Nós já sabíamos

29/08/2010

Vocês devem se lembrar deste post aqui, que a Débora criou há quase três anos, sobre a Daniela Albuquerque explicando como ela foi escolher o jornalismo como curso universitário.

Por increça que parível, o post até hoje é comentado. Pouco sobre o assunto e muito sobre tergiversações e acusações de inveja da nossa parte. Não deixa de ser verdade: todos nós, um dia, pensamos em estar na pele da mitológica Daniela Albuquerque (quem???).

Pois não fomos só nós que achamos a referida modelo uma “gurafcinha” (abraço, Hebe) ao comentar sobre o Toddynho abençoado que ela tomou. Há exatos vinte dias, o CQC colocou, em seu Top Five, um vídeo sobre a nossa xodozinha dando a mesma explicação sobre a escolha pela carreira jornalística (arrã!) num programa da RedeTV!. E o melhor de tudo: deu os méritos a Deus por isso.

Nós já sabíamos.
E enquanto isso, a Somália que se dane.

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Mestre de todos os sortilégios!

19/01/2010

Não sei bem quando as coisas começam a se tornar cultura pop. Talvez seja um processo longo e vagaroso de assimilação em massa. Mas algumas “atrações” são rápidas e meteóricas, também. Um exemplo disso pode ser a Lady Gaga, eu acho. Quer dizer, quem há um ano sabia da existência daquela pessoa anêmica, de peruca e roupas estranhas? Enfim… o fato é que provavelmente a passagem seja marcada pela aparição na TV. Ao menos é assim que muita gente descobre a mesma coisa ao mesmo tempo. Quando você liga a telinha, a probabilidade de milhares de brasileiros estarem vendo justamente a mesma coisa que você é altíssima. E isso não é nenhuma novidade. E por mais que ele seja o eterno príncipe negro das noites de domingo, o mestre de todos os sortilégios, foi assim que também aconteceu com Leonard Montano. Éééé Mister M…! Este homem hipnotizou os telespectadores do Fantástico ainda no final do último milênio. Com sua horrenda mascarazinha preta, trouxe a público o que todos sempre quiseram saber: os truques dos ilusionistas. Mas peraí, poder paranormal não existe? A mulher não é cerrada? A carta não passa para o outro lado do vidro? E droga! Não é possível transformar papel comum em dinheiro? Em 1999, o Brasil todo descobriu que a resposta para todas estas perguntas é: Não! Se você acreditava, você é um estúpido! (crianças, é mentira, estou usando de frases de efeito para convencer a fraca mente dos adultos. Qualquer dúvida, é só falar com o Papai Noel que ele confirma tudo). Agora ok, eu sei que você não acreditava em nada daquilo. Nem eu. Mas a curiosidade matou um gato. E o Mister M fez o maior sucesso sacaneando os demais ilusionistas do mundo. Isso há mais de uma década. Mas a alegria durou pouco, os truques se esgotaram e o americano de Los Angeles foi-se embora da rede de televisão provavelmente mais assistida do Brasil. Mas rá! Quem é vivo sempre aparece! E eu fui descobrir somente neste final de semana que o mestre de todos os sortilégios aparece desde 2007 no programa Tudo é Possível, da Ana Hickman, na Record (apesar de a tentação por criar mais um post com comentários eternos, não tecerei minhas opiniões sobre as belas da RedeTV. Mesmo pq, também, ela não é da RedeTV). A diferença agora é que se você acertar como é que o cara vai resolver a mágica, você ganha um MP3. Claro, não é tão simples… você tem que ignorar seu senso de ridículo e estar ao vivo na platéia do programa. Isso sim é cultura pop! COWABANGA! Mas eu escrevi até aqui 434 palavras só pra dizer o seguinte: Mister M é o cara! Anos e anos depois, mesmo já tendo visto a resolução de uma incrível variedade de truques, eu assisti aquele quadro até o final! E, sinceramente, fiquei decepcionada quando descobri que só ia saber como a lança atravessa a assistente sem machucá-la na semana que vem (se bem que eu tenho um palpite: é um dispositivo retrátil no cinto dela. Pode escrever). Enfim, talvez a fronteira seja justamente esta. Talvez algo entre para o imenso balaio da cultura pop quando a audiência passa a ignorar o seu superego crítico e consome o produto sem refletir sobre sua real qualidade. Mas confessa, vai… todos ficaram mortos de curiosidade pra ver a cara do Mister M aquela vez no Fantástico… Grande príncipe negro das noites de domingo!


