro leitor. Você que leu o post sobre o quarteto, informou-se um pouco mais, ouviu a música deles e definitivamente concretizou a existência deles em sua cabeça, responda: se você fosse produtor desse show, colocaria o Diretoria e o TNT para abrirem o espetáculo? Pois é, nem eu. E se você quer saber do porquê desses dois grupos terem tocado na abertura do Living Colour, tem uma explicação bem plausível e possível, senão verdadeira: o show estava sendo apoiado e patrocinado pela Atlântida. Isso lembra uma certa gravadora, que por pura coincidência, tinha contrato com o Diretoria e o TNT. Lembre-se, caro leitor: a crise chegou nos artistasE nas produtoras também. Bem como nos patrocinadores!

Os ingressos foram vendidos nas lojas Colombo dos dois maiores shoppings da capital na época. Divulgação na TV? Praticamente inexistiu. Jornais? Uma ou outra coisinha. Rádio? Aí não sei responder, não ouvia e não ouço a Atlântida. Alguns amigos comentaram que a divulgação na rádio começou dia 20 de abril, ou seja, quatro dias antes do show. Qualquer impressão de desmerecimento não é mera coincidência.

Em meio a esse cenário cinza da publicidade, o anúncio mais vigente eram os outdoors em Porto Alegre informando sobre o show. e estava escrito bem assim:
Lojas Colombro e Rádio Atlântida apresentam: LIVING COLOUR – A MAIOR BANDA DE RAP ROCK FUSION CHEGA A PORTO ALEGRE!

Rap Rock Fusion… Que diabos é Rap Rock Fusion? Alguém sabe me explicar?
Pois agora imagine, caro leitor: sabemos que Porto Alegre é uma capital que geralmente não tolera diferenças. Ou você é colorado ou é gremista. Ou você é de esquerda ou de direita. Ou é maragato ou é chimango. Ou é roqueiro ou é reggaeiro. Meio-termo? Não, não existe esse vernáculo no vocabulário de alguém que se criou em Porto Alegre.
Pois bem, um cidadão porto-alegrense que veja esse cartaz na rua certamente não vai entender lhufas do que é Rap Rock Fusion. Mas certamente o primeiro sentimento vai ser de repúdio. De ojeriza. Elementar, meu caro Corey. Como dois estilos completamente distintos podem se fundir? Sem falar que Rap + Rock normalmente dá a entender que o Living Colour poderia ser comparado com bandas como Limp Bizkit e Linkin Park.
Resultado final: os publicitários que cuidaram dessa divulgação certamente não sabiam o que divulgar da banda. E fizeram qualquer coisinha.

Mas parando um pouco de ser ranheta e voltando para as desconfianças na véspera do show: comprei meu ingresso. Vinte e cinco reais bem gastos. Olho para o número do mesmo (nota do redator: procurei o ingresso aqui em casa dentro de uma pasta, mas não o encontrei. Por isso, vai ficar a informação inexata aqui). Algo entre 140 e 150, pelo que eu lembre. Fico preocupado: só isso de ingressos vendidos? Entro na internet e falo com alguns amigos. Um deles comprou o ingresso em outro lugar. Número 96. Somando, não chegaria a 300 pessoas. Das duas uma: ou estavam pra comprar os ingressos em cima da hora, ou o show seria um fiasco de público. Ou talvez aquela numeração nada tivesse a ver com a quantidade de ingressos vendidos. Conversando com alguns conhecidos que só tinham ouvido ou nunca tinham ouvido falar da banda, apostava mais na segunda opção.

Mesmo assim, ficava um tanto satisfeito com o quarteto chegando a Porto Alegre. O setlist me animava mais ainda: só clássicos da banda. Type, Cult of Personality, Glamour Boys, além de algumas improvisações e covers, como Back in Black, Seven Nation Army e Crosstown Traffic. Os quatro ainda tinham ido no programa do , que acabei não assistindo (por sono e pra não estragar a surpresa do show).

Até que chegou o grande dia 24 de abril de 2004. E chegavam as quatro horas da tarde. Banho, uma roupa leve e o ônibus até o Parque da Marinha. Depois, meia hora de caminhada até o Gigantinho.

O resto dessa história?
Em menos de uma semana, a parte 2 (isso, claro, se ela tiver audiência).

Abraço a todos.