E.T., telefone, minha casa

18/01/2010

O rei do pop pode ter batido as botas mas o Cowabanga continua. Firme, forte e morimbundo. Após umas curtas férias –  quase um ano, mas não espalha – e milhares de e-mails implorando pelo nosso regresso, decidimos que se é pelo bem do povo e felicidade geral da nação, voltamos!

Trazendo do pop enlatado e pronto pra consumo do Homem-Aranha aos sinuosos desvios do rock africano, numa bela salada pink fúcsia como o bom pop merece a idéia é bater ponto por aqui semanalmente e tirar as teinhas que possam ter se formado.

Enquanto isso, pra aquecer as baterias ao invés de um post interminável um clip super moderno, cool e xablablau. Afinal o Cowabanga não trata só de resgate de memória sentimental de adolescente ointentista. A gente também é hype, benhê.

Hasta la vista, babe!


Dupla mortífera

27/11/2007

Poucos filmes de Hollywood conseguiram lançar continuações para um sucesso. Menos deles conseguiram manter os mesmos atores para essas continuações. E menos deles ainda conseguiram manter o entrosamento e a mesma fórmula, sem decepcionar o público. E raros ainda são aqueles em que uma dupla se deu tão bem na história dos longas de ação. E vou parar o afunilamento, porque vocês já sabem onde quero chegar.

Roger Murtaugh (Danny Glover) é um sargento renomado da Polícia de Nova York (Nova York? Esqueci-me agora da cidade deles, mas creio que é essa). Pacato, sempre prefere resolver os casos na base da conversa. Só mata se achar realmente necessário. Tem família, uma casinha branca e ganha bem.

Martin Riggs (Mel Gibson) tinha tudo para ser como seu futuro parceiro Roger. Mas perdeu a mulher em um acidente, foi morar em um trailer e seu único amigo é um cachorro. Caminha nu em sua apertada morada e, deprimido, noite após noite pensa em se matar. Escolhe uma bala para a ocasião que ele ache especial. Seu jeito de fazer justiça é simples: ele mata e depois pergunta. Nada mal para quem está em seu limite de sanidade.

Ambos nunca se viram na polícia. E do nada se conhecem, pois são recrutados para resolverem um caso de tráfico internacional. Forma-se naquele momento uma das maiores duplas policiais dos filmes do gênero.

A fórmula perfeita de Máquina Mortífera não é nem um pouco complexa. Ela só junta dois policiais completamente diferentes em uma missão complicada e taca uma pitada um tanto exagerada de humor. Deu certo nos anos 80 e 90. Mel Gibson, antes de virar pastor e com seus mullets oitentistas, tem uma atuação impecável no primeiro filme da série. Além disso, à medida em que o filme ganha uma continuação, acrescentam um novo ator ou atriz, que nunca decepcionam.

Vocês lembram? No segundo longa, Joe Pesci dá as caras como Leo, um atrapalhado amigo de Roger. No terceiro, é a vez da bela Rene Russo aparecer, no papel de Lorna, uma policial que vai assumir um romance com Riggs. E no quarto, a aparição do oriental Jet Li, um vilão que vai dar muito trabalho para a dupla.

Certamente o filme que mais me marcou foi o terceiro. Nele que conheci Roger e Riggs. A primeira cena é inesquecível. A dupla vai para um prédio onde existe uma bomba. Ela vai explodir em dez minutos, e eles decidem desarmá-la. Alguns pedaços do diálogo:

– Riggs, espera! Falta oito minutos e trinta e dois segundos pra bomba explodir. Dá pra esperar o esquadrão antibomba, tomar um capuccino…
– E se não chegar? Vamos, eu acho que é o fio azul. Sempre é o fio azul.
– E se for o vermelho?
– Então a gente corta o vermelho agora, ora.

Lá pelas tantas, Riggs corta o fio vermelho e a contagem regressiva da bomba acelera. Há um gato perto deles.

– Ahn… Roger…
– Que é?
– Pega o gato!!!!
– Pegar o gato?????

Ou então o diálogo sobre a palavra “Valeu”. Riggs define:

– Valeu, ué. Começa com V, tem L no meio e U no final.

Só para se ter uma idéia de como o público gostou tanto da série, o primeiro filme data de 1987. O quarto filme, de 11 anos depois. Com os atores no mesmo entrosamento.

Infelizmente, não veremos uma continuação dele. O motivo fica justificado pela célebre frase de Roger:

– Eu estou velho demais para essas coisas…

Mas ainda assim, é sempre bom revê-los e lembrar que, algum dia, os filmes e os atores já foram geniais. Criatividade que hoje só vemos aos lampejos.

Postado por Fred


Seca, peitões e estupidez

20/11/2007

desert-punk.jpgNessa onda “nós não passamos mais clipes”, a MTV incrementou sua programação com uma impressionante variedade de quadros, desde programas totalmente ‘made in Brazil’, como Mucho Macho e Tela Class, até outros descaradamente importados, como MTV Gringa e Pimp My Ride. Dentro dessa segunda categoria, a influência oriental parece marcante. Quem assiste a emissora antes da hora do soninho, lá pelas 23h30, sabe do que eu estou falando: animes.

Segundo a nossa grande sábia cibernética, a Wikipedia, anime, no Japão, quer dizer pura e simplesmente “desenho animado”. Bom, para nós, não é muito diferente. Anime é, portanto e obviamente, o desenho animado que vem do Japão. Entre Sakura Card Captors, Pokémon e Naruto, as características desse gênero não variam muito. Apesar de os temas serem diversos, sempre incluem heróis em sagas intermináveis e uma constante luta contra o mal. Os personagens quase sempre têm olhos grandes, cabelos volumosos e coloridos, roupas com design ousado e corpos bastante detalhados.

O anime que a MTV tem passado se chama Desert Punk. A simples menção do nome deve criar, automaticamente, a pergunta “que raio é isso?!”. E responder com um breve resumo não é complicado: seca, peitões e estupidez. O desenho conta a saga de um guerreiro em um ambiente futurista, onde falta água e as aldeias que possuem poços artesianos vivem sendo invadidas.

Mas esse guerreiro, o Desert Punk, é uma espécie de anti-herói. Nada ético, ele é uma espécie de mercenário do bem, pago para proteger as aldeias. Suas táticas são questionáveis e freqüentemente beiram o escatológico. Mas esta não é exatamente a pior faceta… o Desert Punk é viciado por peitões – no sentido mais literal da palavra.

Sem preconceitos a respeito dos vícios ou loucuras humanas – afinal, Olavo Bilac era necrófilo –, a questão principal é o machismo que este anime traz. Sem moralismo da minha parte (nem curto esse tipo de critica), a figura das mulheres é sempre retratada como a de ‘exploradoras’, que oferecem seus corpos ao herói em troca de proteção – e no final, sempre dão o bolo no cara.

Apesar de esperto e sagaz em suas táticas de guerrilha, sempre que o Desert Punk abre a boca, sai alguma babaquice – seja relacionada a uma provocação idiota ao seu inimigo, ou uma cantada sem pudores às suas ‘amadas’ (que freqüentemente são também xingadas). Em suma, uma total liberação do id em estilo japonês.

No último sábado entrou na programação da MTV um outro anime, o Afro Samurai. E agora, o que esperar desse?!

Postado por Débora


A mais nova intelectual brasileira

14/11/2007

Com seus cerca de 1 099 653 exemplares semanais, a Revista Veja é a mais lida do Brasil. Fundada em 1968 pelos pelos jornalistas Victor Civita e Mino Carta, já passou por diversas ‘fases editoriais’. Atualmente, é tida como um periódico dirigido para as “classes A e B”, liberal e de oposição ao governo.

Apesar de todos os pesares (que são muitos), a Veja ainda mantém algumas características bastante interessantes, como a coluna Holofote. Na última edição (14 de novembro), a entrevista da página foi tão chocante pra mim que eu resolvi deixar pra lá o meu próximo post planejado, parar as atividades do meu estágio e trazer diretamente para vocês. Como diria a Cris, “eu mereço…”. Aí vai a bomba:

Aos 25 anos, a modelo Daniela Albuquerque se prepara para estrear em uma nova profissão. Ela apresentará o reality show Dr. Hollywood, que será exibido pela Rede TV!. Daniela conversou com a repórter Heloisa Joly.

Veja – Como será seu programa?

Daniela – Vai ser um reality show superlegal sobre cirurgias plásticas. Estou feliz, mas TV dá um frio na barriga, sabe? Tento me controlar, mas até espinha saiu no meu rosto. Quero dar sempre o melhor de mim.

Veja – Você já fez alguma plástica?

Daniela – Coloquei silicone. Por enquanto, estou satisfeita. Em time que está ganhando não se mexe.

Veja – Seu marido, Amilcare Dallevo, é dono da Rede TV!. Isso ajuda na sua carreira?

Daniela – Lógico, mas eu fico chateada com quem pensa mal de mim por isso. Batalho, sou trabalhadora, faço um monte de coisas, sabe?

Veja – Estudar jornalismo a ajudará na nova carreira?

Daniela – Claro. Eu fazia direito. Desisti e pensei em entrar em veterinária, porque amo animais. Também quis estudar teatro, Acho legal cinema, ser atriz, diretora, cineasta. Só que cineasta é só para quando for mais velha, com 30, 40 anos.

Veja – Mas como você foi parar no jornalismo?

Daniela – Eu estava tomando toddynho no café da manhã. Na embalagem, tinha um negócio que explicava as profissões na linguagem de criança. O dessa era jornalismo. Eu li e falei: “Caramba. É isso que eu tenho que fazer”. Tem tudo a ver com ser modelo.

E o que isso tem a ver com Cultura? Definitivamente nada.

Postado por Débora


O esvaziamento da Sessão da Tarde

12/11/2007

Todos os dias, de segunda a sexta, cerca de 13 milhões de pessoas ligam a TV na Globo, prontas para presenciar as mais diversas confusões e ver uma gurizada esperta se meter em grandes aventuras, o que equivale a uma média de 20 pontos de audiência, pertinho pertinho do Ibope da novela das 6. Lembra alguma coisa?

Sim caros leitores, esse é mais um post sobre a excelentíssima, lembradíssima e antiquíssima (existe desde 1975) Sessão da Tarde. Antes que alguém me acuse de obssessiva, faço desde já um meia culpa e prometo que este será o último post de rememoração de tardes com filmes censura livre que os senhores irão ler da minha parte em um bom tempo.

Amigos conversando, naquele ponto em que qualquer meio assunto já serve para duas horas de colóquio alguém solta: “ah, a sessão da tarde já não é mais o quer era antigamente”. Alguém concorda, outros não, alguns apenas suspiram por lembrar do tempo em quer podiam se dar ao luxo de sentar no sofá à tarde e ver TV descompromissadamente e sem culpa.

Fato é que a Sessão da Tarde mudou mesmo.

Conforme fontes de altíssima confiabilidade (leia-se Wikipédia) boa parte dos clássicos do horário foi cortada devido à nova classificação indicativa de obras audiovisuais em vigor. Hmn, então o amigo filosofo do começo do post tinha razão? Tinha. Hoje em dia, entre Vale a Pena ver de Novo e Malhação só entram filmes com classificação ER (Especialmente Recomendado a crianças e adolescentes), livre e 10 anos (referente a produções que contêm cenas inadequadas para menores dessa idade, mas que podem ser exibidas em qualquer horário). Os outros filmes (até mesmo os 12 anos) são relegados as madrugas, tendo lugar apenas nos Intercines e Corujões da vida. Somando-se a isso há também os contratos que não são renovados – muitas produções são apenas “alugadas” – e acabam na grade de outras emissoras.

Eis alguns deles: A série Indiana Jones; Mulher Nota 1000 (atualmente na Rede Record); A série Robocop (alguns da série estão atualmente na Rede Record); Os Goonies; A série Braddock; A série Esqueceram de mim (atualmente na Rede Record) A série Superman (o 1º filme da saga está atualmente no SBT); Footloose – Ritmo Louco (atualmente no SBT); Flashdance – Em Ritmo de Embalo; A série Rambo (alguns da série estão atualmente na Band); Quem é Essa Garota?, com Madonna; A Força do Destino, com Richard Gere; A série Rocky; O Resgate de Jéssica, com Beau Bridges.

Se por acaso você sentiu falta de alguma reprise clássica na lista de filmes-não-mais-reprisados não se acanhe. Como diria a Srta Gastal há uns três anos atrás, aperta o dedo no teclado e chora, a caixinha de comentários está aí para isso mesmo.

Postado por Paula